Vector, West Nile Virus

Diretrizes para Vigilância, Prevenção e Controle do
Vírus do Nilo Ocidental (West Nile Virus − WNV)

(13 setembro 2002)

Histórico |  Vigiláncia epidemiológica |  Definicões de caso | 
Medidas de Controle e Prevenção |  Biosegurança |  Reservórios e Vetores

Dada a ameaça de disseminação do vírus do Nilo Ocidental aos países da Região, são apresentadas a seguir algumas diretrizes gerais recomendadas pela OPAS para a vigilância desta doença, recomendações estas baseadas nas atas e discussões do "Seminário sobre Vigilância do Vírus do Nilo Ocidental", organizado pela OPAS e realizado no CAREC (Centro Caribenho de Epidemiologia) em Trinidad e Tobago de 29 de abril a 3 de maio.

As diretrizes têm como objetivo a detecção a tempo da atividade do vírus do Nilo Ocidental em populações de reservatórios e vetores a fim de que sejam instituídas medidas cabíveis para uma maior vigilância, melhor controle da transmissão e do vetor, bem como do contágio em massa.

Histórico

Em meados de 1999, foram relatados nos Estados Unidos os primeiros casos em seres humanos de encefalite causada pelo vírus do Nilo Ocidental. O achado nos meses frios de 1999 e 2000 de mosquitos com atividade durante o inverno, infectados pelo vírus, fez com que os órgãos responsáveis antecipassem o retorno da atividade do vírus na primavera seguinte e determinassem o controle do vetor no início da estação e a vigilância da doença na cidade de Nova York e regiões vizinhas no começo do verão norte-americano de 2000. O empenho de vigilância visava à detecção e comprovação de infecções pelo vírus do Nilo Ocidental em aves, mosquitos e cavalos, bem como em animais sentinelas que poderiam antecipar o surgimento da doença em seres humanos. Até fins de agosto de 2002, já havia sido identificada a atividade do vírus do Nilo Ocidental em 41 estados e no distrito de Columbia nos Estados Unidos e em quatro províncias do Canadá. O vírus do Nilo Ocidental foi detectado em aves (mais de 78 espécies), mosquitos (14 espécies), cavalos, outros mamíferos e em seres humanos.

Vigilância Epidemiológica

As populações em que a vigilância deve ser implementada em países onde não se identificou a circulação do vírus do Nilo Ocidental são, na seguinte ordem de prioridade: aves, mosquitos, cavalos e, por fim, seres humanos.

  1. Vigilância Ativa de Aves
    A vigilância ativa de aves destina-se a monitorar a atividade de arbovírus em aves de circulação livre e aves-sentinelas. A vigilância de corvos mortos, em particular, e de outros membros da família Corvidae pode ser um indicador do vírus do Nilo Ocidental numa dada região geográfica. Em algumas áreas, no entanto, pode-se identificar a infecção pelo vírus do Nilo Ocidental inicialmente em outras espécies silvestres de aves. (Apêndice 1)
    A vigilância requer a coleta de aves mortas há pouco tempo (no espaço de menos de 48 horas) e o envio de seus restos mortais (conservados em sacos plásticos com gelo) ao laboratório nacional de referência.
  2. Vigilância Ativa dos Mosquitos
    A vigilância dos mosquitos tem o propósito de identificar vetores em potencial, monitorar a densidade da população de vetores em determinada área e detectar a atividade do vírus do Nilo Ocidental ou outros arbovírus. Em 1999, nos Estados Unidos, o vírus do Nilo Ocidental foi encontrado principalmente em mosquitos ornitofílicos. Em 2000, observou-se que mosquitos que se alimentam de mamíferos infectados também estavam infectados.
    As populações adultas de Culex spp. devem ser o alvo principal das investigações, seguidas da vigilância de Aedes spp. e outras espécies nas áreas em que foram notificados casos prováveis ou confirmados em aves, mamíferos ou no homem e em áreas com alto risco de transmissão do vírus do Nilo Ocidental, como zoológicos, reservas de caça, territórios de alimentação ou de refúgio de aves migratórias etc. (Apêndice 2)
  3. Maior Vigilância Veterinária Passiva
    Como um sistema auxiliar para detectar a presença do vírus do Nilo Ocidental e monitorar a extensão da transmissão externa ao ciclo mosquito-ave, deve ser implementada uma maior vigilância passiva (vigilância passiva intensificada por alertas gerais aos veterinários) quanto à doença neurológica, principalmente em cavalos e outros mamíferos.
    Para isso, é necessário o exame minucioso de casos em cavalos com sintomas neurológicos compatíveis com encefalite (tais como apatia, ataxia, falta de coordenação, desequilíbrio, queda do lábio inferior, paralisia parcial ou morte) e o envio de amostras séricas e do tecido cerebral destes animais ao laboratório nacional de referência para a detecção de anticorpos e/ou isolamento do vírus. O envio de tecido cerebral e da medula cervical (em formol) para estudo histopatológico é também útil. Em alguns países, será necessário fazer o diagnóstico diferencial com raiva.
  4. Maior Vigilância Passiva em Seres Humanos
    Como medida auxiliar para a detecção da atividade do vírus do Nilo Ocidental, pode ser implantada uma maior vigilância passiva para casos de encefalite viral em seres humanos (vigilância passiva por meio do alerta aos serviços de saúde). Se houver recursos, deve ser realizado o tratamento da meningite asséptica.
    A vigilância em seres humanos tem como objetivo detectar casos graves de infecção pelo vírus do Nilo Ocidental a fim de proporcionar tratamento.

Definições de Casos

  • Define-se um caso suspeito como sendo qualquer pessoa com sintomas clínicos, como febre e manifestações neurológicas graves (de meningite a encefalite) de etiologia desconhecida.
  • Define-se um caso provável como sendo um caso suspeito que preenche um ou mais dos seguintes critérios:
    • Demonstração de anticorpos IgM no soro contra o vírus do Nilo Ocidental no ensaio imunoenzimático ELISA;
    • Demonstração de um título elevado de anticorpos IgG específicos para o virus do Nilo Ocidental em soro da fase de convalescência (triagem por ELISA ou inibição de hemoaglutinação e confirmação pelo teste de PRNT − Plaque Reduction Neutralization Testing).
  • Define-se um caso confirmado como um caso provável que preenche um ou mais dos seguintes critérios:
    • Isolamento do vírus do Nilo Ocidental ou demonstração do antígeno viral ou seqüências genômicas do vírus do Nilo Ocidental em tecidos, soro, líquido cefalorraquidiano e outras secreções orgânicas;
    • Demonstração de soroconversão (aumento de quarto vezes ou mais no título de anticorpos) do vírus do Nilo Ocidental no teste de PRNT em amostras séricas ou pareadas de líquido cefalorraquidiano (fase aguda ou de convalescência);
    • Demonstração de anticorpos IgM para o vírus do Nilo Ocidental em uma amostra do líquido cefalorraquidiano na fase aguda por MAC-ELISA.

Nota: A detecção de anticorpos IgM específicos para o vírus do Nilo Ocidental e/ou anticorpos IgG (por ELISA) em uma única amostra sérica ou de líquido cefalorraquidiano deve ser confirmada por uma das outras técnicas precedentes.

Medidas de Controle e Prevenção

Prevenção

Atualmente, a maneira mais eficaz de prevenir a transmissão do vírus do Nilo Ocidental e outros arbovírus a seres humanos e outros mamíferos, ou de controlar uma epidemia depois de iniciada a transmissão, é reduzir o contato humano com os vetores. Para prevenir a doença em animais domésticos e em seres humanos, os serviços de saúde pública precisam dispor de capacitação para o controle adequado de vetores.

Um elemento fundamental de qualquer programa de prevenção e controle da transmissão de doença por meio de um vetor é a educação do público sobre estas doenças, seu modo de transmissão e como prevenir ou reduzir o risco de contato. Para a educação do público, deve-se fazer uso de métodos de marketing social e ciência do comportamento para melhor informar as populações-alvo.

Certas precauções podem ser tomadas para reduzir o contato com o vírus em casa, como descrito a seguir:

  • Coloque telas nas janelas e vede quaisquer aberturas na casa por onde os mosquitos possam entrar.
  • Vista calças compridas e camisas de mangas compridas, especialmente quando permanecer ao ar livre por longos períodos, nos horários de atividade dos mosquitos.
  • Reduza, ao mínimo, as atividades ao ar livre durante o amanhecer e o entardecer, quando as picadas de mosquito são mais comuns.
  • Use repelentes de insetos com até 35% do composto ativo DEET em adultos e até 20% em crianças.

Repelentes à base de ervas e ultra-sônicos não são eficazes contra os mosquitos.

Controle

O modo mais econômico e eficaz de controlar os mosquitos é reduzir a fonte de larvas. A experiência mostra que a melhor maneira é por meio de programas para reduzir os locais de proliferação, monitorar as populações de mosquitos e iniciar as medidas de controle antes de a doença ser transmitida a seres humanos e animais domésticos. Tais programas podem também ser usados como uma resposta de emergência de primeira linha para o controle dos mosquitos quando a atividade viral é identificada em determinada área ou a doença é notificada em seres humanos. O controle de populações adultas do mosquito por meio do borrifo aéreo de inseticidas serve, em geral, como um último recurso.

Além de prevenir o contato com os mosquitos, nos Estados Unidos, o USDA-APHIS (Serviço de Inspeção de Saúde Vegetal e Animal do Departamento de Agricultura dos EUA) concedeu uma licença provisória para o uso em cavalos de uma vacina de vírus mortos.

Biossegurança

Devem ser empregadas as precauções universais na necropsia de animais, como a proteção pessoal (uso de roupas e luvas protetoras e protetores oculares e para o rosto), eliminação sanitária de aves e animais mortos ou amostras contaminadas e desinfecção de todos os aparelhos depois do processamento das amostras.

Para armazenagem e transporte de amostras, consulte as Normas de Biossegurança da OMS.

Reservórios e Vetores (Anexos)

Apêndice 1: Espécies de Aves e Mamíferos de Circulação livre em que o Vírus do Nilo Ocidental Foi Isolado

Espécies Norte-Americanas Nativas de Circulação livre

Bittern, Least Ixobrychus sinensis Jay, Blue Cyanocitta cristata
Blackbird, Red-winged Agelaius phoeniceus Kestrel, American Falco sparverius
Bluebird, Eastern Sialia sialis Killdeer Charadrius vociferus
Cardinal, Northern Cardinalis cardinales Kingfisher, Belted Ceryle alción
Catbird, Gray Dumetella carolinensis Merlin Falco columbarius
Chickadee, Black-capped Poecile atricapillus Mockingbird, Northern Mimus, polyglottos
Cormorant, Double-crested Phalacrocorax auritus Titmouse, Tufted Chordeiles minor
Cowbird, Brown-headed Molothrus ater Ovenbird Seiurus aurocapillus
Crow, American Corvus brachyrhynchos Owl, Great Horned Bubo virginianus
Crow, Fish Corvus ossifragus Phoebe, Eastern Sayornis phoebe
Dove, Mourning Zenaida macroura Rail, Virginia Rallus limicola
Duck, Mallard Anas platyrhynchos Raven, Common Corvus corax
Finch, House Carpodacus mexicanus Robin, American Turdus migratorius
Flicker, Northern Colaptes auroatus Sanderling Calidris alba
Goldfinch, American Carduelis tristis Skimmer, Black Rynchops niger
Goose, Canada Branta canadensis Sparrow, Song Melospiza melodia
Grackle, Common Quiscalus quiscula Thrush, Hermit Catharus guttatus
Grouse, Ruffed Bonasa umbellus Thrush, Wood Hylocichla mustelina
Gull, Great Black-backed Larus marinus Turkey, Wild Meleagris gallopavo
Gull, Herring Larus argentatus Turnstone, Urdí Arenaria interpres
Gull, Ring-billed Larus delawarensis Veery Catharus fuscescens
Hawk, Broad-winged Buteo platypterus Vulture, Black Coragyps atratus
Hawk, Cooper's Accipiter cooperii Warbler, Blackpoll Dendroica striata
Hawk, Red-tailed Buteo jamaicensis Warbler, Canada Wilsonia canadensis
Hawk, Sharp-shinned Accipter striatus Warbler, Yellow-rumped Dendroica coronata
Heron, Great Blue Ardea herodias

Warbler, Black-throated Blue Dendroica caerulescens

Heron, Green Butorides virescens Waxwing, Cedar Bombycilla cedrorum
Hummingbird, Ruby-throated Archilochus colubris  

Espécies de Aves Norte-Americanas em Cativeiro

Crane, Sandhill Grus canadensis Magpie, Black-billed Pica pica
Eagle, Bald Haliaeetus leucocephalus

Night-Heron, Black-crowned Nycticorax nycticorax

Gull, Laughing Larus atricilla Owl, Snowy Nyctea scandiaca

Outras Espécies de Aves de Circulação livre

Dove, Rock (pigeon) Columba livia Starling, European Sturnus vulgaris
Pheasant, Ring-necked Phasianus colchicus Swan, Mute Cygnus olor
Pardal, House Passer domesticus  

Espécies de Mamíferos de Circulação livre

Morcego, Big brown Eptesicus fuscus Raccoon Procyon lotor
Morcego, Little brown Myotis lucifugus Gambá, Striped Mephitis mephitis
Tâmia, Eastern Tamias striatus  

Animais Domésticos e Outras Espécies Domesticadas

Gato Galinha
Cão Peru, doméstico
Coelho, doméstico Pavão
Cavalo Ganso, doméstico
  Periquito
  Arara, Ara spp
  Cacatua
  Cockatiel
  Tentilhão

Espécies Exóticas Mantidas em Zoológicos

Cormorant, Guanay Pheasant, Himalayan Impeyan
Duck Bronze-winged Tragopan Blythe's
Flamingo, chileno  

Apêndice 2:
Espécies de Mosquito em que o Vírus do Nilo Ocidental Foi Isolado

Aedes albopictus Aedes cinereus
Aedes vexans Anopheles barberi
Anopheles punctipennis Anopheles quadrimaculatus
Coquillettidia perturbans Culex pipiens
Culex restuans Culex nigripalpus
Culex quinquefasciatus Culex salinarius
Culiseta melanura Ochlerotatus atlanticus
Ochlerotatus atropalpus Ochlerotatus canadensis
Ochlerotatus cantator Ochlerotatus japonicus
Ochlerotatus sollicitans Ochlerotatus taeniorhynchus
Ochlerotatus tormentor Ochlerotatus trivittatus
Orthopodomyia signifera Psorophora columbiae
Psorophora ferox Uranotaenia sapphirina

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Informativo sobre Virus do Nilo Ocidental

Sitios relacionados: Virus do Nilo Ocidental (em inglês)