23 de Fevereiro de 2015 - Neste carnaval, a ONU Mulheres ergueu a bandeira do combate à violência contra as mulheres. Peças publicitárias da campanha “Nesta carnaval, perca a vergonha, mas não perca o respeito” tomaram aeroportos, espaços públicos, ruas e avenidas de 17 capitais do Brasil, além de terem transmitido a mensagem pela televisão e redes sociais. A mobilização foi realizada sob o escopo da campanha global da ONU Mulheres chamada Pequim+20:“Empoderar Mulheres. Empoderar a Humanidade. Imagine!”, que celebra os 20 anos da Plataforma de Ação de Pequim.

O conceito criativo da Campanha “Neste Carnaval, perca a vergonha, mas não perca o respeito”, foi criado pela agência de publicidade Propeg. A promoção da campanha foi liderada pela ONU Mulheres e realizada em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e a Organização Pan-Americana de Saúde e Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS). A campanha contou ainda com o apoio institucional das Secretarias de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR) e do Município do Rio de Janeiro (SPM-Rio).

No Rio de Janeiro, a Estação Primeira de Mangueira, parceira da agência, levou para a Sapucaí um samba-enredo em homenagem às mulheres. “A Mangueira, uma das escolas mais tradicionais do carnaval brasileiro, decidiu que este ano seria o ano da ‘mulher brasileira em primeiro lugar’. Essa é uma mensagem de transformação em nome de uma sociedade menos machista e mais igualitária”, disse a representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman.

Carnavalesco da escola, Cid Carvalho destacou que a Mangueira, que coleciona 18 títulos do carnaval carioca, recebeu o apoio da ONU Mulheres para levar ao público uma mensagem de luta pela igualdade de gênero.

“Durante o último ano, trabalhamos com o tema para abordar a mulher brasileira, aquela que, mesmo sofrendo com o preconceito e com dificuldades, não se curva diante de um obstáculo”, contou Cid.

Renan Brandão, um dos compositores do samba-enredo “Agora Chegou a Vez Vou Cantar: Mulher de Mangueira, Mulher Brasileira em Primeiro Lugar”, lembrou que mulher e poesia sempre foram inspiração para a escola de samba da qual ele faz parte.

“A mulher sempre esteve em nosso imaginário. Neste ano, o enredo da Mangueira é muito abrangente ao falar do universo feminino. Temos um setor do desfile que ressalta a beleza interior e isso é muito raro no carnaval porque não pensamos na beleza interior que cada mulher leva dentro de si”, lembrou Renan.

As ações da ONU Mulheres também marcaram presença em dois grandes blocos de carnaval do Rio de Janeiro, o Carmelitas e o Mulheres Rodadas. De forma criativa, foram distribuídas as populares “ventarolas”, ilustradas com um fluxograma que orientava a denunciarem experiências de agressão, intimidação ou violência pelo 180, o disque denúncia da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR).

“Você pode curtir, mas não pode perder o respeito. Estamos usando a festa brasileira do carnaval para levar mensagens que empoderem as pessoas, especialmente as mulheres, sobre coisas que devem ser feitas para manter a festa em paz”, ressaltou Nadine.

Foliã do tradicional Bloco das Carmelitas, a jovem Carolina Letersa deu apoio à campanha destacando que a sociedade precisa parar de culpar a vítima por qualquer abuso sofrido. “Vemos muitas pessoas culpando as vítimas porque a mulher bebeu além da conta, porque estava com uma roupa pequena… Temos que ensinar a não estuprar, e não como não ser agarrada”, disse Carolina. Durante a ação no bloco, homens e mulheres foram abordados sobre a importância do respeito durante a folia.

No bloco “Mulheres Rodadas”, que saiu este ano pela primeira vez como uma forma de protesto contra o machismo, a ação foi endossada pelas líderes do projeto, Renata Rodrigues e Débora Thomé. Durante o bloco, homens, mulheres, crianças e idosos percorreram as ruas do Flamengo defendendo os direitos das mulheres, além de protestar contra todos os tipos de violência e preconceito.

“O que é consensual, o que está valendo para os dois, tudo bem. Mas a gente é contra a abordagem agressiva”, declarou Renata Rodrigues, sobre a parceria com a ONU Mulheres e a oportunidade de promover a campanha ‘Perca a vergonha, mas não perca o respeito’ como parte das ações do bloco.

#Carnaval2015: ONU Mulheres realiza campanha de combate à violência de gênero

Fonte: ONU Mulheres
Fotos: Gisele Netto