5 de fevereiro de 2016 – O relatório da Comissão pelo Fim da Obesidade Infantil (ECHO, na sigla em inglês), da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado no final de janeiro, propõe uma série de recomendações aos governos voltadas para a reversão da tendência de crescimento do sobrepeso e obesidade em menores de 5 anos. Ao menos 41 milhões de crianças nessa faixa etária são obesos ou apresentam sobrepeso, sendo que o maior aumento é proveniente de países de renda baixa e média.

Segundo o relatório, muitas crianças estão crescendo hoje em ambientes que incentivam o ganho de peso e obesidade. Impulsionada pela globalização e urbanização, a exposição a ambientes insalubres está aumentando em países de alta, média e baixa renda e em todos os grupos socioeconômicos. A comercialização de alimentos pouco saudáveis e bebidas não alcoólicas foi identificada como um fator importante para o aumento do número de crianças com sobrepeso e obesidade, particularmente no mundo em desenvolvimento.

A prevalência de sobrepeso entre menores de 5 anos aumentou de 4,8% para 6,1% entre 1990 e 2014, passando de 31 milhões para 41 milhões de crianças afetadas durante esse período.

Em 2014, quase metade (48%) de todas as crianças com sobrepeso e obesas com idade inferior a cinco anos vivia na Ásia e um quarto (25%) na África. O número de pessoas nessa faixa etária com excesso de peso na África quase duplicou desde 1990 (de 5.4 a 10.3 milhões).

O Relatório da Comissão apresenta 6 principais recomendações para os governos:

1) Implementar programas abrangentes que promovam a ingestão de alimentos saudáveis e reduzam a ingestão de alimentos pouco saudáveis e bebidas adoçadas com açúcar por crianças e adolescentes (por meio, por exemplo, da tributação efetiva sobre as bebidas adoçadas com açúcar e redução da propaganda de alimentos não saudáveis).

2) Implementar programas abrangentes que promovam a atividade física e redução do sedentarismo em crianças e adolescentes

3) Integrar e reforçar as orientações para a prevenção de doenças não transmissíveis, com orientação atualizada sobre cuidados pré-natais (para reduzir o risco de obesidade infantil ao prevenir peso alto ou baixo no nascimento, prematuridade e outras complicações na gravidez).

4) Fornecer orientações sobre e suporte para uma dieta saudável, sono e atividade física na infância; promover hábitos saudáveis; e garantir que as crianças cresçam de forma adequada e desenvolvam hábitos saudáveis (promovendo o aleitamento materno; limitando o consumo de alimentos ricos em gordura, açúcar e sal; assegurando a disponibilidade de alimentos saudáveis e atividade física).

5) Implementar programas abrangentes que promovam ambientes escolares saudáveis, saúde e conhecimentos de nutrição, além de atividade física entre crianças em idade escolar e adolescentes (por meio do estabelecimento de normas para a merenda escolar; eliminando a venda de alimentos e bebidas não saudáveis e incluindo nutrição e educação física de qualidade no currículo base).

6) Fornecer serviços de gestão de peso, baseados na família e com diversos componentes, para crianças e jovens obesos.