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Acesso Aberto, uma via democrática para a ciência

Acesso Aberto (AA) para publicações científicas tem se consolidado como um movimento internacional nos últimos vinte anos. As principais opções para a comunicação de resultados de pesquisa acadêmica são denominadas via verde e via dourada. A primeira inclui o auto-arquivamento de manuscritos em repositórios institucionais ou temáticos, e a última se refere à periódicos híbridos ou totalmente acesso aberto.

Para estimular o auto-arquivamento de manuscritos, legislações e políticas foram estabelecidas em vários países. Elas tiveram um impacto imediato no número de documentos arquivados, mas com o passar do tempo, o número de pesquisadores e instituições que depositam seus resultados de pesquisa em repositórios decresceu. Atualmente, apenas 20.4% dos artigos publicados mundialmente estão disponíveis em acesso aberto, sendo 8.5% em periódicos AA e 11.9% em repositórios (Björk et. al., 2010). Isso é devido, aparentemente, a diversas barreiras enfrentadas pelos autores e instituições para depositar seus trabalhos, bem como às restrições impostas pelos periódicos em utilizar seus arquivos ou impondo períodos de embargo de muitos meses.

Desde as Declarações de Budapeste, Berlim e Bethesda em 2002/2003 tem-se observado um aumento significativo no número de periódicos AA, seguido de um platô. Atualmente, o Directory of Open Access Journals (Diretório de Periódicos em Acesso Aberto, DOAJ) registra mais de sete mil periódicos em mais de cem países. Periódicos AA prevalecem em regiões em desenvolvimento, especialmente na America Latina (Miguel, 2011) que possui periódicos de excelente qualidade totalmente em acesso aberto, como aqueles publicados pelo programa SciELO. Entretanto, China, Rússia e Coréia do Sul possuem um pequeno número de periódicos AA.

O movimento AA considera o conhecimento científico como bem público e uma forma democrática de prestar contas à sociedade da pesquisa financiada com recursos públicos. As comunidades científicas dos países em desenvolvimento se beneficiam deste movimento (Declaração de Salvador, 2005). Os autores, entretanto, buscam visibilidade e impacto quando selecionam uma revista para submeter seus resultados de pesquisa. Ambos podem ser contemplados através da via verde. De fato, foi demonstrado que mundialmente, em todas as áreas do conhecimento, o número de publicações através da via verde supera os da via dourada (Miguel, 2011). Juntas, as vias verde e dourada formam um caminho rumo à visibilidade, impacto e acesso democrático à comunicação científica.

No contexto da pesquisa em saúde pública na América latina, a via dourada (periódicos totalmente AA) tem sido escolhida como forma de disseminação da informação científica. Afinal, em países com limitados recursos para bibliotecas, a via dourada de acesso aberto alcança um valor extraordinário, que deve ser preservado e estimulado. Nesta direção, muitos esforços tem sido feitos para socializar a importância, apropriação e conscientização do movimento de Acesso Aberto no seio da comunidade científica, bem como fortalecendo as redes de autores, editores e instituições de saúde.

Um evento global promovendo o Acesso Aberto como uma nova regra para a publicação dos resultados de pesquisa terá lugar nos dias 24 a 30 de outubro de 2011. Eventos e atividades em todo o mundo com o intuito de disseminar o movimento e aumentar sua representatividade terão lugar na quinta edição da Open Access Week (Semana do Acesso Aberto).

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