31 de março de 2017 - A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) tem dado um amplo suporte ao Brasil na resposta ao surto de febre amarela. A colaboração vai desde o envio de doses de vacinas contra a doença e a divulgação de recomendações baseadas nas melhores evidências científicas disponíveis até o trabalho em campo, juntamente com as autoridades nacionais e locais. As equipes da OPAS/OMS têm atuado no controle de mosquitos transmissores da doença, na análise detalhada de dados para subsidiar as ações estratégicas e no contato direto com pacientes infectados ou com suspeita de infeção.

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Um dos estados mais afetados atualmente é o Espírito Santo. O local passou a ser considerado pela OPAS/OMS como área com recomendação de vacina contra febre amarela em março deste ano. Entre os profissionais enviados para colaborar com a investigação dos casos suspeitos está Lenildo de Moura, consultor em doenças crônicas e especialista em investigação de campo da OPAS/OMS no Brasil.

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Morador do bairro Bela Vista, em Vitória (capital do Espírito Santo), o porteiro Carlos de Jesus Santos, 29 anos, foi um dos pacientes que esteve na lista de casos suspeitos de febre amarela. Entre outros sinais, ele apresentou icterícia, característica comum da doença. “Estou sentindo uma forte dor abdominal, que apareceu de repente. Não estava conseguindo comer nem beber água. Além disso, tive febre alta, vômitos e evacuação com sangue”, contou Carlos. Ao perceber que os sintomas não estavam passando, mesmo com a administração dos medicamentos prescritos em sua primeira consulta na unidade básica de saúde, o porteiro procurou novamente ajuda médica. Pela avaliação do quadro de sintomas e exames, Carlos recebeu a notícia de que poderia ter a doença.

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O consultor da OPAS/OMS Lenildo de Moura entrevistou o paciente e levou todas as informações coletadas à Sala de Situação de Febre Amarela da Secretaria de Saúde do estado. Junto com especialistas, descartou a possibilidade de infecção pela doença. “Esses dados nos ajudam a definir se a transmissão é silvestre ou urbana. É um trabalho investigativo, que nos auxilia a definir qual é o tipo de vetor”, explicou Moura.

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A Sala de Situação foi criada em janeiro deste ano, com o apoio da OPAS/OMS. Trata-se de um espaço físico e virtual onde as informações são analisadas sistematicamente por um corpo técnico, que caracteriza a situação de saúde da população. A equipe conta com especialistas fixos, como médicos epidemiologistas e infectologistas, enfermeiros e biólogos. Além disso, trabalham na Sala de Situação o consultor em Regulamento Sanitário Internacional da OPAS/OMS no Brasil Matheus Cerroni (que ajudou a instalar também a Sala de Situação do estado com mais casos de febre amarela, Minas Gerais), o assessor regional da OPAS/OMS sobre doenças transmitidas por alimentos e zoonoses, Enrique Pérez, e profissionais da Secretaria de Saúde do Espírito Santo e do Ministério da Saúde do Brasil.

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Carlos Melo, consultor consultor em arboviroses da OPAS/OMS no Brasil, tem acompanhado os esforços para o controle de vetores na região de Grande Vitória. Ele analisou, juntamente com a equipe do estado, as medidas já implementadas, fornecendo orientações para que o trabalho possa ser o mais eficaz possível. "Viemos ver a estrutura da reposta ao surto no estado e compartilhar as melhores práticas para controlar a população de mosquitos”, afirmou o consultor.

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Uma das formas de controle de mosquitos transmissores de febre amarela utilizadas no Espírito Santo é a pulverização de inseticidas por meio de máquinas de Ultra Baixo Volume acopladas a veículos (UBV pesado) e por pulverizadores costais motorizados. A Central Operadora de UBV, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde, encontra-se no município de Guarapari. O estado está cedendo equipamentos para o controle de vetores a diversas cidades afetadas, entre elas Ibatiba, Serra, Nova Venécia, Cariacica, Guarapari, Vila Velha, Vitória e Viana.

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A coleta de larvas e mosquitos é feita para detectar se eles carregam o vírus da febre amarela. Caso o vírus seja detectado em mosquitos Aedes aegypti, é possível definir se há transmissão urbana. Até o momento, a transmissão da doença no Brasil é apenas silvestre, ou seja, feita pelos vetores Haemagogus e Sabethes. Em Vitória, o trabalho de captura é realizado pela Secretaria de Saúde do Estado e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde.

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A captura é feita por dois técnicos durante três dias consecutivos. Entre as ferramentas utilizadas estão o puçá entomológico, o sugador (uma espécie de mangueira usada para aspirar mosquitos) e as armadilhas CDC com gelo seco, composto químico que atrai os mosquitos, isola o vírus e garante a qualidade da amostra até que ela seja analisada.