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Violência no trabalho em saúde: um tema para a cooperação internacional em RH em saúde

Imprimir E-mail
Active ImageO setor saúde situa-se entre aqueles que apresentam maior número de estudos sobre a violência no trabalho. Os dados mostram que em todo mundo o setor apresenta elevado potencial para a ocorrência de agressões a trabalhadores. Embora os profissionais da saúde estejam expostos a diversos riscos, em grande parte relacionados ao contato constante com o público, 69% dos casos de violência consistem em episódios envolvendo pacientes. Essas informações constam de trabalho apresentado pelo consultor do Programa de Recursos Humanos em Saúde da OPAS/OMS, Augusto Campos, no IX Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva da Abrasco, em Recife.

O trabalho é resultado do I Curso de Especialização em Saúde e Diplomacia da Saúde, realizado em 2008, em Brasília, numa parceria OPAS/OMS/Ministério da Saúde/Fiocruz dentro do Programa de Cooperação Internacional em Saúde (TC 41) da OPAS.

O Brasil vem desenvolvendo iniciativas de redes voltadas para o tema da violência. A extensão dessas iniciativas para o âmbito regional e internacional, incluindo temas relacionados aos recursos humanos em saúde, sob a figura dos riscos ocupacionais de violência no trabalho, deve configurar oportunidade para a pontencialização tanto dessas redes como das agendas de recursos humanos e saúde dos trabalhadores da saúde.

Diversos fatores

Não existe consenso sobre a definição de violência no trabalho. A OIT define violência no (local de) trabalho como qualquer ação, incidente ou comportamento baseado em uma conduta voluntária do agressor, em conseqüência da qual um profissional é agredido, ameaçado, ou sofre algum dano ou lesão durante a realização, ou como resultado direto, do seu trabalho.

Atualmente, diversas pesquisas vêm procurando conhecer o perfil epidemiológico da violência no trabalho. Contudo, as divergências de definição, a inexistência de fontes específicas de dados e a própria característica de invisibilidade do problema nas organizações vêm dificultando a complementaridade dos estudos.

A OMS defende que a violência seria resultado da interação complexa de diversos fatores – individuais, relacionais, culturais e ambientais Apesar da atenção que vem recebendo, o tema da violência no trabalho em saúde ainda se apresenta como um importante desafio. Unidades de saúde situadas em locais de grande insegurança e vulnerabilidade, como comunidades pobres, regiões de conflito ou de criminalidade elevada, também tendem a apresentar importante risco de violência para os trabalhadores.

A combinação desses fatores aumenta a carga de trabalho e de estresse sobre os profissionais, tornando mais difícil a manutenção da força de trabalho e o recrutamento de pessoal para estas áreas, além de reduzir a eficiência do serviço. A violência no trabalho mantem-se, contudo, como um tema complexo e de difícil abordagem.

Limitações no conhecimento, especificidades do problema nos diversos níveis territoriais, assim como de sua percepção cultural representam um complicador adicional. Justifica-se, assim, a estratégia do estabelecimento de redes entre trabalhadores, usuários gestores, comunidades e academia, dedicadas à questão da violência em geral, e no trabalho em particular. Essas redes são também um importante método de cooperação horizontal, possibilitando a troca de experiências, compartilhamento de estratégias e iniciativas, respeitando as especificidades e experiências locais.

Novembro, 02 de 2009

Última atualização em Seg, 18 de Janeiro de 2010 09:04
 

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