comida24 de outubro de 2016 – O Representante da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Joaquín Molina, participou nesta terça-feira (4) do XIV Encontro Nacional da Rede de Alimentação e Nutrição do SUS. O evento ocorre até quinta-feira na sede da OPAS/OMS, em Brasília. “A má alimentação está vinculada à cada vez mais dramática epidemia de obesidade. Precisamos de intervenções efetivas e a reunião anual da rede de nutrição do SUS é sem dúvida um espaço ideal para discutir sobre como podemos contribuir para esse tema”, disse Molina.

Durante o evento, a chef Rita Lobo, apresentadora do programa Cozinha Prática no GNT, e o professor Carlos Augusto Monteiro, da Universidade de São Paulo (USP), apresentaram o curso “Comida de Verdade”. A iniciativa é baseada no Guia Alimentar para a População Brasileira, feito pelo Ministério da Saúde com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS). “Fizemos o curso para explicar o que é alimentação saudável e propor soluções para todos os obstáculos, como a pessoa que mora sozinha ou as famílias que acreditam ser da mulher a responsabilidade pela alimentação de todos. Sabemos que é inviável uma só pessoa ser responsável pela alimentação da família toda”, disse Rita.

Segundo Carlos Monteiro, no processo de construção do Guia Alimentar foi identificado que, em todas as regiões brasileiras, as pessoas com padrões mais próximos da alimentação tradicional eram as que se alimentavam melhor e tinham melhores condições de saúde. “Quando identificamos que eram esses alimentos minimamente processados que deviam ser a base da alimentação saudável constatamos que a maioria desses alimentos precisam ser preparados, cozinhados. E aí verificamos uma necessidade muito grande de o Guia valorizar as preparações culinárias e identificar os obstáculos para que as pessoas cozinhem mais e comam comidas preparadas por outros seres humanos e não máquinas”.

O ministro da Saúde do Brasil, Ricardo Barros, afirmou que o governo tem dado maior ênfase à prevenção e promoção da saúde. “Melhor do que ser muito bem atendido em um posto de saúde é não precisar ir lá. Então, a alimentação saudável e o exercício físico são a base dessa prevenção e promoção da saúde. Precisamos ensinar as crianças a manipular os alimentos, a descascar mais e desembalar menos”.

Alimentação saudável
Alimentos in natura são aqueles obtidos diretamente de plantas ou de animais e adquiridos para consumo sem que tenham sofrido qualquer alteração após deixarem a natureza, como folhas e frutos ou ovos e leite. Alimentos minimamente processados são alimentos in natura que foram submetidos a alterações mínimas, a exemplo dos grãos secos polidos ou moídos na forma de farinhas, cortes de carne resfriados ou congelados e leite pasteurizado.

Os alimentos processados (queijo, pães, geleias, frutas em calda) são produtos relativamente simples, fabricados essencialmente com a adição de sal ou açúcar ou outra substância de uso culinário como óleo, a um alimento in natura ou minimamente processado. Devem ser consumidos em pequenas quantidades e como ingredientes ou parte de refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados.

Outro hábito essencial é evitar os alimentos ultraprocessados, que estão fortemente associados a sobrepeso, obesidade e doenças crônicas não transmissíveis. Entre eles, estão vários tipos de biscoitos, sorvetes, misturas para bolo, barras de cereal, sopas, macarrão e temperos “instantâneos”, salgadinhos “de pacote”, refrescos e refrigerantes, iogurtes e bebidas lácteas adoçadas e aromatizadas.

Década
A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou no dia 1º de abril a Década de Ação das Nações Unidas sobre Nutrição, de 2016 a 2025. A resolução visa desencadear uma ação intensificada para acabar com a fome e erradicar a desnutrição em todo o mundo, além de assegurar o acesso universal a dietas mais saudáveis e sustentáveis.

Sobrepeso e obesidade
Cerca de 800 milhões de pessoas apresentam subnutrição crônica e 159 milhões de crianças menores de cinco anos de idade estão desnutridas. Aproximadamente 50 milhões de crianças menores de cinco anos têm baixo peso em relação à altura, mais de dois bilhões de pessoas sofrem de deficiências de micronutrientes e 1,9 bilhão são afetadas por excesso de peso, das quais mais de 600 milhões são obesas. A prevalência de sobrepeso e obesidade está aumentando em quase todos os países.