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Brasil participa em parceria inovadora que aporta evidência técnica e científica para implementar a atual política terapêutica para malária por Plasmodium falciparum

nullPesquisadores do Brasil, trabalhando com a iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, na sigla em inglês), do Laboratório Farmacêutico Farmanguinhos/FIOCRUZ, no marco de uma parceria internacional de alto nível, tem desenvolvido uma combinação dose fixa (CDF) dos medicamentos antimaláricos Artesunato e Mefloquina (ASMQ), colaborando com a Coordenação Geral do Programa de Controle da Malária e o Projeto AMI/RAVREDA (OPAS/OMS e USAID). Esta apresentação simplifica o tratamento com uso de uma dose diária, de 1 ou 2 tabletes durante 3 dias.

Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS), recomenda integrar as ferramentas do diagnóstico parasitológico, a terapia combinada com derivados da artemisinina (TCAs), mosquiteiros com insecticidas de longa duração e a borrifação, para combater a malaria. Os casos confirmados de malaria por Plasmodium falciparum devem receber TCAs.  Também, estes medicamentos devem ser idealmente, formulados em combinações de dose fixas, as quais são melhor aceitas; promovem a adesão ao tratamento e também contribuem para evitar o desenvolvimento da resistência favorecido pelas monoterapias. Neste sentido, as CDF são formulações de maior eficácia que os co-blisters (blisters com medicamentos combinados) e a co-administração de medicamentos separados. As CDF facilitam o trabalho nas áreas rurais e melhoram a distribuição e controle dos estoques de medicamentos.

Farmanguinhos/FIOCRUZ  e DNDi tem feito a coordenação  científica e a gestão do projeto, com apoio financeiro do Programa INCO-DEV (European Research Cooperation for Development Programme) da União Européia, a França, os Países Baixos, Espanha, Reino Unido e Médicos sem Fronteiras.  Tem participado o Instituto Tropical de Oxford do Reino Unido, o Conselho de Pesquisa Medica da Índia (ICMR), a Universidade de Mahidol da Tailândia, a Universidade Sains de Malásia e o Programa de Pesquisa em Doenças Tropicais (TDR/OMS, Genebra). Em consequência, as áreas de estudo têm locação no Brasil, (coordenam o Programa da Malária-Minsitério da Saúde e o Projeto AMI/RAVREDA-OPAS/OMS), o Centro Nacional de Pesquisa e Formação em Malária (CNRFP) de Burkina Faso (África), Índia, Tailândia e Malásia.  

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Sobre esta parceria inovadora para um novo tratamento antimalárico dissertou o Dr. André Daher, membro da equipe de trabalho da FIOCRUZ (Rio de Janeiro), durante a Reunião para Avaliação do Programa de Controle de Malária no Estado de Acre, realizado em Rio Branco, Acre, de 2 ao 4 de maio de 2011.

Farmanguinhos e DNDi tem trabalhado no desenvolvimento da apresentação (ano 2002) e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ANVISA (ano 2008) desta CDF Artesunato-Mefloquina (ASMQ), uma das cinco combinações de TCAs para o tratamento da malária não complicada por P. falciparum, que recomenda a OMS. O processo é desenvolvido para incorporar componentes de máxima qualidade (AS, MQ, excipientes), para que a tablete fique do menor tamanho possível (mínima quantidade de excipiente), bom aspecto, o qual depende do seu revestimento. Também, para que a apresentação pediátrica seja adequada (se desintegre rapidamente em água), tenha estabilidade (tomando em conta condiciones tropicais de temperatura e umidade) e que, finalmente, suas propriedades bio-farmacêuticas sejam adequadas.

A experiência piloto de implementação da CDF ASMQ no Brasil teve como objetivo avaliar seu uso programático na redução da incidência de malaria por P. falciparum, comparada com o tratamento padrão (Quinina mais Doxiciclina) desse momento. A área de estudo abarcou três municípios (Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul) do Vale de Juruá, no Estado do Acre, onde registra se 86% dos casos de malária do estado e vivem 103.809 habitantes. O estudo de intervenção controlado foi desenvolvido entre junho de 2006 e julho de 2008. Trataram-se 23.760 casos de malária. Os resultados foram: 1) a incidência malárica por P. falciparum retornou a níveis pre-epidémicos, ao final do estudo, no ano 2008, 2) a fórmula parasitaria P.vivax / P. falciparum retornou a valores pré-epidêmicos já em 2007. Os pesquisadores brasileiros assinalam uma clara correlação entre a queda desta relação e o inicio da intervenção. Durante o seguimento se verificou caída no índice de positividade e na gametocitemia, 3) as taxas de hospitalização mostraram redução significativa depois da intervenção (p <0,05 em 2007; y p <0,001 em 2008). Observaram uma diferença significativa no padrão estacional das taxas de incidência depois da intervenção com ASMQ, eliminando o pico estacional ao final do ano. Não houve achados significativos de efeitos adversos, vigiados pelo sistema de notificação passiva.
 
nullNeste período, outras intervenções e mudanças na gestão do Programa Estadual de Malária puderam contribuir à redução da incidência de P. falciparum no Vale de Juruá. O fortalecimento do Programa de Malária em forma integral incluiu estratégias educativas, de racionalização e treinamento de recursos humanos locais, infra-estrutura, busca ativa, melhoramentos do sistema de informação, detecção e notificação de casos, e, adicionalmente, das atividades de controle de vetores. Testes de eficácia desenvolvidos pelo Programa Nacional de Controle da Malaria no ano 2005 identificaram diminuição na eficácia do esquema em uso, baseado na combinação Quinina-Doxiciclina. Em 2008, os resultados do estudo, depois do registro do pela ANVISA, foram a base para justificar o uso de ASMQ em todo o Estado do Acre, nos estados da Região não Amazônica e alguns da Amazônia Legal.

Atualmente se seguem realizando ao nível mundial outros estudos que avaliam o uso da CDF ASMQ, particularmente para benefício dos grupos mais vulneráveis. Como resultado da experiência desenvolvida no Acre e com apoio nas investigações similares, o Dr. Daher concluiu que o tratamento com ASMQ é eficaz, seguro, bem tolerado, oferece um esquema simples, com um perfil de farmacocinética favorável, que não requer acompanhamento com alimentos gordurosos e tem uma estabilidade de três anos. Lembra á audiência que não é um esquema recomendado na malária grave e que seu uso no primeiro trimestre do embaraço merece estudos adicionais. 
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 Acesse aqui o Guia prático de tratamento da malária no Brasil.

 

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