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New England Journal of Medicine destaca o acesso aberto

O número mais recente do prestigioso periódico New England Journal of Medicine (NEJM) dedica ao tema acesso aberto quatro artigos. Motivado pela rápida disseminação de novas formas de publicação tendo a Internet como veículo, o acesso aberto vem se firmando como modelo de publicação em todas as áreas do conhecimento. O movimento, que teve início nos anos 1990, originou-se da crise das publicações seriadas (aumentos abusivos nos preços de assinatura de periódicos científicos) e pelo controle de direitos autorais (copyrights) por parte dos publishers.

O movimento de acesso aberto avança com o progresso da Internet a partir do ano 2000 e inicia-se o desenvolvimento de ferramentas open source que favorecem o movimento de acesso aberto por meio da interoperabilidade e o intercambio de arquivos. O desenvolvimento do Open Archives Initiative (OAI) promove standards de interoperabilidade para difusão eficaz e rápida de repositórios, para suplantar os ritmos lentos de publicação tradicionais face ao rápido avanço da ciência.

O acesso aberto se consolida com as declarações em favor do acesso aberto, as iniciativas de Budapeste (2002), Bethesda e Berlim (2003), denominadas Declarações BBB.

Uma década após a consolidação do acesso aberto e o surgimento das redes sociais como veículo de disseminação de resultados de pesquisa, este modelo de publicação encontra na área da saúde seu maior impacto. Motivado pelo projeto de lei norte-americano aprovado em 2007 no Congresso que determina que todas as publicações financiadas com verbas do National Institute of Health (NIH) sejam disponibilizadas em um repositório do PubMed em acesso aberto após certo período de embargo (protegendo, assim, os publishers e seus modelos de negócio), muitas instituições de pesquisa e de fomento promoveram a construção de repositórios em acesso aberto. Consideram um direito inalienável da sociedade, que indiretamente contribui com os impostos pagos pelo avanço das pesquisas, o acesso sem restrições aos resultados publicados.

Os quatro artigos do fascículo 368 do N Engl J Med tratam de temas centrais sobre acesso aberto:

The Downside of Open-Access Publishing, por Charlotte Haug – Trata da rápida disseminação de periódicos acesso aberto sem qualidade, que se autoproclamam de âmbito internacional, que submetem os artigos à avaliação por pares, o que nem sempre é real. Na opinião do autor, o novo paradigma é, entretanto, inevitável.

Open but Not Free — Publishing in the 21st Century, por Martin Frank – Trata da disseminação online que serviu de alavanca ao movimento de acesso aberto e o apelo para a livre disseminação da informação antes restrita aos periódicos impressos. Existe, no entanto, um custo associado ao livre acesso – um custo que pode reduzir os fundos disponíveis para pesquisa.

For the Sake of Inquiry and Knowledge — The Inevitability of Open Access – por Ann J. Wolpert – O modelo de acesso aberto, no qual autores pagam para ter seu artigo publicado, oferece uma forma alternativa de controlar o financiamento em publicações acadêmicas.

Creative Commons and the Openness of Open Access – por Michael W. Carroll - Como parte integrante do movimento de acesso aberto e da missão de expandir os termos de uso para a informação cada vez mais acessível, a licença Creative Commons produziu seis tipos de licenças de direitos autorais que permitem um amplo espectro de uso adequado do material publicado, dentro de certas condições.

BIREME/OPAS/OMS apoia o movimento de acesso aberto em seus produtos e serviços. As fontes de informação da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e suas redes associadas disponibilizam informação científica e técnica livremente de acordo com os preceitos das declarações BBB.

A Literatura Latino-Americana em Ciências da Saúde (LILACS) foi criada em 1985, como uma evolução do Index Medicus Latino-Americano para fortalecer e ampliar o registro e divulgação da literatura científica e técnica. LILACS é produzida de forma cooperativa e descentralizada por cerca de 800 instituições de 39 países da AL&C que cooperam com a inserção de registros bibliográficos, sob a coordenação da BIREME.

Desde 2005, por ocasião da publicação da Declaração de Salvador sobre o Acesso Aberto pelos participantes do International Seminar on Open Access, durante o 9º Congresso Mundial de Informação em Saúde e Bibliotecas (ICML9) e 7º Congresso Regional de Informação em Ciências da Saúde (CRICS7), a LILACS recomenda aos periódicos indexados que disponibilizem os artigos em acesso aberto na Internet, através de site próprio ou enviando os arquivos .pdf ao repositório LILACS. A partir de 2013, o cumprimento desta regra é mandatório para novos periódicos que submetem seu ingresso na LILACS Brasil. Para os demais países da América Latina e Caribe esta recomendação não é mandatória em 2013, mas os países estão sendo convidados a implanta-la. (Saiba mais sobre as recomendações sobre acesso aberto na LILACS).

 

Leia mais: New England Journal of Medicine Vol. 368 No. 9, February 28, 2013

 

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