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Vigilância em DCNT e fatores de risco

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A partir das ultimas quatro décadas do século passado, seguindo tendência mundial, observa-se no Brasil processos de transição que tem produzido importantes mudanças no perfil das doenças ocorrentes em sua população.

1. Transição epidemiológica e doenças crônicas não transmissíveis

A “transição demográfica” resultou em significativa diminuição das taxas de fecundidade (Gráfico 1), natalidade e aumento progressivo na expectativa de vida e aumento progressivo da proporção de idosos em relação aos demais grupos etários (Gráfico 2).

GRAFICO 

Gráfico 1: Transição Demográfica: Queda da Taxa de Fecundidade
Brasil 1940 a 2005

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Gráfico 2: Pirâmides populacionais do Brasil 1980 – 2025

A “transição epidemiológica” resultou em mudança no perfil de morbi-mortalidade, ainda que acompanhada de importante diversidade regional decorrentes das diferenças socioeconômicas e de acesso aos serviços de saúde, resultando em um “modelo polarizado de transição” (Araújo, 1992). O Brasil, como outros países em desenvolvimento, tem um modelo de transição onde aparece o crescimento da morbidade e mortalidade por DCNT, mantendo-se, entretanto, a ocorrência de algumas doenças infecciosas (Gráfico 3). Assim, as DCNT passaram a determinar no país a maioria das causas de óbito e incapacidade prematura, ultrapassando as taxas de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias, e a representar uma grande parcela das despesas com assistência hospitalar no SUS e no Setor Suplementar.

GRAFICO 

Gráfico 3: Transição epidemiológica no Brasil


2. Transição Nutricional

A transição epidemiológica não é um fenômeno isolado, pois decorre de outros fatores como a urbanização, o acesso a serviços e equipamentos de saúde e mudanças culturais expressivas ocorridas nas últimas décadas, como a “transição nutricional” que se observa pelo aumento progressivo do sobrepeso (gráfico 4) e obesidade, decorre das mudanças do padrão alimentar e sedentarismo (Carvalho, 2007). Pode-se observar no gráfico 5 a prevalência de fatores de risco e proteção pesquisados em inquérito telefônico nas capitais brasileiras nos anos de 2006 e 2007.  Verifica-se, também, que a inatividade física ocorre em mais de 25% da população acima de 18 anos no Brasil. Com isto, temos como consequência o aumento de hipertensão e diabetes tipo 2 na população adulta do país.

GRAFICO 

Gráfico 4: Transição nutricional no Brasil : tendência de sobrepeso

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Gráfico 5 : Fatores de risco e proteção e Doenças Crônicas não Transmissíveis, Brasil. VIGITEL, 2006-2007.


3. Dados de Mortalidade

A mortalidade no Brasil, segundo dados do Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde em 2006, pode ser visualizada no Gráfico 6. Estão representados os grupos de causas mais prevalentes do CID10, excluídas as causas mal definidas, cujo percentual em 2006 foi de XX% do total de óbitos registrados (1.006.827).

GRAFICO

Gráfico 6: Mortalidade Proporcional no Brasil, Segundo Grupo de Causas (CID10) – MS, 2005


4. Dados de Morbidade Hospitalar

Os dados de morbidade hospitalar no Brasil são compilados no Sistema de Informação Hospitalar (SIH). Este sistema nacional, como o nome sugere, armazena informação de todas as internações hospitalares que acontecem no SUS, e as classificam de acordo ao CID 10. Pode-se observar na Tabela 1 que as DCNT aparecem como causa de internação, principalmente, nas faixas etárias a partir de 50 anos (neoplasias, doenças do aparelho circulatório, doenças do aparelho respiratório e doenças endócrinas nutricionais e metabólicas). 

Entretanto, é interessante observar que as doenças do aparelho respiratório são prevalentes também nas faixas de “menor de 1” a “10 a 14 anos”, quando se associam asma e pneumonia, que corresponderam juntas a aproximadamente 70% das internações correspondentes ao capítulo X.  Outra ponto que chama a atenção, é a ocorrência de neoplasias pediátricas que começam a se tornar mais prevalentes na faixa etária de “5 a 9 anos” (3,7%) e aumentam um pouco mais na faixa etária de “10 a 14 anos” (4,9%). Segundo o Inca/ MS, os tumores pediátricos mais freqüentes são a leucemia, linfomas e tumores do sistema nervoso central.

No caso das doenças do aparelho circulatório, é interessante observar que começam a aumentar sua prevalência nas internações da faixa etária de “20 a 49 anos” (6,9%), tornando-se a principal causa de internação hospitalar a partir dos 50 anos. 

Dados referentes aos valores totais com internações hospitalares no ano de 2006, indicam que de um total de aproximadamente 7 bilhões gastos com internações no SUS naquele ano,  aproximadamente 40% foram gastos com doenças crônicas, principalmente com doenças do aparelho circulatório ( ~1, 35 bilhões, ou seja, 19% do total) (SIH/SUS, MS).

TABELA

Tabela 1: Morbidade Proporcional no Brasil, segundo Grupo de Causas (CID10) – MS, 2006


5. Algumas Análises de Determinantes Sociais em Saúde

Os determinantes sociais são importantes para verificar se os princípios norteadores do SUS estão sendo alcançados em sua plenitude: Universalidade, Integralidade, Equidade, e Controle Social. Conhecer a população que tem acesso aos serviços de saúde permite corrigir as distorções que o sistema pode estar impondo aos extratos mais carentes dessa população.

• Local de residência: A migração intensa que aconteceu entre as décadas de 60 e 70 no país foi reduzida, entretanto, as pessoas têm continuado a migrar para as cidades, assim como muitas áreas anteriormente consideradas como rurais estão sendo urbanizadas. A urbanização está relacionada positivamente ao aumento da prevalência das DCNT, pela maior exposição aos fatores de risco, especialmente sedentarismo e dieta pouco saudável, além da maior exposição à violência.

GRAFICO 

Gráfico 7: Proporção da população urbana e rural no Brasil – 1980 a 2000 (IBGE)

• Escolaridade: Segundo o IDB 2007, a taxa de analfabetismo do país vem diminuindo, sendo em 2006 de 10, 4% da população considerada analfabeta. A maior taxa de pessoas com mais de 8 anos de estudo se encontra no DF (69.7%) e a menor em Alagoas (31.6%). Dados da publicação Saúde Brasil

TABELA

Tabela 2: Prevalência de diabetes segundo a escolaridade – Vigitel, MS

• Raça: Quanto à mortalidade, a variável raça tem diferenças significativas. A população negra apresentou maior risco de morte por causas externas. Na maior parte dos estados, a população negra apresentou maior risco de morte por doenças cerebrovasculares. No caso das neoplasias, a população branca apresentou maior risco nas regiões Sul e Sudeste.

• Sexo: Segundo dados do Ministério da Saúde (Saúde Brasil, 2008), encontram-se diferenças significativas de mortalidade, segundo faixa etária, sexo e as regiões do Brasil. Os homens morreram mais prematuramente que as mulheres. Em todas as regiões e para ambos os sexos, a principal causa de mortalidade são as doenças do aparelho circulatório. Entretanto, o risco de morte por causas externas difere segundo o sexo, sendo o primeiro grupo de causas para os homens na região Norte e o segundo nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Na região Sul, o segundo grupo de causas de morte para os homens foram às neoplasias. No caso das mulheres, as neoplasias foram a segunda causa de mortalidade em todas as regiões.  As mortes por doenças como neoplasias, e os transtornos mentais e comportamentais vem aumentando significativamente entre as mulheres.

Bibliografia Recomendada:

• BRASIL. Indicadores de Saúde 2007. Brasília: Ministério da Saúde e OPAS, 2008.
• BRASIL. As Causas Sociais das Iniqüidades em Saúde no Brasil: Relatório Final da Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS). Rio de Janeiro: Fiocruz e Ministério da Saúde, 2008.
• BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Saúde Brasil 2007: Uma análise da situação de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2008.

Última atualização em Sáb, 08 de Agosto de 2009 01:26

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