jamieoliverwha6924 de maio de 2016 – Brasil, Canadá, Chile, Estados Unidos, México e outros países apresentaram junto ao chef britânico Jamie Oliver experiências bem-sucedidas para combater a obesidade e a desnutrição infantil. Em todo o mundo, quase 800 milhões de pessoas sofrem de subnutrição crônica e mais de 2 bilhões sofrem deficiência de micronutrientes. Entretanto, 159 milhões de crianças menores de cinco anos são subnutridas e cerca de 50 milhões de crianças nessa faixa de idade estão abaixo do peso para sua altura. Outros 1,9 bilhão de indivíduos estão com sobrepeso – 600 milhões desses são obesos.

“Uma ação global que envolva todos os setores é necessária em toda a cadeia alimentar” para reduzir a fome e melhorar a nutrição das crianças, afirmou Francesco Branca, diretor do Departamento de Nutrição para a Saúde e Desenvolvimento da Organização Mundial da Saúde (OMS). A declaração de Branca teve destaque durante o evento “Acelerar os progressos nacionais na luta contra a obesidade e desnutrição infantil de forma sustentável”, realizado nesta segunda-feira (23) pela Finlândia, paralelamente à 69ª Assembleia Mundial de Saúde. 

“Quando as crianças estão bem nutridas, podem desenvolver todo o seu potencial”, disse Juha Rehula, Ministro da Saúde e Assuntos Sociais da Finlândia. Ele acrescentou que seu país começou a oferecer merenda escolar há 50 anos, e que vem desenvolvendo orientações dietéticas, além de cooperar com o setor privado para reduzir as gorduras saturadas e com outros setores para implementar um plano contra doenças não-transmissíveis.

Jamie Oliver apresentou a “Food Revolution”, campanha que visa criar uma consciência global e promover mudanças na maneira em que as crianças acessam e consomem alimentos. “Não queremos uma luta entre o mundo da obesidade e o da fome. Há espaço para que todos façam mais: os governos, as empresas e as comunidades”, alertou.

No continente americano, o sobrepeso e a obesidade alcançaram proporções epidêmicas, afetando de 20% a 25% de pessoas menores de 19 anos na América Latina e um terço das crianças e adolescentes com idade entre 6 e 19 anos nos Estados Unidos. Os fatores-chave que impulsionam essa epidemia são o consumo excessivo de alimentos processados ricos em calorias e baixo valor nutricional – junto com o consumo de bebidas adoçadas com açúcar (refrigerantes) e baixos níveis de atividade física.

Para combatê-los, os países das Américas aprovaram em 2014, no Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), um plano de ação para reduzir o consumo de junk food e bebidas açucaradas, tornando escolhas saudáveis mais acessíveis.

A Ministra da Saúde do Canadá, Jane Philpott, disse que durante sua experiência como médica na África e em seu país, trabalhou com crianças desnutridas e com sobrepeso e reconheceu que “a obesidade é um problema complexo e que as soluções não são simples”. Philpott mencionou medidas implementadas pelo Canadá e outras que continuarão a ser trabalhadas, como restrições ao comércio de alimentos processados para crianças, a rotulagem dos alimentos e um maior acesso à saúde para a população que vive em áreas remotas.

O Subsecretário de Prevenção e Promoção da Saúde do México, Pablo Kuri Morales, afirmou que “a obesidade é um grande problema de saúde pública” em seu país e apresentou algumas ações articuladas, como a Estratégia Nacional para a Prevenção e Controle do Sobrepeso, Obesidade e Diabetes; o Imposto Especial sobre a Produção e Serviços (IEPS), que desde 2014 incide sobre bebidas açucaradas em geral e outros produtos; e a recente aprovação de parecer do Senado mexicano que promove atividades físicas nas escolas.

“O México impôs horários na TV nos quais é proibida a promoção de determinados alimentos, mudanças de rotulagem e um imposto sobre as bebidas açucaradas, que em um ano reduziu em 5% seu consumo”, destacou Morales, que ainda falou sobre a necessidade de uma ação multisetorial para combater a obesidade.

A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o ano de 2016 como o início da Década de Ação sobre Nutrição. A iniciativa, que busca impulsionar ação internacional sobre o tema, é liderada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e pela OMS e sua resolução foi patrocinada pelo Brasil com o Equador, além de outros países.

Jarbas Barbosa, Presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Brasil, disse que “a nova década de nutrição confirma que estamos no caminho certo para cumprir com os compromissos da Declaração de Roma sobre a segurança alimentar mundial e a Conferência Internacional de Nutrição”.

Barbosa considera necessário atingir as escolas, promover uma alimentação adequada e políticas para proteger os mais vulneráveis, especialmente as crianças. “Nos comprometemos a reforçar as políticas em matéria de nutrição para melhorar a saúde e qualidade de vida das crianças”, reiterou.

O Senador chileno Guido Girardi apresentou lei aprovada em seu país em 2011, que passou a incluir advertências sobre alimentos embalados ricos em gordura, açucares e sal e restringiu sua venda e publicidade como forma de conter as altas taxas de obesidade infantil. Segundo ele, no Chile, 25% das crianças são obesas aos seis anos. “Antes não existia o direito de saber se os alimentos consumidos eram saudáveis, pois a informação estava escondida nas embalagens.” Girardi disse ainda que as crianças estavam expostas a mais de 8 mil spots de publicidade enganosa a cada ano. As embalagens identificam se os produtos possuem altos valores de açúcar ou sal. No caso dos produtos que tenham alguma dessas advertências, fica proibida a venda nas escolas e também a publicidade, ressaltou.

Por sua vez, a delegada dos Estados Unidos afirmou que em seu país o número de crianças com obesidade dobrou e quadruplicou entre os adolescentes nos últimos 30 anos e listou algumas das ações tomadas para reverter a situação.

“Tomamos uma série de medidas para restringir a ingestão de açúcar e gordura trans e, mais recentemente, estabelecer rotulagens para que as pessoas saibam o que estão comprando”, contou. A delegada acrescentou ainda que com essas e outras ações comunitárias e programas para mulheres e crianças foi possível reduzir as taxas de obesidade infantil. Agora, o país busca aumentar em 35% a ingestão de frutas e verduras “para garantir que todas as crianças tenham uma vida mais saudável”.

Austrália, Bangladesh, Quênia, Namíbia e Zâmbia, entre outros países, também expuseram suas experiências.