15 de janeiro de 2016 – Foi lançada nesta quinta-feira (14) a nova edição do protocolo para manejo clínico dos pacientes com dengue. Elaborada pelo Ministério da Saúde do Brasil, com apoio técnico da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e outras instituições, a publicação inclui no diagnóstico diferencial as arboviroses chikungunya e zika, introduzidas no país nos últimos anos. Esta edição do protocolo também enfatiza a nova classificação de dengue da OMS, utilizada pelo Brasil desde 2014.

A definição atual da Organização enfatiza que a dengue é uma doença única, dinâmica e sistêmica. Ou seja, pode evoluir para a remissão dos sintomas ou agravar-se exigindo constante reavaliação e observação, para que as intervenções sejam oportunas e as mortes evitadas.

Dengue no mundo

A dengue é a doença transmitida por vetores que se propaga mais rapidamente no mundo. Atualmente, essa enfermidade é endêmica (ocorre em um dado território e permanece provocando novos casos com frequência) em mais de 100 países localizados em cinco das seis Regiões da Organização Mundial da Saúde (OMS): África, Américas, Mediterrâneo Oriental, Sudeste da Ásia e Pacífico Ocidental. 

A estimativa é que 2,5 bilhões de pessoas, mais de 40% da população mundial, estejam expostas ao risco de dengue. As regiões das Américas, Sudeste da Ásia e Pacífico Ocidental são as mais afetadas. Nas três, houve mais de 1,2 milhão de casos de dengue em 2008 e mais de 3 milhões em 2013, apresentando uma tendência de crescimento ao longo dos anos  (com base em dados oficiais enviados pelos Estados-Membros).

A doença tem se espalhado para outras localidades. Na Europa, foi registrada transmissão local de dengue na França e na Croácia, em 2010, e foram detectados três casos importados em três outros países do continente. Em 2012, um surto na ilha de Madeira, Portugal, resultou em mais de dois mil casos. Em 2013, ocorreram casos nos Estados Unidos e na China. Em 2014, tendências indicam aumento no número de casos nas Ilhas Cook, Fiji, Malásia e Vanuatu. A doença também foi registrada no Japão após um intervalo de mais de 70 anos.

Prevenção

Para evitar picadas de mosquitos e reduzir o risco de infecção, a OPAS/OMS recomenda as seguintes medidas para pessoas que habitam ou viajam para lugares com transmissão de dengue, chikungunya ou zika:

  • Descansar sob mosquiteiros (redes de cama) impregnados ou não com inseticidas
  • Usar roupas que minimizem a exposição da pele, como calças e camisas de manga comprida
  • Os repelentes que contém DEET (N N-dietil-3-metilbenzamida), IR3535 (3-[N-acetil-N-butil]-éster etil ácido aminopropiónico) ou Icaridina (ácido-1 piperidinecarboxílico, 2-(2-hidroxietil)-1-metilpropilester) podem ser aplicados na pele exposta ou na roupa e devem ser usados em conformidade com as instruções do rótulo do produto. Não há evidência sobre restrição do uso desses repelentes em gestantes se forem usados de acordo com as instruções do rótulo do produto
  • Usar telas em portas e janelas
  • Procurar um serviço de saúde em caso de sintomas de dengue, chikungunya e zika

Também é importante a adoção de medidas preventivas para acabar com os focos do mosquito Aedes aegypti. Por exemplo, manter recipientes – como caixas d’água, barris, tambores, tanques e cisternas – completamente fechados e não deixar água parada em vasos de plantas, garrafas, pneus, latas, calhas de telhados e outros locais em que a água da chuva é coletada ou armazenada.