As ONU estabeleceu a década internacional dos afrodescendentes, de 2015 até 2024, com o objetivo de assegurar uma maior consciência de combate ao racismo. O tema escolhido foi justiça e afrodescendentes, para fazer avançar no mundo o combate ao racismo. O compromisso das Nações Unidas com a promoção da igualdade racial se estrutura, no âmbito global, pela Declaração de Durban de 2001 e seu correlato Plano de Ação, os quais expressam o compromisso assumido pelos Estados membros das Nações Unidas de combater o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e formas correlatas de intolerância.

O diálogo entre Nações Unidas e os governos sobre a Igualdade Racial é muito importante para o sistema das Nações Unidas, pois trabalhará com esse tema de caráter universal e incorporará o mesmo no marco de suas políticas.

Dando início a preparação para a década dos Afrodescendentes, realizou-se no auditório Carlyle Guerra de Macedo, na Representação da OPAS/OMS em Brasília, a palestra intitulada Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e a Promoção da Igualdade Racial com a Ministra Luiza Bairros. A Ministra apresentou questões do racismo de uma maneira aprofundada e articulada, proporcionando momento de especial reflexão sobre a trajetória do combate ao racismo. A Ministra enfatizou que a discriminação está em oposição com a democracia, à justiça social e com o desenvolvimento, sendo necessário trabalhar estes três pontos de forma integrada.

No Brasil, há 11 anos foi criada a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial A Ministra relata que a consciência racial no Brasil se ampliou, pois um maior número de pessoas declara-se preta ou parda. Diante disso, constata-se que ouve uma elevação do perfil com a transversalidade voltada a igualdade racial de muitos programas do programa plurianual do governo brasileiro.  Foram implementados programas importante como comunidades quilombolas, juventude negra, e cotas de educação e trabalho. Mas infelizmente averígua-se que estes programas ainda são insuficientes para acusar uma queda significativa na questão da desigualdade.

A Ministra relata que hoje se observa no país casos de manifestações explicitas de racismo de um modo em que a sociedade brasileira ainda não estava acostumada. Isso de certa forma desorganizou as leituras que os indivíduos ou os diversos grupos são capazes de fazer a respeito da sociedade brasileira. Toda aquela narrativa que apontava para a harmonia racial, para a igualdade de oportunidades, na verdade não existe e não consegue dar conta da realidade atual agora. O racismo no país provoca efeitos concretos na vida das pessoas, seja efeitos vantajosos ou desvantajosos a questão é que ele opera de uma forma muito efetiva.

Falando especificamente da questão do desenvolvimento, Luiza Bairros comenta que na verdade a população negra no Brasil sempre foi encarada como um obstáculo ao desenvolvimento. Por vários momentos da história do Brasil isso foi documentado, e em várias decisões tomadas pelo Estado brasileiro observa-se a pessoa negra como um obstáculo ao desenvolvimento.

Segundo a Ministra, esse é o momento de inclusão no país, portanto é preciso criar oportunidades. E esses processos vividos pela população brasileira, na verdade, também são vividos pela população negra porque esta é a maioria e por isso que é tão importante agora ser utilizado ações afirmativas. É necessário olhar a população negra como um ativo, como um recurso para o desenvolvimento do país. Não se pode deixar de fora mais de 50% da população do país. É preciso respeitar os direitos dos negros, porque na medida  em que isso acontece gera condições não apenas de operar no nível da inclusão, mas também gerar melhores condições para debater a questão do racismo.

Outro aspecto importante resultante do desdobramento futuro dos processos de inclusão é a incorporação da promoção da igualdade racial como princípio das políticas universais. Entendendo a igualdade racial como princípio da política publica e uma dimensão essencial da democracia.

Diz Luiza Bairros: “Acho que a cooperação internacional ela pode e deve ter um papel para cumprir. Acho também que esse papel ele tem que ir agora além daquilo que são os projetos de cooperação específicos voltados para essa questão da igualdade racial para representar também uma possiblidade do trabalho da cooperação internacional em todas as outras políticas com as quais o sistema e outras organizações internacionais trabalham com o governo brasileiro e que na medida que a gente tenha esse olhar para a política pública  eu acho que a gente estará contribuindo na aceleração desse processo de inclusão social de uma maneira geral e dos negros de uma maneira particular.”