Ministro Padilha anuncia redução dos casos de dengue no Brasil, 2012

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No dia 13 de fevereiro de 2012, em uma coletiva de imprensa o Ministro Alexandre Padilha, acompanhado pelo secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa; Representante da OPAS/OMS no Brasil, Jacobo Finkelman; secretário executivo do CONASS, Jurandi Frutuoso; secretário executivo do CONASEMS, José Ênio; Coordenador Nacional do Programa da Dengue, Giovanini Coelho; anunciou os novos dados da dengue no Brasil até a 6ª semana epidemiológica (até 11 de fevereiro de 2012). Estiveram também presentes a coletiva o Gerente de PCDDS/OPAS, Enrique Gil; o Diretor do DEVIT/SVS, Cláudio Maierovitch; e o Consultor OPAS, Haroldo Bezerra.

O Ministro, Alexandre Padilha, destacou os bons resultados obtidos, mas deixou bem claro que apesar disso ainda existiam 356 municípios com risco claro de epidemia em 2012, em suas palavras - “Dados positivos são para aprendermos com o que deu certo e reforçarmos ainda mais as ações. Apesar de termos reduzido em 62% as notificações em todo o país, mais de 300 municípios estão em risco ou em alerta de surto.”. O Representante da OPAS/OMS no Brasil, Jacobo Finkelman; parabenizou o Governo Brasileiro pelos resultados, mas também destacou a imperativa necessidade da manutenção das ações de prevenção e controle de doença no país, e o incondicional apoio da OPAS/OMS ao Governo Brasileiro neste sentido. Por fim, o Representante fez um resumo da situação da dengue nas Américas, com destaque para a América do Sul.

A apresentação dos dados foi realizada pelo secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa; onde o mesmo destacou a redução obtida até o momento. “Temos vários fatores que contribuíram para este cenário: as medidas adotadas pelos gestores locais – como o trabalho dos agentes de endemias -, a participação da própria sociedade, que está mais consciente - e os aspectos climáticos, já que tivemos um janeiro chuvoso e mais frio”, explicou o secretário.

Segundo os dados, até 11 de fevereiro de 2012, foram notificados 40.486 casos no país. Deste total, 183 foram notificados como casos graves e 32 como óbitos. Comparando esses resultados com igual período de 2011, o que se nota é uma redução de 62% nos casos notificados (106.373 casos em 2011), 86% nos casos graves (1.345 casos em 2011) e 66% nos óbitos.

Foram também apresentados os dados de infestação pelo Aedes aegypti, resultado do levantamento rápido (LIRAa) realizado por 536 cidades. Este levantamento revelou que deste total, 356 municípios têm alta presença do mosquito, sendo 91 em situação de risco de surto e 265, em alerta. Outras 180 cidades apresentam baixo risco de infestação.

As regiões Sudeste e Nordeste lideram em número notificações, com 12.378 casos e 11.603, respectivamente, o que equivale a 59% dos casos notificados no país. Nas demais regiões foram notificados os seguintes números: Norte (9.001), Centro-Oeste (5.476) e Sul (2.028). Os dados por estados estão na tabela 1.

Tabela 1. Número de casos e incidência por estado, Brasil, 2011-2012* 


UF


Casos

Incidência (por 100 mil habitantes)

2011

2012

2011

2012

Norte

37.410

9.001

235,8

56,7

RO

933

320

59,7

20,5

AC

10.730

849

1462,7

115,7

AM

17.231

879

494,6

25,2

RR

215

174

47,7

38,6

PA

5.848

3.304

77,1

43,6

AP

962

25

143,7

3,7

TO

1.491

3.450

107,8

249,4

Nordeste

22.964

11.603

43,3

21,9

MA

1.818

450

27,7

6,8

PI

1.310

461

42,0

14,8

CE

8.762

2.322

103,7

27,5

RN

2.183

504

68,9

15,9

PB

1.423

155

37,8

4,1

PE

1.573

3.495

17,9

39,7

AL

999

722

32,0

23,1

SE

227

751

11,0

36,3

BA

4.669

2.743

33,3

19,6

Sudeste

30.335

12.378

37,7

15,4

MG

6.300

3.531

32,1

18,6

ES

4.465

1.982

127,0

56,4

RJ

11.618

4.275

72,7

26,7

SP

7.952

2.590

19,3

6,3

Sul

5.410

2.028

19,8

7,4

PR

5.331

1.938

51,0

18,6

SC

34

52

0,5

0,8

RS

45

38

0,4

0,4

Centro Oeste

10.254

5.476

72,9

39,0

MS

1.439

1.473

58,8

60,1

MT

1.591

1.121

52,4

36,9

GO

6.738

2.690

112,2

44,8

DF

486

192

18,9

7,5

Total

106.373

40.486

55,8

21,2

*Análise realizada entre 1º de janeiro e 11 de fevereiro

Em uma análise por unidade federada observa-se que 75% dos casos estão concentrados em 10 estados: Rio de Janeiro (4.275 casos e incidência de 26,7 por 100 mil habitantes); Minas Gerais (3.531 casos / incidência de 18); Pernambuco (3.495 / 39,7); Tocantins (3.450 /249,4); Pará (3.304/ 43,6); Bahia (2.743/19,6); Goiás (2.690/44,8); São Paulo (2.590/6,3); Ceará (2.322/27,5) e Espírito Santo (1.982/56,4).

Dez cidades com população acima de 100 mil habitantes concentram o maior número de casos: Rio de Janeiro (RJ), Palmas (TO), Goiânia (GO), Aparecida de Goiânia (GO), Fortaleza (CE), Juazeiro do Norte (CE), Recife (PE), Rio Branco (AC), Parauapebas (PA) e Belo Horizonte (MG), (ver tabela 2).

Tabela 2. Número de casos e incidência nas 10 cidades com população acima de 100mil habitantes que concentram mais casos, Brasil. 2012 .


UF

Município

Análise feita entre 1º de janeiro e 11 de fevereiro

2011

2012

Casos

Incidência (por 100 mil habitantes)

Casos

Incidência (por 100 mil habitantes)

Rio de Janeiro

Rio de janeiro

2.322

37,5

2.851

46,1

Tocantins

Palmas

312

165,4

1.403

743,7

Goiás

Goiânia

2.507

195,6

1.096

85,5

Pernambuco

Recife

65

4,2

890

57,0

Goiás

Aparecida de Goiânia

978

191,5

747

146,2

Ceará

Fortaleza

1.753

70,0

725

28,9

Ceará

Juazeiro do Norte

10

4,0

705

282,2

Acre

Rio Branco

8.840

2889,4

686

224,2

Pará

Parauapebas

235

153,8

657

430,0

Minas Gerais

Belo Horizonte

220

9,0

560

22,8

Em relação à circulação viral, até o momento, foi detectada a circulação dos quatro sorotipos do vírus dengue: DENV 1,2,3 e 4. (figura 1)

A Representação da OPAS/OMS no Brasil, em articulação com as instâncias de gestão do SUS, tem realizado ao longo desse período uma série de ações que visaram impactar na transmissão de dengue no país e evitar os óbitos por esta enfermidade, dentre as quais podemos destacar:

·         Manutenção de um consultor nacional para dengue, por meio do 62º termo de cooperação OPAS/OMS e Ministério da Saúde – “Prevenção e controle da dengue no contexto da gestão integrada”;

·         Apoio à aquisição de insumos (inseticidas e kits diagnósticos), por meio do fundo rotatório da OPAS/OMS, para o Programa Nacional destinados as ações de prevenção e controle da dengue no biênio 2011/2012;

·         Criado e mantido um Grupo de trabalho interprogramático para dengue no âmbito da OPAS/OMS Brasil. O GTI dengue é composto por diversas áreas de trabalho da Representação. O objetivo do GTI é elevar, ainda mais, a qualidade da cooperação técnica existente com Ministério de Saúde do Brasil e fortalecer o SUS, através da aplicação de novas e mais eficazes medidas de prevenção, controle, diagnóstico e tratamento da dengue nos estados e municípios com maior risco de sofrer epidemias ou surtos da doença.

Acesse aqui a apresentação realizada pelo Secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa.

 

Fonte e fotos: Ministério da Saúde

 

Última atualização em Ter, 27 de Novembro de 2012 16:54