260917 expectativadevida26 de setembro de 2017 – A população das Américas ganhou 16 anos de vida a mais, em média, nos últimos 45 anos – ou seja, quase dois anos por quinquênio. Agora, uma pessoa nascida no continente pode viver até 75 anos, quase cinco anos a mais do que a média mundial. No entanto, as doenças emergentes e não-transmissíveis, que causam quatro de cada cinco mortes a cada ano, são os principais desafios em uma das regiões mais desiguais do mundo.

Os dados estão disponíveis no relatório Health in the Americas + 2017 (Saúde nas Américas + 2017, em português), a última edição da principal publicação desenvolvida pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) a cada cinco anos. Desde 1956, o documento analisa tendências, desafios e condições de saúde na região.

"Vivemos mais e temos menos chances de morrer por causas evitáveis, mas esse ganho não foi justo", disse a diretora da OPAS/OMS, Carissa F. Etienne. "Devemos tomar medidas urgentes para combater as desigualdades e garantir que todas as pessoas nas Américas tenham acesso aos serviços de saúde de que necessitam e às condições que determinam uma boa saúde, como o acesso a água potável, educação e habitação digna", acrescentou.

As doenças não-transmissíveis – como as cardiovasculares, respiratórias crônicas, câncer e diabetes – permanecem na vanguarda das principais causas de morte na região. Quatro a cada cinco mortes por ano acontece por uma dessas causas. Espera-se que, nas próximas décadas, haja um aumento nesse número devido ao crescimento populacional, envelhecimento, urbanização e exposição a diferentes fatores de risco.

A publicação, apresentada na 29ª Conferência Sanitária Pan-Americana da OPAS em Washington D.C., revela que a obesidade nas Américas, um importante fator de risco para doenças crônicas, representa o dobro da média global (26,8% para 12,9%). Além disso, o documento ressalta que 15% da população com mais de 18 anos (62 milhões) vive com diabetes, número que triplicou durante a última década.

Entre outros dados apresentados no relatório, observa-se que, embora a mortalidade por doenças cardiovasculares tenha diminuído em quase 20%, em média, ao longo de uma década, continuam a ser as principais causas de morte na região. A publicação também adverte que 1,3 milhões de pessoas morreram de câncer em 2012, 45% delas prematuramente, ou seja, antes dos 70 anos. Outros desafios são os acidentes de trânsito, que representaram 12% das mortes em 2013, bem como as altas taxas de homicídios, que colocam 18 países da América Latina e do Caribe entre os 20 com mais homicídios em todo o mundo.

Além disso, as mudanças ambientais, nos estilos de vida e no deslocamento das populações contribuíram, em parte, para o surgimento de doenças infecciosas emergentes, como zika e chikungunya, explica o Health in the Americas + 2017. Essas ameaças, combinadas aos desastres associados a terremotos e furacões, entre outros fenômenos, também são desafios regionais. Entre 2010 e 2016, o continente enfrentou 682 desastres, 20,6% do total mundial. Essas catástrofes tiveram um impacto econômico estimado em mais de 300 bilhões de dólares.

"As doenças emergentes e as doenças crônicas, que geram deficiências e exigem cuidados por muitos anos, são um obstáculo para o desenvolvimento", disse Etienne. "Precisamos de sistemas de saúde fortes, flexíveis e integrados para responder de forma eficaz às novas ameaças e necessidades de uma população envelhecida", pontuou a diretora da OPAS.

Estima-se que 81% das pessoas que nascem hoje na região viverão até os 60 anos, enquanto 42% delas ultrapassarão os 80 anos. No entanto, o aumento da expectativa de vida não significa mais anos de vida sem problemas de saúde. Em 2015, a expectativa média de vida saudável nas Américas foi calculada em 65 anos.

Além do ganho em anos de vida, o relatório destaca a redução da mortalidade materna como um êxito. A mortalidade infantil também diminuiu 24% entre 2002 e 2013 e 67% entre crianças com menos de cinco anos de idade nos últimos 25 anos.

O relatório também aponta um declínio nos casos de malária (62% a menos entre 2000 e 2015), de hanseníase (10,1% menor entre 2010 e 2014) e na mortalidade por AIDS (67% entre 2005 e 2015), bem como o aumento da cobertura de pré-natal e dos partos em estabelecimentos de saúde, progressos na eliminação da oncocercose e da rubéola endêmica (2015) e também da transmissão do sarampo (2016).

Muitas dessas realizações não ocorrem em todos os países da mesma forma, refletindo as desigualdades na região. Nesse sentido, a publicação enfatiza a necessidade de transformar os sistemas de saúde, aumentar o investimento no setor (apenas cinco países investem 6% do Produto Interno Bruto na saúde, conforme recomendado pela OMS), além de melhorar a gestão e distribuição de profissionais de saúde para atingir a saúde universal até 2030 e reduzir essas desigualdades.

O relatório também possui capítulos com informações sobre a situação de saúde e tendências nos 52 países e territórios das Américas. Em cada perfil de país, um conjunto dos principais indicadores é apresentado, juntamente com informações sobre realizações específicas e desafios futuros.

Saúde nas Américas

Mais de 600 funcionários e especialistas participaram do processo de produção da publicação, em colaboração com equipes dos Ministérios da Saúde. Na elaboração dos conteúdos, foram utilizados dados de fontes oficiais, nacionais e internacionais, bem como fontes informais.

Esta edição é a mais recente de uma longa série de relatórios similares produzidos pela OPAS/OMS nos últimos 61 anos. A nova versão inclui produtos complementares, como a plataforma interativa "My Health in the Americas", que permite adaptar as configurações para que cada usuário defina o que quer ler. Essa ferramenta será atualizada periodicamente com novos dados e conteúdos.

O relatório também apresenta podcasts e materiais específicos para pesquisadores, profissionais das áreas de informação e comunicação e tomadores de decisão. Na versão online, os capítulos expandidos podem ser acessados para cada tópico, além dos perfis detalhados e análises de cada um dos 52 países e territórios da região das Américas.