Atualizada em setembro de 2018

Principais fatos

  • O câncer é a segunda principal causa de morte no mundo e é responsável por 9,6 milhões de mortes em 2018. A nível global, uma em cada seis mortes são relacionadas à doença.
  • Aproximadamente 70% das mortes por câncer ocorrem em países de baixa e média renda.
  • Cerca de um terço das mortes por câncer se devem aos cinco principais riscos comportamentais e alimentares: alto índice de massa corporal, baixo consumo de frutas e vegetais, falta de atividade física e uso de álcool e tabaco.
  • O tabagismo é o principal fator de risco para o câncer, causando 22% das mortes pela doença (2).
  • Os cânceres causados por infecções, tais como hepatite e papilomavírus humano (HPV), são responsáveis por aproximadamente 22% das mortes pela doença em países de baixa e média renda (3).
  • A apresentação tardia e o diagnóstico e tratamento inacessíveis são comuns. Em 2017, apenas 26% dos países de baixa renda relataram ter serviços de patologia disponíveis no setor público. Mais de 90% dos países de alta renda relataram que os serviços de tratamento estão disponíveis, em comparação com menos de 30% dos países de baixa renda.
  • O impacto econômico do câncer é significativo e está aumentando. O custo anual total da doença em 2010 foi estimado em aproximadamente US$ 1,16 trilhão (4).
  • Apenas um em cada cinco países de baixa e média renda tem os dados necessários para conduzir uma política para o câncer (5).

Câncer é um termo genérico para um grande grupo de doenças que pode afetar qualquer parte do corpo. Outros termos utilizados são tumores malignos e neoplasias. Uma característica que define o câncer é a rápida criação de células anormais que crescem além de seus limites habituais e podem invadir partes adjacentes do corpo e se espalhar para outros órgãos, processo referido como metástase. A metástase é a principal causa de morte por câncer.

O problema

O câncer é uma das principais causas de morte no mundo, sendo responsável por cerca de 9,6 milhões de mortes em 2018. Os tipos de câncer mais comuns são: 

  • pulmão (2,09 milhões de casos)
  • mama (2,09 milhões de casos)
  • colorretal (1,8 milhão de casos)
  • próstata (1,28 milhão de casos)
  • câncer de pele não-melanoma (1,04 milhão de casos)
  • estômago (1,03 milhão de casos)

As causas mais comuns de morte por câncer são os cânceres de: 

  • pulmão (1,76 milhão de mortes)
  • colorretal (862 mil mortes)
  • estômago (783 mil mortes)
  • fígado (782 mil mortes)
  • mama (627 mil mortes)

O que causa o câncer?

O câncer surge da transformação de células normais em células tumorais em um processo de vários estágios, que geralmente progridem de uma lesão pré-cancerosa para tumores malignos. Essas mudanças são o resultado da interação entre os fatores genéticos de uma pessoa e três categorias de agentes externos, incluindo:

  • Cancerígenos físicos, tais como radiação ultravioleta e ionizante;
  • Substâncias químicas cancerígenas, como o amianto, componentes do fumo do tabaco, aflatoxina (um contaminante alimentar) e arsênio (um contaminante da água potável); e
  • Cancerígenos biológicos, tais como infecções por certos vírus, bactérias ou parasitos.

A OMS, por meio de sua agência de investigação do câncer, Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, sigla em inglês), mantém uma classificação dos agentes causadores da doença.

O envelhecimento é outro fator fundamental para o desenvolvimento do câncer. A incidência do câncer aumenta drasticamente com a idade, provavelmente devido a uma acumulação de riscos para cânceres específicos. A acumulação do risco total é combinada com a tendência de que os mecanismos de reparação celular sejam menos eficazes à medida em que a pessoa envelhece.

Fatores de risco

O consumo de tabaco e de álcool, uma dieta pouco saudável e a inatividade física são os principais fatores de risco para o câncer em todo o mundo. São também os quatro fatores de risco para outras doenças não-transmissíveis.

Algumas infecções crônicas também são fatores de risco para a doença e têm grande relevância em países de baixa e média renda. Aproximadamente 15% dos cânceres diagnosticados em 2012 foram atribuídos a infecções carcinogênicas, entre elas Helicobacter pylori, papilomavírus humano (HPV), os vírus da hepatite B e hepatite C, bem como o vírus Epstein-Barr.

Os vírus da hepatite B (HBV) e hepatite C (VHC) e alguns tipos de papilomavírus humano (HPV) aumentam o risco de câncer no fígado e no colo do útero, respectivamente. A infecção por HIV aumenta substancialmente o risco de câncer (como o câncer do colo do útero, por exemplo).

Como a carga global do câncer pode ser reduzida?

Entre 30% e 50% dos cânceres podem ser prevenidos. O câncer pode ser reduzido e controlado por meio da implementação de estratégias baseadas em evidências para a prevenção, a detecção precoce e o tratamento de pacientes com a doença. Muitos cânceres têm uma alta chance de cura se detectados precocemente e tratados adequadamente.

Modificando e evitando fatores de risco

Modificar e prevenir fatores-chave de risco podem reduzir significativamente o fardo do câncer, incluindo:

  • Tabagismo
  • Estar acima do peso ou obeso
  • Dieta não saudável com baixa ingestão de frutas e vegetais
  • Sedentarismo
  • Uso de álcool
  • Infecção por HPV
  • Infecção por hepatites e outras infecções carcinogênicas
  • Radiações ionizantes e não ionizantes
  • Poluição do ar urbano
  • Fumaça interna proveniente do uso doméstico de combustíveis sólidos

O tabagismo é o principal fator de risco para o câncer, causando 22% das mortes pela doença a nível global (2).

Estratégias de prevenção

Para prevenir câncer, as pessoas podem:

  • Evitar os fatores de risco listados acima;
  • Vacinar-se contra o papilomavírus humano (HPV) e hepatite B;
  • Controlar riscos ocupacionais;
  • Reduzir a exposição à radiação não-ionizante pela luz solar (UV);
  • Reduzir a exposição às radiações ionizantes (imagiologia diagnóstica ocupacional ou médica).

A vacinação contra os vírus HPV e da hepatite B poderia prevenir 1 milhão de casos de câncer a cada ano (3).

Detecção precoce

A mortalidade por câncer pode ser reduzida se os casos forem detectados e tratados precocemente. Existem dois componentes para a detecção precoce:

Diagnóstico precoce

Quando identificado precocemente, o câncer pode responder melhor a um tratamento eficaz. Isso resulta em uma maior probabilidade de sobrevivência, menor morbidade e um tratamento menos dispendioso. Melhorias significativas podem ser feitas na vida dos pacientes com câncer por meio da detecção precoce e cuidados em tempo oportuno.

O diagnóstico precoce consiste em três etapas, que devem ser integradas e fornecidas oportunamente:

  • Conscientização e acesso aos cuidados;
  • Avaliação clínica, diagnóstico e preparação; e
  • Acesso ao tratamento.

O diagnóstico precoce é relevante em todos os contextos e na maioria dos cânceres. Na ausência de diagnóstico precoce, os pacientes são diagnosticados em estádios tardios, quando o tratamento curativo pode deixar de ser uma opção. Os programas podem ser projetados para reduzir atrasos e barreiras ao cuidado, permitindo que os pacientes acessem o tratamento em tempo hábil.

Rastreamento

O rastreamento tem o objetivo de identificar indivíduos com anormalidades sugestivas de um câncer específico ou pré-câncer que não tenha desenvolvido nenhum sintoma e encaminhá-los prontamente para diagnóstico e tratamento.

Os programas de rastreamento podem ser eficazes para tipos de câncer selecionados quando os testes adequados são realizados, implementados de forma eficaz, ligados a outras etapas do processo de rastreio e quando a qualidade é assegurada. Em geral, um programa de rastreamento é uma intervenção de saúde pública muito mais complexa em comparação com o diagnóstico precoce.

Alguns dos exemplos são:

  • Inspeção visual com ácido acético para câncer de colo do útero em contextos com baixos recursos;
  • Teste de detecção de HPV para câncer do colo do útero;
  • Teste de Papanicolau para câncer do colo do útero em contextos de média e alta renda;
  • Mamografia para câncer de mama em contextos com sistemas de saúde fortalecidos ou relativamente fortes.

Tratamento

O diagnóstico correto do câncer é essencial para um tratamento adequado e eficaz, porque cada tipo da doença precisa de um tratamento específico, que pode abarcar uma ou mais modalidades, tais como cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. Determinar os objetivos do tratamento e dos cuidados paliativos é um passo importante e os serviços de saúde devem estar integrados e centrados nas pessoas. O objetivo principal é curar o câncer ou prolongar a vida do paciente de forma considerável. Outro objetivo importante é melhorar a qualidade de vida do paciente por meio de cuidados paliativos e apoio psicológico.

Potencial de cura para cânceres detectados precocemente

Alguns dos tipos mais comuns de câncer, como o de mama, colo do útero, oral e colorretal, têm altas taxas de cura quando detectados precocemente e tratados de acordo com as melhores práticas.

Potencial de cura para outros tipos de cânceres

Alguns tipos de câncer, embora disseminados, como leucemias e linfomas em crianças, além do seminoma testicular, têm altas taxas de cura se o tratamento adequado é fornecido.

Cuidados paliativos

Cuidados paliativos são um tratamento para aliviar, em vez de curar, os sintomas causados pelo câncer e melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias. Eles podem ajudar as pessoas a viver mais confortavelmente, sendo uma necessidade humanitária urgente para pessoas em todo o mundo com câncer e outras doenças crônicas fatais. É particularmente necessário em locais com uma elevada proporção de pacientes em estágios avançados, onde há pouca possibilidade de cura.

O alívio de problemas físicos, psicossociais e espirituais pode ser alcançado em mais de 90% dos pacientes com câncer avançado por meio dos cuidados paliativos.

Estratégias de cuidados paliativos

Estratégias de saúde pública eficazes, que compreendem os cuidados comunitários e domiciliares, são essenciais para proporcionar alívio da dor e cuidados paliativos para pacientes e suas famílias em contextos de baixos recursos.

O acesso melhorado à morfina via oral é obrigatório para o tratamento da dor moderada a grave causada pelo câncer, sofrida por mais de 80% dos pacientes com a doença em fase terminal.

Resposta da OMS

Em 2017, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou uma resolução de prevenção e controle do câncer por meio de uma abordagem integrada (Cancer Prevention and Control through an Integrated Approach - WHA70.12), instando os governos e a OMS a acelerarem ações para atingir os objetivos especificados no Plano de Ação Global e na Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável a fim de reduzir a mortalidade prematura por câncer.

A OMS e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, sigla em inglês) colaboram com outras organizações das Nações Unidas e parceiros em uma força-tarefa interagencial sobre prevenção e controle de doenças não transmissíveis para:

  • Aumentar o compromisso político para a prevenção e controle do câncer;
  • Coordenar e conduzir pesquisas sobre as causas do câncer humano e os mecanismos de carcinogênese;
  • Monitorar a carga da doença (como parte do trabalho da Global Initiative on Cancer Registries GICR);
  • Identificar estratégias prioritárias para a prevenção e controle do câncer;
  • Desenvolver padrões e ferramentas para orientar o planejamento e a implementação de intervenções de prevenção, detecção precoce, rastreamento, tratamento e cuidados paliativos e de sobrevivência, inclusive para câncer na infância;
  • Fortalecer os sistemas de saúde em níveis nacional e local para oferecer cura e cuidados para pacientes com câncer, incluindo melhorar o acesso a tratamentos contra o câncer;
  • Fornecer liderança global, bem como assistência técnica para apoiar os governos e seus parceiros a construir e manter programas de alta qualidade de controle do câncer do colo do útero por meio do Programa Conjunto Global da ONU sobre Prevenção Cervical e Câncer; e
  • Fornecer assistência técnica para a transferência rápida e eficaz de intervenções de melhores práticas para os países.

Referências

(1) Ferlay J, Soerjomataram I, Ervik M, Dikshit R, Eser S, Mathers C et al. GLOBOCAN 2012 v1.0, Cancer Incidence and Mortality Worldwide: IARC CancerBase No. 11. Lyon, France: International Agency for Research on Cancer; 2013.

(2) GBD 2015 Risk Factors Collaborators. Global, regional, and national comparative risk assessment of 79 behavioural, environmental and occupational, and metabolic risks or clusters of risks, 1990-2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015. Lancet. 2016 Oct; 388 (10053):1659-1724.

(3) Plummer M, de Martel C, Vignat J, Ferlay J, Bray F, Franceschi S. Global burden of cancers attributable to infections in 2012: a synthetic analysis. Lancet Glob Health. 2016 Sep;4 (9):e609-16. doi: 10.1016/S2214-109X(16)30143-7.

(4) Stewart BW, Wild CP, editors. World cancer report 2014. Lyon: International Agency for Research on Cancer; 2014.

(5) Global Initiative for Cancer Registry Development. International Agency for Research on Cancer. Lyon: France.