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Especialistas debatem os impactos das desigualdades sociais na saúde dos brasileiros

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Mesmo tendo reduzido drasticamente a mortalidade por doenças transmissíveis, o Brasil ainda enfrenta problemas de saúde pública associados à pobreza e à falta de condições de vida, como saneamento, água tratada e exposição a riscos ambientais. Ao mesmo tempo, tem crescido entre os brasileiros de menor renda a ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis associadas a fatores de risco como o tabagismo e a obesidade. Para discutir as desigualdades sociais em saúde no Brasil, uma mesa-redonda reuniu especialistas em 02 de novembro de 2011, na Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi).

Sob a coordenação do secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, o debate foi aberto com apresentação de Sergei Soares, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que mostrou a redução das desigualdades no país verificada na última década, levando-se em conta o coeficiente de Gini, um parâmetro internacional usado para medir a desigualdade de renda. Segundo ele, a melhoria deste indicador no Brasil se deve a programas de transferência de renda como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada, e a mudança no mercado de trabalho, como o aumento do salário mínimo, hoje pago a 12% dos trabalhadores. Ele mostrou o processo de redução de desigualdades em países desenvolvidos, como o Reino Unido e Estados Unidos e comparou o índice brasileiro a países grandes, federativos e multiétnicos como o Brasil. “Se continuarmos neste ritmo, com uma queda média de 0,7 pontos ao ano, em quatro anos alcançaremos o México, em 10 anos, os Estados Unidos, e, em 22 anos, teremos o mesmo grau de igualdade social do Canadá”, calculou.

Em seguida, o pesquisador Maurício Lima Barreto, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), falou sobre a dupla carga de doenças transmissíveis entre os pobres, mostrando que, apesar da diminuição da mortalidade por doenças transmissíveis no Brasil, algumas enfermidades ainda representam um desafio para a saúde pública e a maioria delas acomete mais a população de menor renda, como a hanseníase, a tuberculose, a doença de chagas e as helmintíases. “Uma pesquisa recente demonstrou que, a implantação de um projeto de saneamento em Salvador foi responsável por uma redução de 22% no número de casos de diarréias, sendo que este percentual, nos bairros mais pobres, foi quase o dobro, de 40%”, exemplificou. Para ele, o país avançou no controle, na eliminação ou erradicação de doenças infecciosas graças a ações de vigilância, de imunização e de aumento de cobertura da atenção primária em saúde, mas ainda é necessário avançar no controle de vetores, como do mosquito da dengue, que é “uma doença cujas relações com indicadores como condição econômica não estão bem entendidas, algo que nos desafia como sanitaristas”.

A médica epidemiologista e professora Maria Inês Schmidt, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por sua vez, tratou deste tema voltado para as doenças não-transmissíveis e seus fatores de risco. De início, ela mostrou o engano que é pensar que doenças crônicas como câncer e cardiopatias são características de países do primeiro mundo. Levantamento recente aponta que mais de 70% dos óbitos por doenças crônicas não-transmissíveis (DCNTs) ocorrem em países de média ou baixa renda. No Brasil, as DCNTs representam 72% dos óbitos, seguidas das causas externas, como violências e acidentes, com 13%, doenças infecciosas (10%) e materno-infantis (5%). Fazendo um balanço dos resultados das ações visando a redução de práticas que representam fatores de risco para o desenvolvimento destas doenças, a professora considerou um sucesso a queda no índice de tabagismo, a partir de 1993, mas lamentou o que ela chama de “epidemia crescente de obesidade”, fenômeno registrado  também em outros países. “Nos Estados Unidos, onde a obesidade é verificada em 30% da população em quase todas as regiões, já foi constatada forte associação de pobreza com fatores de risco como obesidade e  sedentarismo e com doenças como o diabetes. Para ela, no Brasil a fórmula para redução da morbimortalidade por DCNTs passa por ações de promoção da saúde e pela organização do cuidado, tendo por base a atenção primária.

Finalizando o ciclo de apresentações da mesa-redonda, Marcos Espinal Fontes, da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), relacionou as doenças cuja eliminação representam um desafio para a saúde pública nas Américas. “Elas afetam mais os pobres, os marginalizados e muitas delas são incapacitantes”, afirmou, acrescentando que uma resolução da Opas prevê o compromisso dos países da região de eliminá-las até 2015. Os critérios para a seleção destas doenças são a factibilidade técnica da eliminação, o custo-efetividade das ações e a relevância política, entre outras. Como a maior parte destas doenças está presente nos mesmos territórios, a Opas defende a integração e o caráter interssetorial de ações, com melhorias de infra-estrutura (tratamento de água e saneamento), redução de desigualdades sociais e da pobreza, especialmente em populações de áreas endêmicas.

* Com informações e fotos da Assessoria de Imprensa do Ministério da Saúde.

Última atualização em Sex, 04 de Novembro de 2011 08:15

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