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Ciência brasileira perde um de seus expoentes

A Organização Pan-Americana da Saúde Representação do Brasil faz uma homenagem póstuma ao virologista Hermann Gonçalves Schatzmayr. A Fiocruz está de luto com a morte do virologista Hermann Gonçalves Schatzmayr. Expoente da ciência nacional, Hermann traçou um currículo que acompanhou a própria história da Virologia no país: estudou a pandemia de gripe de 1957-8 no Rio de Janeiro, participou dos esforços de erradicação da varíola e de combate à poliomielite no país, além de ter produzido destacados estudos em dengue, sendo inclusive o responsável pelo isolamento dos vírus do dengue 1, 2 e 3 no Brasil. Hermann morreu por falência múltipla dos órgãos, aos 74 anos, nesta segunda-feira, dia 21 de junho, no Rio de Janeiro.

Pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz por quase meio século, Hermann ingressou na Fiocruz em 1961, onde atuou desde então, afastando-se apenas durante períodos no exterior para estudos. Por mais de 30 anos esteve à frente do Departamento de Virologia no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que deu origem a diversos centros de referência nacionais e internacionais. Ocupou o cargo de presidente da instituição entre 1990 e 1992, quando criou o FioSaúde (plano de saúde sob gestão da FioPrev – instituição de seguridade social da Fiocruz). Membro da Academia Brasileira de Medicina Veterinária e da Academia Brasileira de Ciências, integrou vários comitês internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Carioca, filho de pai austríaco, Schatzmayr formou-se em Medicina Veterinária na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro na década de 50. Durante o curso, foi monitor da cadeira de Microbiologia. Por sugestão de um dos professores, matriculou-se no Curso de Microbiologia da Universidade do Brasil (atual Federal do Rio de Janeiro) e tornou-se aluno da segunda turma. A capacitação lhe rendeu uma oportunidade como bolsista de Virologia em um laboratório da própria universidade. Neste período, estudou amostras de uma grande epidemia de influenza que houve no Rio entre 1957 e 1958.

Em 1960, por intermédio dos professores, conseguiu uma bolsa no Instituto de Higiene da Universidade de Viena, na Áustria, onde publicou seus primeiros trabalhos científicos. De volta ao Brasil em 1961, passou a integrar a equipe do recém-montado Laboratório de Poliomielite do Instituto Oswaldo Cruz, em Manguninhos. Na época único pesquisador da área de virologia na instituição, desenvolvia pesquisas que incluíam o isolamento e identificação do vírus da pólio e o estudo de surtos. Pouco depois, liderou a equipe responsável pela diluição e distribuição da vacina Sabin – que acabara de ser adotada pelo Brasil e era importada na forma concentrada para o país.

Durante três décadas, atuou como coordenador da área de Virologia do Instituto Oswaldo Cruz e esteve à frente de projetos de pesquisas relacionados, além da poliomielite, a varíola, rubéola e outros vírus. Em 1986, Hermann foi sócio fundador e o primeiro presidente da Sociedade Brasileira de Virologia. Na mesma década, quando a epidemia de dengue já preocupava em alguns países da América Latina, dedicou-se ao estudo do vírus, isolando pela primeira os tipos 1, 2 e 3 no país. Nesta época, já contava com o companheirismo, também no laboratório, da esposa Ortrud Monika Barth, pesquisadora da Fiocruz, com quem foi casado durante 49 anos.

No final dos anos 90, passou a investigar casos de poxvírus em animais e humanos. Trata-se da emergência de uma doença causada pelo vírus vacinal da varíola. Com isso, depois de muitos anos, voltou a estudar o vírus da vacina, projeto ao qual vinha se dedicando atualmente. Em 2009, lançou o livro A virologia no estado do Rio de Janeiro – uma visão global, em parceria com o pesquisador Maulori Cabral, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A publicação, que Hermann fez questão que fosse disponibilizada gratuitamente na internet, apresenta uma perspectiva global e histórica desse campo de pesquisa no estado, desde seus primeiros fatos registrados até as epidemias modernas.

Na última entrevista concedida, Hermann deixou um recado: “Basta que os pesquisadores olhem pela janela e se deparem com a carência das comunidades que nos cercam para se certificarem do quanto nosso trabalho é importante. Sempre trabalhei com foco na doença, no doente e na carência da nossa população.”

Hermann Schatzmayr deixa esposa, dois filhos, cinco netos, gerações de alunos e uma legião de admiradores dentro e fora da Fiocruz.

Uma despedida não intencional

Trajetória científica par e passo com a história da Virologia

24/06/10

Fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz).

 

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