roda conversa lgbti26 de setembro de 2017 – Para marcar mais um Dia Laranja, a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) promoveu nesta segunda-feira (25), em seu escritório em Brasília, uma roda de conversa sobre questões de identidade de gênero e de orientação sexual relacionadas ao trabalho. Um exemplo comum, mas que com frequência suscita dúvidas e pode causar constrangimentos, é o de qual banheiro indicar para uma pessoa transexual.

“Na dúvida, pergunte. Nunca suponha”, explicou Angela Pires Terto, assessora de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil. “Se a pessoa pergunta qual o banheiro, é só dizer ‘o banheiro masculino é ali e o feminino é aqui’ ou ‘os banheiros estão ali’. Deixe que a pessoa escolha. Isso vale para a forma de tratamento também. Na dúvida, pergunte: qual seu nome, qual pronome você prefere?”, acrescentou.

Durante a roda de conversa, foram apresentados conceitos, avanços e desafios relacionados à população LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais). “Este é um espaço para troca de ideias, para fomentar a reflexão e o debate sobre as questões de identidade de gênero e orientação sexual relacionadas ao nosso trabalho”, destacou a representante adjunta da OPAS/OMS no Brasil, María Dolores Pérez-Rosales.

No evento, também foi abordada a questão de como o nome social (forma pela qual as pessoas transexuais devem ser chamadas cotidianamente, mesmo que seja diferente do nome oficialmente registrado) pode ser um problema em áreas administrativas. No Brasil, por exemplo, só é possível comprar uma passagem de avião utilizando o nome que está no registro civil, mas as pessoas sempre devem ser referidas em e-mails ou pessoalmente com seu nome social.

Segundo a estudante e ativista trans Melissa Massayury, chamar uma pessoa transexual pelo nome do registro civil pode machucar. “Aquele nome vai me distanciar de tudo que é do gênero feminino”. Na mesma linha, a professora e ativista trans Wanda Araújo comentou sobre a resistência que certos indivíduos têm em chamar transexuais pelo nome social. “Diversas pessoas usam nomes sociais, como Silvio Santos, Tiririca. E em nenhum momento, você vê pessoas expondo o nome deles de forma intencionalmente vexatória. Você vê só por curiosidade”.

O que é orientação sexual e identidade de gênero?
A orientação sexual é a atração física, romântica e/ou emocional que uma pessoa sente em relação à outra. Todo mundo tem uma orientação sexual, pois é parte integral da identidade de cada um. Homens gays e mulheres lésbicas são atraídos por indivíduos do mesmo sexo ou gênero. Heterossexuais se sentem atraídos por pessoas de sexo ou gênero diferente do seu. Bissexuais são pessoas que podem sentir atração por indivíduos de seu sexo ou gênero ou de sexo ou gênero diferente do seu. A orientação sexual não está relacionada à identidade de gênero. Por isso, homens trans podem ser gays e mulheres trans podem ser lésbicas.roda conversa lgbti2

A identidade de gênero é um sentimento e uma vivência profunda do próprio gênero. Além disso, é geralmente consistente com o sexo que lhe foi atribuído no momento do nascimento (essas pessoas são cisgêneras). Para as pessoas transgêneras, há uma inconsistência entre o sentimento e a percepção de seu gênero com o sexo atribuído no nascimento. Em alguns casos, sua aparência, hábitos e outras características exteriores podem entrar em conflito com as expectativas da sociedade em relação ao comportamento normativo de gênero.

Saiba mais: https://unfe.org/system/unfe-41-sm_perguntas_frequentes.pdf

Dia laranja
No dia 25 de cada mês, a equipe da OPAS/OMS Brasil se veste de laranja para marcar sua adesão à iniciativa global “Torne o Mundo Laranja”, da campanha Una-se Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres.

Esse tipo de violência abrange tanto as desigualdades de gênero enfrentadas por mulheres, quanto práticas discriminatórias e nocivas geradas pelo preconceito por orientação sexual e identidade de gênero.

A cor laranja, brilhante e otimista, foi escolhida para representar um futuro livre de agressões contra mulheres e meninas.