mesa pmm1 de junho de 2016 – A Representação da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil coordenou nesta quarta-feira (1), no XXXII Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, a mesa redonda “Experiências municipais inovadoras na implementação do Programa Mais Médicos”. O evento, que segue até o dia 4 de junho, é realizado em Fortaleza (CE) com a participação de cerca de 4 mil gestores da saúde de todo o país.

Julio Suarez, da OPAS/OMS, apresentou o Estudo de Caso realizado em Curitiba (PR), município que apresenta uma série de desigualdades sociais. “Curitiba tem o 10º melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil. A questão é que é um município desigual. Lá, vemos lugares muito ricos e também periferias. A Secretaria Municipal de Saúde tinha dificuldades em fixar médicos nas áreas mais pobres. Por isso, o Mais Médicos chegou”.

O pesquisador contou que, no município, foram feitas 24 entrevistas com profissionais de saúde e também visitas às unidades básicas de Sabará, São Miguel e Salvador Allende. Um dos resultados que emergiram da pesquisa foi o fortalecimento da atenção básica dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) e também a melhoria e a humanização do atendimento ao usuário. “O Mais Médicos no Brasil é uma experiência muito grandiosa e ousada politica e tecnicamente. O Programa foi um catalisador de um novo modelo de atenção”, enfatizou. Suarez também reforçou a importância da cooperação que garante a atuação de médicos cubanos no país.

Coordenador do mestrado profissional em Atenção Primária à Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Carlos Eduardo Aguilera Campos apresentou aos gestores da saúde o exemplo da capital carioca. Ele lembrou que a população, principalmente nas áreas mais pobres, estava desacostumada a ter assistência médica em sua região e que, com a vinda dos médicos do Programa, viram sua realidade mudar. “O compromisso e a ética dos médicos chamaram a atenção da população. Eles trabalham muito, atendem até o último paciente. Isso provocava uma reação esquisita nas pessoas, pois os médicos não se sentem diferentes, eles se misturam com o povo.”

Experiências da atenção básica de saúde de municípios de maior vulnerabilidade e menor porte do Rio Grande do Norte também foram expostas por Ângelo Roncalli, professor do Programa de Pós-Graduação de Saúde Coletiva da Universidade Federal do estado. “Desde a gestão, profissionais da atenção básica, usuários e o controle social, pegamos todas as falas e identificamos um conjunto de categorias que consideramos importantes dentro da discussão do Programa. Identificamos quatro macrocategorias: modelo de atenção, processo de trabalho, qualidade de atenção e postura profissional”, disse.

“O primeiro impacto do Programa é no próprio processo de trabalho, no cotidiano. A chegada do médico traz a perspectiva do verdadeiro trabalho em equipe. Todo trabalhador de saúde é sempre coletivo”, afirmou. “Também observamos o fortalecimento da atenção primária de saúde. A maioria dos usuários diz que não tem problema de acesso. Isso levou a uma reflexão interessante do ponto de vista de demanda. Existe uma fala comum de que existe a saúde antes do Mais Médicos e depois do Mais Médicos”, acrescentou o professor.

Renato Tasca, coordenador do Mais Médicos na OPAS/OMS, ressaltou a importância da análise do programa como política pública nas perspectivas locais, o que gera conhecimento e novas formas de enxergar a realidade. “Temos aqui diferentes experiências. Cada um trouxe seus conhecimentos e conseguiu mostrar técnicas de análise e técnicas qualitativas, extrapolando o conhecimento que uma pesquisa nacional nunca conseguiria mostrar”, ressaltou.

Para Tasca, o programa tem contribuído para a redução das desigualdades no Brasil. “O Mais Médicos é um grande viabilizador, criador de condições favoráveis. Entretanto, está na capacidade do gestor, das equipes, aproveitar esse potencial e fazer que isso viabilize mudanças, a depender do tipo de problemática que existe a nível local”.

Sobre o Programa
O Mais Médicos foi criado em 2013 pelo Governo Federal brasileiro, com o objetivo de suprir a carência desses profissionais nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades do Brasil. A Representação da OPAS/OMS no Brasil colabora com a iniciativa intermediando a vinda de médicos de Cuba para atuar em postos de saúde do país. Com o Mais Médicos, foi possível preencher 18.240 vagas em 4.058 municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). Dessas, 11.429 foram ocupadas pelos profissionais cubanos.