Brasília, 11 de novembro de 2015 – A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) distribuiu para todos os municípios brasileiros 10 mil exemplares de uma ferramenta em forma de disco elaborada para facilitar a investigação de casos suspeitos de sarampo, rubéola e síndrome de rubéola congênita. Foi entregue uma unidade para cada município e para os 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). Além disso, nas localidades onde foram notificados casos importados de sarampo de 2013 a 2015, foi entregue um para cada unidade de saúde.

O material é composto por um disco externo na cor branca, onde constam os dias e meses do ano. No círculo central do disco interno, a metade vermelha representa o lado referente a investigação do sarampo. No círculo central do disco interno, a metade rosa escuro representa o lado referente à investigação da rubéola. Todos os períodos apresentados na ferramenta estão diretamente relacionados a data do início do exantema (erupção cutânea vermelha, causada por infecção) para o sarampo ou rubéola. Na outra face do disco, estão as orientações para investigação da Síndrome da Rubéola Congênita

Para facilitar a aplicação do instrumento, foi elaborado um material orientador, que contou com a colaboração de parceiros da área de investigação epidemiológica e imunização. Este material – uma apresentação detalhada sobre cada item do disco e um estudo de caso – foi disponibilizado aos municípios e DSEIs, para orientar o uso da ferramenta na investigação de casos suspeitos de sarampo, rubéola e síndrome de rubéola congênita. O instrumento foi testado e validado em conjunto com equipes do Ministério da Saúde e Estados.

Além disso, no ano passado, a OPAS capacitou 50 profissionais em Pernambuco que atuam em áreas indígenas para resposta rápida a situações de surtos de sarampo e rubéola, em conjunto com o Ministério da Saúde e o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), onde este instrumento também foi testado.

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, que  ainda permanece como um problema de saúde pública, apesar da disponibilidade de uma vacina segura e eficaz. É uma doença que apresenta elevada morbimortalidade para as crianças desnutridas e imunodeprimidas (com baixa imunidade). Entre as complicações mais graves estão cegueira, infecções respiratórias, pneumonias, encefalites, otites médias, laringites, diarreias e desidratações, panencefaliteesclerosante subaguda, dentre outras. A transmissão desta doença ocorre de pessoa a pessoa, por meio de secreções nasofaríngeas, expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar.

As Américas interrompeu a circulação do vírus do sarampo no ano 2001, no entanto, diferentes regiões do mundo ainda estão definindo metas para a eliminação desta doença. A circulação endêmica (que ocorre em um dado território e permanece provocando novos casos com frequência), constituem uma ameaça para a eliminação.

No Brasil, o sarampo é uma doença de notificação compulsória desde 1968. Dados do Ministério da Saúde demonstram a interrupção da transmissão autóctone (ocorrida dentro do território nacional) do vírus do sarampo desde 2001. No entanto, casos importados ocorreram entre 2001 e 2015. De 2013 a 2015, o numero de ocorrências aumentou devido a surtos já controlados e encerrados de casos importados. Atualmente, não há casos confirmados de sarampo no Brasil.

Rubéola
Em 29 de abril de 2015, a Região das Américas foi declarada a primeira do mundo livre da transmissão endêmica da rubéola e da síndrome da rubéola congênita, uma doença viral contagiosa que pode causar múltiplos defeitos ao nascer e até morte fetal se contraída por uma mulher durante a gestação. O esforço de 15 anos na vacinação contra sarampo, rubéola em todo o continente culminou neste resultado histórico, que se une a outros similares como a eliminação da varíola, em 1971, e da poliomielite, em 1994, nos quais o Continente Americano também foi o primeiro em nível mundial.