febre amarela frasco20 de março de 2017 – O Secretariado da Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar a vacina contra febre amarela para todos os viajantes internacionais que se deslocam até o Estado do Rio de Janeiro (com exceção das áreas urbanas da cidade do Rio de Janeiro e de Niterói) e o Estado de São Paulo (com exceção das áreas urbanas de São Paulo e Campinas). A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (20), no comunicado Disease Outbreak News.

No último dia 6 de março, a OMS já havia incluído todo o Estado do Espírito Santo como área com recomendação de imunização contra a doença e, no dia 27 de janeiro, havia estendido essa orientação para 69 municípios do sul e sudoeste da Bahia. A vacina já era recomendada para todo o território de Minas Gerais, antes do surto deste ano.

O objetivo dos informativos Disease Outbreak News é deixar os Estados Membros da organização informados sobre surtos que estão ocorrendo em várias localidades do mundo. Os dois comunicados anteriores divulgados pela OMS diziam respeito a surtos de gripe aviária (H7N9) na China e de síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) na Arábia Saudita.

A determinação de novas áreas consideradas de risco de transmissão de febre amarela e com recomendação de vacina é um processo contínuo e atualizado regularmente pela OMS.

Mais vacinas
Na sexta-feira (17), o Grupo de Coordenação Internacional (GCI) para o Fornecimento de Vacinas aprovou o envio de 3.504.607 doses de vacina contra febre amarela para o Brasil. Elas serão destinadas às áreas priorizadas pelo país. O envio atende a um pedido do Ministério da Saúde brasileiro.

O GCI é constituído por quatro agências: Organização Mundial da Saúde (OMS), Federação Internacional da Cruz Vermelha e Sociedades do Crescente Vermelho (IFRC), Médicos Sem Fronteiras (MSF) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com secretariado da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).

Transmissão
Conforme dados do Ministério da Saúde do Brasil, já foram confirmados 448 casos e 144 mortes por febre amarela no país: em Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro.

Atualmente, o Brasil é afetado apenas pela febre amarela silvestre – transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes. Até o momento, não há qualquer evidência de que o mosquito Aedes aegypti, presente em zonas urbanas, esteja envolvido na transmissão.

Além do Brasil, cinco outros Estados Membros das Américas – Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Suriname – notificaram casos de febre amarela neste ano. A OPAS/OMS tem trabalhado para apoiar os países na resposta à doença. No momento, há equipes da organização em diversas áreas afetadas do Brasil, trabalhando com as autoridades de saúde nacionais e locais.

Vacinação
A medida mais importante para prevenir a febre amarela é a vacinação. Quem vive ou se desloca para as áreas de risco deve estar com as vacinas em dia e se proteger de picadas de mosquitos. Para a OPAS/OMS, apenas uma dose da vacina é suficiente para garantir imunidade e proteção ao longo da vida. Efeitos secundários graves são extremamente raros.

Pessoas com mais de 60 anos só devem receber a vacina após avaliação cuidadosa de risco-benefício. A vacina contra a febre amarela não deve ser administrada em:

  • Pessoas com doença febril aguda, cujo estado de saúde geral está comprometido
  • Pessoas com histórico de hipersensibilidade a ovos de galinha e/ou seus derivados
  • Mulheres grávidas, exceto aquelas com avaliação de alto risco de infecção e situações em que há recomendação expressa de autoridades de saúde
  • Pessoas severamente imunodeprimidas por doenças (por exemplo, câncer, aids etc.) ou medicamentos
  • Crianças com menos de 6 meses de idade (consulte a bula do laboratório da vacina)
  • Pessoas de qualquer idade com uma doença relacionada ao timo

Dada a atual situação da febre amarela no Brasil e o surgimento de casos em áreas que passaram anos sem registros, a OPAS – Escritório Regional da OMS – insta os Estados Membros a continuar os esforços para detectar, confirmar e tratar adequadamente e de maneira oportuna os casos de febre amarela. Para isso, é importante que os profissionais de saúde estejam atualizados e capacitados para detectar e tratar casos, especialmente em áreas de circulação do vírus causador da doença.