OPAS/OMS no Brasil na plenária final do 10º Congresso Internacional de Saúde Urbana em Belo Horizonte- MG, entre 1-4 de novembro de 2011

A OPAS/OMS no Brasil apresentou um estudo sobre o exponencial crescimento da mortalidade de motociclistas no trânsito nas Américas, no encerramento do Congresso Internacional na capital mineira.

 

Ao fim do 10º Congresso Internacional de Saúde Urbana em Belo Horizonte, na tarde de 4 de novembro,  a OPAS/OMS no Brasil, participando da mesa Remodeling the Urban Space, presidida pelo reitor da Universidade da California David Vlahov, apresentou o estudo Mortality risk among motorcyclists in the Americas: a challenge in urban settings, desenvolvido por Rodrigues EMS, Villaveces A, Escamilla JA1 e Arca A, e Sanhueza A, da OPAS/WCD e da University of North Carolina at Chapel Hill.

Na apresentação de Victor Pavarino (consultor nacional para segurança viária, OPAS/BRA), representado a consultora regional para segurança viária Eugenia Rodrigues (OPAS/WDC), um primeiro momento foi dedicado a contextualizar a situação brasileira relativamente ao tema demonstrando o quanto a situação local espelha, em muitos aspectos a situação da Américas. 

Do Brasil ressaltou-se o crescimento vertiginoso das mortes de usuários de motocicletas e ciclomotores na última década, e a preocupação do Ministério da Saúde com o tema. Lembrou-se ainda a relação do quadro atual com aspectos tais como a vulnerabilidade intrínseca desta modalidade de transporte, problemas nas politicas de transporte público, o déficit de mobilidade urbana vigente, maior acesso de segmentos sociais a bens de consumo fazendo a produção e a venda destes veículos dispararem. Embora o tema alcance visibilidade em grandes cidades, uma atenção especial foi dedicada ao que vem ocorrendo em cidades de pequeno e médio porte, particularmente nas regiões Centro-Oeste, Norte de Nordeste do país onde, onde há cidades em que a frota de motos superam em sete vezes a de automóveis.

  

 Relativamente às Américas estarrecedor revela um aumento de 136% nas mortes de motociclistas na Região, entre 2000 e 2007, em um ritmo mais alto do que usuários de qualquer outra modalidade, com diferenças significativas nas tendências de mortalidade por sexo – enquanto a proporção de indivíduos do sexo masculino tende a ser, em média de 4:1 nos eventos como atropelamentos e choques  de automóveis, a proporção de óbitos de indivíduos do sexo masculino relativamente ao sexo oposto em países como a Colômbia chega a 7:1.  Os dados para países do Cone Sul (onde foram incluídos Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai) mostram-se dos mais preocupantes, tanto no que concernem as taxas, quanto no percentual de informações imprecisas. 

Conclui-se lembrando ser essencial para melhor entender as causas e os determinantes sociais desta situação a compreensão da influência da falta de políticas adequadas de transporte público, a infraestrutura para usuários mais vulneráveis ​​das vias, limites de velocidade, a falta de conhecimento sobre os riscos da motocicleta.  Finalmente, lembrou-se serem necessárias medidas urgentes de autoridades dos sectores de transporte e saúde para reverter estas tendências.  

A apresentação o da OPAS foi seguida de uma outra que ressalta o comprometimento da Organização com o tema: O Dr. Otaliba Libânio, do DASIS/SVS do Ministério da  apresentou ao congresso o Projeto “Vida no Trânsito”, coordenada no Brasil pela OPAS e pela Ministério da Saúde.