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Países de renda média, como o Brasil, respondem por 80% das mortes no trânsito no mundo.

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Esta é uma das várias informações trazidas pelo Relatório da Situação Mundial da Segurança no Trânsito 2013, divulgado pela Organização Mundial de Saúde em 14 de março de 2013. O documento, utilizado para monitorar de progresso da Década de Ação pela Segurança no Trânsito, proclamada pelas Nações Unidas, traz uma ampla avaliação da situação da de 182 países – incluindo o Brasil – e analisa como e em que medida as nações vem implementando medidas necessárias a melhorar a segurança viária (clique na imagem no relatório para baixar a íntegra do informe, a metodologia da pesquisa, os dados e os perfis dos países, entre outras informações. Veja também o vídeo com o pronunciamento da Dra. Margaret Chan, Diretora Geral da OMS, sobe o tema).


No dia O Dia Mundial de Saúde de 2004, a OMS lançou Relatório Mundial Sobre Prevenção de Lesões Causadas no Trânsito, com o objetivo de chamar atenção para a magnitude e a previsibilidade do problema e apresentar as estratégias. Desde então a OMS vem apoiando o movimento mundial que levou à 1ª Conferência Ministerial Mundial sobre Segurança no Trânsito, realizada em Moscou, em novembro de 2009.

O evento na Federação Russa proporcionou, entre seus encaminhamentos, a Carta de Moscou, convidando Assembleia Geral da ONU a declarar a Década de Ação para a Segurança no Trânsito 2011-2020, além do anúncio do Projeto Road Safety in Ten Countries RS-10, desenvolvido no o Brasil como “Projeto Vida no Trânsito”. Com a proclamação da “Década”, em maio 2011, uma das atribuições dadas pela ONU à OMS foi a de acompanhar o progresso dos países no tema. O Relatório da Situação Mundial da Segurança no Trânsito 2013 – que vem na esteira do primeiro informe, lançado em 2009 – foi desenvolvido como instrumento de monitoramento do decênio proclamado.

O informe, baseado em dados informados por grupos nacionais multisetoriais, descreve a situação nos países usando uma metodologia uniformizada, e avalia o progresso nos países desde a publicação do Relatório de 2009. O documento buscou ainda identificar lacunas em aspectos como estatísticas, legislação, políticas, gestão, entre outros. Serve também como linha de base para os próximos relatórios. 

Principais resultados 

Os 182 países pesquisados cobriram a quase totalidade da população mundial. Nas Américas, 32 dos 36 países membros da OPAS participaram (98,5% da população da Região). O que resulta de uma análise geral do informe atual é que, entre 2007-2010, as mortes no trânsito diminuíram em cerca da metade dos países, mas aumentou na outra metade – principalmente nos países de baixa e média renda.

Ao final do período, o total de mortes não aumentou – o que pode ser relativamente positivo, tendo em vista o acréscimo de 15% no número global de veículos. Mas o fato é que a cifra de 1,24 milhão de óbitos no trânsito mantém-se inaceitavelmente alta para uma causa de mortes cuja prevenção há medidas sabidamente eficazes, podendo aliviar o sofrimento de milhões de pessoas, afora a carga econômica aos governos em todo o mundo.

                                      

Outros pontos do relatório valem destaque:

  • Para cada pessoa que morre no trânsito, 20 ficam feridas. E destas 20, uma se tornará permanentemente incapacitada.
  • Os países de Renda Média (PNB entre US$1.006-12.275, por critérios do Banco Mundial) com crescentes índices de motorização, são os mais atingidos. Com efeito, 80% das mortes no trânsito ocorrem nestes países, onde estão apenas 52% dos veículos registrados no planeta.
  • O risco de morrer como resultado de uma lesão no trânsito na África (região da OMS com as maiores taxas de mortos por 100 m il habitantes), é cerca de duas vezes maior que na Europa.
  • 35 Países aprovaram novas leis, mas apenas 28 países (7% da população mundial) têm leis adequadas para os cinco principais fatores de risco no trânsito (excesso de velocidade; beber e dirigir; não usar capacetes ao utilizar motos; cinto de segurança e mecanismos de retenção para crianças).
  • Apenas 59 países apresentam o limite máximo de 50 Km/h para vias urbanas e a possibilidade de as autoridades locais (Estado/Município) reduzi-lo, e apenas 89 países apresentam alcoolemia menor ou igual 0.05 g/dl.
  • 90 países apresentam leis que obrigam todos os ocupantes de motos/ciclomotores a utilizarem capacetes que seguem padrões de segurança aferidos, em todas as vias de tráfego.
  • 111 países têm leis que obrigam o uso de cinto de segurança para todos os ocupantes dos veículos. Metade dos países determina mecanismos de retenção para crianças, mas a fiscalização é fraca.
  • Poucos países avaliaram a fiscalização dos fatores de risco como “boas” (notas 8 ou +, em uma escala de 0-10).
  • 27% de todos os óbitos de trânsito ocorrem entre pedestres e ciclistas. Em países de baixa e média renda, esta proporção chega a um terço de todas as mortes, mas em alguns destes, supera 75%. Não obstante, apenas 79 países têm políticas vigentes que protegem pedestres e ciclistas.
  • Apenas 111 países têm número de emergência nacional universal e somente 59 países têm um serviço de emergência capaz de atender mais de 75% dos feridos. No tópico “pós-acidente”, menos de 2/3 dos médicos, e menos de 50% e enfermeiros são treinados em cuidados de emergência em países de média e baixa renda.

Brasil

No Brasil, os dados informados foram consensuados por um grupo liderado pelo Ministério da Saúde, envolvendo especialistas de diferentes setores (saúde, transporte, trânsito) reunidos na sede da OPAS/OMS no Brasil em 2010. Para o Brasil, o relatório apresenta taxas próximas a 20 mortes no trânsito para cada grupo de 100 mil habitantes.  Mostram ainda que usuários de motos e ciclomotores representaram a maior proporção dos óbitos por acidentes por transporte terrestres, tendo ultrapassado a de pedestres e de ocupantes de automóveis. Aponta-se também para o País os rigores da legislação em relação aos níveis de alcoolemia para condutores, mas identificam-se oportunidades de aprimoramento em aspectos relacionados ao pós-acidente (p.ex.: há mais de um número para chamadas emergência, e não um único, universal) e na fiscalização dos principais fatores de risco.

O Relatório da Situação Mundial da Segurança no Trânsito 2013, por fim, mostra que nenhum país pode se declarar como tendo alcançado plenamente a segurança no trânsito. Mesmo entre os países de alta renda, onde as taxas de mortalidade nas vias são relativamente baixas, o trânsito continua a ser uma das principais causas de morte, especialmente entre os jovens, e há muito ainda a ser feito.


Última atualização em Seg, 18 de Março de 2013 14:57

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