8 de abril de 2016 — A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) está oferecendo sua cooperação técnica para apoiar estudos pilotos no controle de mosquitos, utilizando tecnologias novas já disponíveis que estão em distintas fases de avaliação. Esta iniciativa é parte da resposta ao surto de zika que na atualidade se estendeu a 33 países e territórios das Américas. Estão sendo desenvolvidas novas ferramentas para combater o mosquito Aedes, que pode transmitir infecções como Zika vírus, chikungunya, dengue, febre amarela e outros arbovírus. Entre as novas tecnologias disponíveis se encontra a que utiliza a bactéria Wolbachia e a de uso de mosquitos geneticamente modificados.

“A ferramenta mais importante para combater a zika, e, ao mesmo tempo, a dengue e chikungunya, é o controle dos mosquitos Aedes que transmitem essas doenças. Como estes mosquitos vivem dentro e ao redor das casas, isto requer um esforço conjunto, com a participação da comunidade, para reduzir o número de mosquitos nas Américas. Também estamos buscando urgentemente melhorar os métodos de controle que incluem a participação da sociedade em sua plenitude, o uso de inseticidas e outras tecnologias”, disse Marcos Espinal, diretor de Doenças Transmissíveis da OPAS/OMS.

O Grupo Consultivo sobre Controle de Vetores, dirigido pela OPAS/OMS, examinou as novas tecnologias de controle de vetores e recomendou a implementação piloto de duas ferramentas: a bactéria Wolbachia e os mosquitos transgênicos OX513A, sob condições operacionais, cuidadosamente planificadas e acompanhadas de rigor técnico que inclua o monitoramento e a avaliação independentes.

Esta recomendação é congruente com uma das orientações emitidas pelo Grupo Técnico Assessor em Entomologia em Saúde Pública da OPAS/OMS, que se reuniu pela primeira vez em Washington, em março de 2016.

Uma das ferramentas recomendadas para a implementação piloto é o uso da bactéria do gênero Wolbachia, que não infecta humanos nem outros mamíferos. Estas bactérias se encontram em 60% dos insetos comuns, como as mariposas e as moscas de fruta. Na Austrália, no Brasil, na Indonésia e no Vietnã já se liberaram mosquitos portadores de Wolbachia para estudar e realizar as avaliações entomológicas necessárias. Quando as fêmeas acasalam com mosquitos portadores da bactéria, os ovos não eclodem e não há reprodução da espécie, o que implica na diminuição do número total de mosquitos. Além disso, os Aedes aegypti infectados com a bactéria diminuem sua capacidade de transmissão do vírus da dengue.

O OX513A é uma cepa geneticamente modificada do Aedes aegypti. Quando as fêmeas selvagens (sem modificação genética) acasalam com os mosquitos geneticamente modificados, suas larvas morrem antes da idade adulta funcional. Esta tecnologia demonstrou a capacidade de reduzir as populações do Aedes aegypti em provas de campo a pequena escala em algumas regiões do Brasil e em ilhas do Caribe.

Entretanto, em ambos os casos (Wolbachia e mosquitos geneticamente modificados), faltam dados sobre o impacto epidemiológico destas tecnologias, que permitam acumular a evidência necessária para poder promover seu uso em grande escala.

“O OPAS/OMS oferecerá apoio técnico aos países que queiram implementar de forma piloto estas tecnologias para combater o vetor transmissor do Zika vírus, dengue e chikungunya, que são arboviroses transmitidas pelo mesmo mosquito”, disse Haroldo Bezerra, Assessor Regional em Entomologia em Saúde Pública da OPAS/OMS.

A organização está estruturando uma rede de entomólogos e epidemiologistas para que seja possível prestar assessoramento direto.

O novo Grupo Técnico Assessor de Entomologia em Saúde Pública da OPAS/OMS também está buscando formas de fortalecer programas de controle de vetores nos países, com particular atenção ao Aedes aegypti. Os problemas no controle deste mosquito passam por sua adaptação ao meio ambiente em que circula, ao movimento humano, à capacidade de monitoramento, à resistência dos mosquitos aos inseticidas utilizados e sua capacidade de recuperação.

A OPAS/OMS, estabelecida em 1902, é a organização internacional de saúde pública mais antiga do mundo. Trabalha com seus países membros para melhorar a saúde e a qualidade de vida dos povos das Américas, e funciona como o Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS).