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OPAS/OMS no Brasil e Ministério de Saúde do Brasil apóiam as intervenções frente à epidemia de cólera no Haiti.

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nullDepois de cerca de uma década o continente americano volta a apresentar casos de cólera. A atual epidemia foi declarada no Haiti na terceira semana de outubro deste ano, quando se confirmou a presença do vibrio cholerae no departamento do Centro. A ilha La Espanhola, que o Haiti compartilha com a República Dominicana, não apresentava casos de cólera há mais de 100 anos.

Neste primeiro mês da epidemia de cólera, os casos avançaram por sete “departamentos” do Haiti, tendo começado a manifestar alta transmissão na região metropolitana de Porto Príncipe, no “departamento” do Oeste, onde moram cerca de 4 milhões de pessoas, das quais mais de um milhão moram em barracas em conseqüência do devastador terremoto de janeiro de 2010.

Até o dia 15 de novembro, a Direção Nacional de Epidemiologia do Ministério da Saúde Pública e da População do Haiti (MSPP), informou 18.382 casos de internação devido ao surto de cólera, com 1.110 óbitos totais, com uma taxa de letalidade de aproximadamente 4%.

A Representação da OPAS/OMS no Brasil, como fez logo após o terremoto do início do ano, enviou para Haiti a funcionários especialistas na área de epidemiologia e atenção nos serviços de saúde para manejo adequado dos casos.

nullDr. José Moya, epidemiologista da OPAS/OMS no Brasil, viajou por duas semanas pelo Haiti, para apoiar as atividades de vigilância epidemiológica com a equipe da OPAS/OMS no Haiti e com o MSPP. Este grupo de trabalho incluía epidemiologistas da Brigada Médica Cubana (BMC), do Centro de Controle de Enfermidades (CDC) dos Estados Unidos e outras organizações como os Médicos Sem Fronteiras (MSF). Além de monitorar a evolução da epidemia, e as características da população afetada, lugar e tempo, o grupo identificou as necessidades de atenção sanitária nos próximos meses.

O Dr. Luis Codina, pediatra da OPAS/OMS no Brasil, esteve presente no Haiti para apoiar com os equipes do MSPP e da OPAS, na organização dos Centros de Tratamento da Cólera (CTC), que deverá ter uma adequada coordenação com os hospitais e demais serviços de saúde.

nullForam revisados os protocolos de tratamento, para harmonizar uma única versão que valesse para todas as instituições de saúde e ONGs. Hospitais foram visitados, onde eram apresentado o protocolo, e estabelecida uma discussão dos casos e realizada análise da organização dos serviços, para estar preparados para uma afluência maior de pacientes no serviço.

A maioria dos hospitais visitados tinham tendas em seus arredores para a atenção ao cólera, mas que poderiam ser insuficientes quando a epidemia tomasse um rumo explosivo. O apoio, portanto, focalizou-se na preparação dos serviços e dos recursos humanos, na ação direta com os pacientes e à estrutura dos serviços para o plano de emergência na epidemia, onde a chave do êxito do tratamento está na pronta “reidratação” oral e endovenosa do paciente.

Em paralelo, a OPAS/OMS no Brasil organizou um grupo de trabalho interprogramático para realizar ações coordenações internas com o Ministério de Saúde do Brasil, para o apoio ao Haiti, que se traduziu em atividades na “Direção Nacional de Epidemiologia” como o envio de quatro epidemiologistas do Ministério da Saúde do Brasil, formados no programa de epidemiologia de campo, que apoiaram as atividades e nas visitas aos Centros de Tratamento da Cólera (CTC) em Porto Príncipe e comunas de Gonaives e Saint Marc. 

nullCom a triangulação da OPAS/OMS no Brasil, o Ministério da Saúde do Brasil e o setor privado, foi sendo realizado o envio de medicamentos e insumos médicos para o tratamento de pacientes atingidos pelo cólera no Haiti, representando uma resposta quase imediata às necessidades deste país.

Um avião da Força Aérea Brasileira deixou Rio de Janeiro, no final do mês de outubro, com produtos para purificação de água (incluindo 10.500 frascos de hypochlorito de Sodio), 3.500 garrafas de líquido de Ringer Lactate com “equipamento de  macrogotas”, utilizado para casos de desidratação severa, 12.600 saquinhos de Soro de Reidratação Oral e 16.200 kits para perfusão.

A OPAS/OMS no Brasil esta planejando com os diferentes atores políticos e sociais no Brasil o envio em quantidades maiores de insumos estratégicos para tratamento da cólera, produtos e Kits de higiene destinados aos Centros de Tratamento da Cólera (CTC) do Ministério da Saúde e fortalecer a capacidade de resposta de PROMESS, como fonte principal de abastecimento em Medicamentos e Insumos médicos para o pais. Além disso, OPAS/OMS no Brasil está em negociação com a sua contraparte do Ministério da Saúde para assegurar a disponibilidade de vacinas estratégicas para os dois próximos anos.

No momento estão sendo coordenadas ações com o MS do Brasil, a OPAS/OMS no Brasil e o MSPP no Haiti, assim como as Brigadas Médicas Cubanas (BMC) no Haiti, para mobilizar fundos via o TC 58 que permita fortalecer dois CTC, localizados em Croix de Bouquetes e Carrefour, locais densamente povoados da região metropolitana de Porto Príncipe no Haiti.  

Esta coordenação é feita no marco da cooperação internacional do Governo do Brasil com o Haiti, articulada pelas representações da OPAS/OMS no Brasil, contando com a participação dos governos do Haiti e Cuba, representando claro exemplo da cooperação-sul sul, e da solidariedade internacional. 

Ainda no marco dessa cooperação, com efetiva participação da OPAS/OMS no Brasil no Haiti, estão sendo preparados 60 Agentes Comunitários de Saúde para comporem a linha de frente na articulação e implementação de medidas preventivas à expansão da epidemia, na perspectiva da atenção primária à saúde.

Estes Agentes estão em processo de qualificação profissional, tendo recebido treinamento específico para atuarem na prevenção e controle da doença, focando diretamente as famílias. Eles estão atuando em Carrefour e, por meio de levantamento por amostragem, estão possibilitando o diagnóstico da situação sanitária nos acampamentos e no interior das barracas. Com isso, medidas mais eficazes de prevenção poderão ser rapidamente implementadas.

A preparação dos Agentes Comunitários de Saúde está sendo realizada por docentes das Escolas Técnicas do SUS da Bahia e do Paraná, em articulação com docentes de Porto Príncipe.

Última atualização em Seg, 22 de Novembro de 2010 06:12

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