Uberlândia, 8 de dezembro de 2015 – O representante da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Joaquín Molina, participou de uma ação da Caravana Siga Bem nesta segunda-feira (7), em Uberlândia, Minas Gerais. O evento, realizado em parceria com a ONU Mulheres, marcou a campanha “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres” com uma série de atividades culturais, lúdicas e informativas, além de atendimentos e exames rápidos de saúde.

Na ocasião, a prefeitura de Uberlândia, caminhoneiros, comunidades estradeiras e representantes de empresas privadas se juntaram às iniciativas da ONU “O Valente não é Violento” e “ElesPorElas (HeForShe)”, que têm como objetivo estimular a mudança de atitudes e comportamentos machistas, buscando a paridade de gênero em todas as esferas sociais e enfatizando a responsabilidade dos homens na eliminação da violência contra mulheres e meninas.

Para Molina, é necessário aumentar a conscientização sobre o tema. “A violência contra as mulheres é um problema de saúde pública que tem consequências graves também na esfera social. Devemos combatê-la com tolerância zero”. Segundo a representante da ONU Mulheres, Nadine Gasman, o problema deve ser encarado por toda a sociedade. “Os homens também têm que se envolver no enfrentamento e fazer a sua parte”. 

Os 16 Dias de Ativismo começaram em 1991, quando mulheres de diferentes países, reunidas pelo Centro de Liderança Global de Mulheres (CWGL), iniciaram uma ação para promover o debate e denunciar as várias formas de violência de gênero. No Brasil, a Campanha tem início um pouco antes, no dia 20 de novembro, declarado o Dia Nacional da Consciência Negra – para reforçar o reconhecimento da opressão e discriminação históricas contra a população negra e ressaltar o grande número de mulheres negras brasileiras como vítimas da violência de gênero.

Mapa da Violência

De acordo com análise feita no Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e lançado no início deste mês com apoio da OPAS/OMS e ONU Mulheres, o número de mortes violentas de mulheres negras aumentou 54% em dez anos, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013. No mesmo período, a quantidade anual de assassinato de mulheres brancas caiu 9,8%, saindo de 1.747 em 2003 para 1.576 em 2013. O estudo revelou ainda que a taxa de assassinato de mulheres no Brasil foi de 4,8 por 100 mil mulheres em 2013. 

Por que o setor saúde deve abordar o tema?

O documento da OPAS/OMS “Violencia contra las mujeres y violencia contra los niños y las niñas: Áreas clave de la OPS/OMS para la acción”, destaca que, além das altas taxas de mortalidade, a violência contra a mulher contribui com altos índices de morbidade, sejam lesões físicas ou outras consequências à saúde em longo prazo. As diferentes formas de violência contra mulheres e meninas podem resultar em implicações à saúde mental, tal como depressão, ideias suicidas ou abuso de substâncias. Mulheres e meninas podem ainda sofrer agravos à saúde sexual e reprodutiva, como a contração de doenças sexualmente transmissíveis ou uma gravidez não desejada ou precoce. 

Além disso, em maio de 2014, a 67ª Assembleia Mundial de Saúde adotou a Resolução WHA67.15 intitulada “Fortalecimento da função do sistema de saúde na luta contra a violência, em particular a exercida contra mulheres e meninas, e contra meninos em geral”, que reconhece que violência contra mulheres e meninas, persiste em todos os países do mundo e representa um grande desafio para a saúde pública, sendo uma violação do direito fundamental de desfrutar de saúde física e mental e um grande obstáculo para alcançar a igualdade de gênero.