Atualizada em agosto de 2019

  • Embora haja uma vacina segura e custo-efetiva, em 2017 houve 110 mil mortes por sarampo no mundo, principalmente entre crianças com menos de cinco anos de idade.
  • A vacinação contra o sarampo resultou em uma queda de 80% no número de mortes por sarampo entre 2000 e 2017 no mundo.
  • Em 2017, 85% das crianças do mundo receberam uma dose da vacina contra o sarampo no primeiro ano de vida por meio de serviços de saúde – no ano 2000 foram 72%.
  • De 2000 a 2017, a vacinação contra o sarampo evitou cerca de 21,1 milhões de mortes, tornando a vacina contra o sarampo um dos melhores investimentos (best buys) em saúde pública.

O sarampo é uma doença grave e altamente contagiosa causada por um vírus. Antes da introdução da vacina contra a doença, em 1963, e da vacinação das populações em massa, a cada 2-3 anos eram registradas importantes epidemias de sarampo, que chegaram a causar aproximadamente 2,6 milhões de mortes ao ano.  

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A doença continua a ser uma das principais causas de morte entre crianças pequenas em todo o mundo, apesar de haver uma vacina segura e eficaz disponível. Aproximadamente 110 mil pessoas morreram por sarampo em 2017 – a maioria crianças com menos de cinco anos.  

O sarampo é causado por um vírus da família paramyxorividae e é normalmente transmitido por meio de contato direto e pelo ar. O vírus infecta o trato respiratório e se espalha por todo o corpo. É uma doença humana, ou seja, não ocorre em animais. 

As atividades aceleradas de imunização tiveram um grande impacto na redução das mortes por sarampo. De 2000 a 2017, a vacinação contra o sarampo evitou aproximadamente 21,1 milhões de mortes. O número de óbitos pela doença no mundo caiu 80% no período – passando de 545 mil no ano 2000 para 110 mil em 2017.  

Sinais e sintomas

O primeiro sinal da doença geralmente é a febre alta, que começa entre 10 e 12 dias após a exposição ao vírus e dura de 4 a 7 dias. Na fase inicial, o paciente pode apresentar secreções no nariz (“nariz escorrendo”), tosse, olhos vermelhos e aquosos. Pequenas manchas brancas dentro das bochechas também podem se desenvolver no estágio inicial. Após vários dias, surge o exantema (erupção cutânea), geralmente no rosto e na parte superior do pescoço. Durante aproximadamente três dias, essas erupções na pele se espalham, atingindo eventualmente as mãos e os pés. O exantema dura de cinco a seis dias, desaparecendo em seguida. O intervalo entre a exposição ao vírus e a aparição das erupções cutâneas oscila entre 7 e 18 dias.

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A maioria das mortes por sarampo ocorrem por complicações associadas à doença. São mais frequentes em crianças menores de cinco anos ou em adultos com mais de 30 anos. As complicações mais graves incluem cegueira, encefalite (infecção acompanhada de edema cerebral), diarreia grave (que pode provocar desidratação), infecções no ouvido ou infecções respiratórias graves, como pneumonia. Os casos graves são especialmente mais frequentes entre crianças pequenas com má nutrição e, sobretudo, entre pessoas com deficiência de vitamina A ou cujo sistema imunológico esteja enfraquecido pelo HIV/aids ou outras doenças.  

Quem está em risco?  

Crianças pequenas não vacinadas estão em maior risco de contrair sarampo e de sofrer com suas complicações, entre elas, a morte. Mulheres grávidas não imunizadas também estão em risco. No entanto, qualquer pessoa não imunizada (que não recebeu a vacina ou nunca apresentou a doença) pode se infectar.  

O sarampo ainda é comum em muitos países em desenvolvimento - particularmente em partes da África e da Ásia. A esmagadora maioria (mais de 95%) das mortes por sarampo ocorre em países de baixa renda per capita e infraestrutura de saúde mais frágil.

Os surtos de sarampo podem ser particularmente fatais em países que viveram ou se recuperam de um desastre natural ou conflito. O dano à infraestrutura da saúde e aos serviços de saúde interrompe a imunização de rotina e a superlotação em campos residenciais aumenta o risco de infecção.  

Transmissão

O vírus altamente contagioso é espalhado por tosse e espirros, contato pessoal próximo ou contato direto com secreções nasais ou de garganta infectadas.  

O vírus permanece ativo e contagioso no ar ou em superfícies infectadas por até duas horas e pode ser transmitido por uma pessoa infectada a partir de quatro dias antes e quatro dias depois do aparecimento de erupções cutâneas.  

O sarampo pode produzir epidemias que causam muitas mortes, especialmente entre crianças jovens e com má nutrição. Nos países onde o sarampo foi praticamente eliminado, os casos importados de outros países continuam sendo uma importante fonte de infecção.  

Tratamento

Não existe tratamento antiviral específico contra o vírus do sarampo.  

As complicações graves do sarampo podem ser evitadas com um tratamento de apoio que garanta uma boa nutrição, a ingestão suficiente de líquidos e o tratamento da desidratação com soluções de reidratação orais recomendada pela OMS (para repor os líquidos e outros elementos essenciais que se perdem por meio de diarreia e vômitos). Antibióticos devem ser prescritos para tratar infecções nos olhos e ouvidos, bem como pneumonia.  

Todas as crianças com diagnóstico de sarampo devem receber duas doses de suplementos de vitamina A, com intervalo de 24 horas. Esse tratamento restaura os baixos níveis de vitamina A, que, durante a doença, ocorrem mesmo em crianças bem nutridas e pode ajudar a prevenir danos oculares e cegueira. Os suplementos de vitamina A demonstraram reduzir em 50% o número de mortes por sarampo.  

Prevenção

A vacinação de rotina contra o sarampo em crianças, combinada com campanhas de imunização em massa em países com altas taxas de casos e mortes, são estratégias-chave de saúde pública para reduzir as mortes pela doença em todo o mundo. A vacina contra o sarampo está em uso há mais de 50 anos e é segura, eficaz e acessível economicamente. Imunizar uma criança contra o sarampo custa menos de US$ 1.  

A vacina contra o sarampo é frequentemente incorporada com vacinas contra a rubéola e/ou caxumba. É igualmente eficaz na forma única ou combinada. Adicionar a vacina contra a rubéola na vacina para o sarampo não supõe mais que um pequeno custo adicional e permite compartilhar os gastos com vacinação e administração.  

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Em 2017, aproximadamente 85% das crianças em todo o mundo receberam uma dose da vacina contra o sarampo em seu primeiro ano de vida por meio dos serviços de saúde de rotina – no ano 2000, foram 72%. São necessárias duas doses da vacina para garantir imunidade e prevenir surtos, considerando que 15% das crianças vacinadas não conseguem desenvolver imunidade na primeira dose.

Da quantidade estimada de 20,8 milhões de crianças não vacinadas com pelo menos uma dose de vacina contra o sarampo por meio da imunização de rotina em 2017, cerca de 8,1 milhões estavam em três países: Índia, Nigéria e Paquistão.

Resposta da OMS

Em 2010, a Assembleia Mundial da Saúde estabeleceu três marcos para a futura erradicação do sarampo até 2015:  

  • Aumentar a cobertura de rotina com a primeira dose da vacina contendo sarampo (MCV1) em mais de 90%, a nível nacional; e mais de 80% em nível de distrito;
  • Reduzir e manter a incidência anual de sarampo para menos de cinco casos por milhão;
  • Reduzir a mortalidade estimada do sarampo em mais de 95% em relação a 2000.  

Em 2012, a Assembleia endossou o Global Vaccine Action Plan (plano de ação global de vacinação), com o objetivo de eliminar o sarampo em quatro regiões da OMS até 2015 e em cinco regiões até 2020.

Em 2017, o impulso global para melhorar a cobertura vacinal resultou em uma redução de 80% nas mortes. Durante 2000-2016, com o apoio da Iniciativa contra o Sarampo e a Rubéola e da Gavi, Vaccine Alliance, a vacinação contra o sarampo preveniu cerca de 21,1 milhões de mortes – a maioria delas na Região Africana e nos países apoiados pela Gavi, Vaccine Alliance.

Mas sem atenção constante, os ganhos duramente alcançados podem ser facilmente perdidos. Onde as crianças não são vacinadas, ocorrem surtos. Devido à baixas coberturas nacionais ou em grupos, várias regiões foram atingidas por grandes surtos de sarampo em 2017, causando muitas mortes. Com base nas tendências atuais de cobertura e incidência de vacinação contra o sarampo e no relatório da revisão da estratégia de médio prazo, o Grupo Consultivo Estratégico de Peritos (Strategic Advisory Group of Experts – SAGE) sobre Vacinação concluiu que os objetivos globais de eliminação do sarampo está ameaçada e a doença ressurgiu em países que alcançaram ou estavam perto de alcançar a eliminação.

A OMS continua fortalecendo a rede mundial de laboratórios para garantir o diagnóstico oportuno do sarampo e acompanhar a disseminação internacional do vírus da doença, permitindo assim uma abordagem mais coordenada no combate às atividades de vacinação e reduzindo as mortes por essa doença evitável por vacina.

Iniciativa contra o Sarampo e a Rubéola

Criada em 2001, a Iniciativa contra o Sarampo e a Rubéola (M&R Initiative, sigla em inglês) é uma parceria global liderada pela Cruz Vermelha Americana, Fundação das Nações Unidas, Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), UNICEF e OMS. Está empenhada em garantir que nenhuma criança morra por sarampo ou nasça com síndrome de rubéola congênita, bem como ajudar os países a planejar, financiar e medir os esforços necessários para acabar com o sarampo e a rubéola.

Américas

Em 2016, a região das Américas foi declarada por um Comitê Internacional de Especialistas como livre do sarampo. A eliminação dessa doença – e da rubéola e da síndrome da rubéola congênita, em 2015 – foi o ponto culminante de um esforço de 22 anos que incluiu a vacinação em massa contra o sarampo, a caxumba e a rubéola em todo o continente. No entanto, como o vírus do sarampo é altamente contagioso e permanece em circulação no resto do mundo, assim como o vírus da rubéola, a região corre o risco de surtos dessas doenças.  

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A Região das Américas confirmou 2.927 casos de sarampo neste ano. Os dados são da mais recente atualização epidemiológica da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), com dados fechados no dia 7 de agosto de 2019. A doença foi identificada em 14 países, de 1 janeiro a 27 de julho, sendo a maior proporção registrada nos Estados Unidos (1.172), Brasil (1.045) e Venezuela (417).

Os demais casos foram reportados por: Argentina (5), Bahamas (1), Canadá (82), Chile (4), Colômbia (175), Costa Rica (10), Cuba (1), Curaçao (1), México (3), Peru (2) e Uruguai (9). A incidência atual do sarampo é 70% maior do que a registrado em 18 de junho, data em que a atualização epidemiológica anterior foi publicada.

Para controlar a propagação dessa doença, a OPAS recomenda aos países das Américas: manter a cobertura vacinal da população-alvo em ao menos 95% (com duas doses da vacina, segundo calendário vacinal de cada país), manter ações de vigilância epidemiológica, prestação dos serviços de saúde, e comunicação efetiva no setor saúde, na comunidade e em outros setores, a fim de aumentar a imunidade da população e detectar/responder rapidamente a casos suspeitos de sarampo.

A Organização também recomenda aos países que orientem todos os viajantes internacionais, com idade a partir de 6 meses que não se vacinaram ou não possam comprovar a vacinação, a receberem as vacinas contra sarampo e rubéola. A vacina deve ser administrada pelo menos duas semanas antes da viagem para as áreas com transmissão de sarampo.

O organismo internacional ressalta ainda a importância de se vacinar populações em risco, como profissionais de saúde, pessoas que trabalham nas áreas de turismo e transporte (hotelaria, aeroportos, motoristas de táxi, etc.) e viajantes internacionais, bem como identificar fluxos migratórios do exterior (chegada de estrangeiros) e fluxos internos (movimentos de grupos populacionais).

Além disso, a OPAS orienta que, durante surtos, seja estabelecido um manejo correto de casos para evitar a transmissão dentro de serviços de saúde, com um fluxo adequado de pacientes para salas de isolamento (evitando o contato com outros pacientes em salas de espera e/ou locais de internação).

Dados
Acesse a íntegra da atualização epidemiológica com fechados em 7 de agosto de 2019: em espanhol ou inglês.

Acesse a íntegra da atualização epidemiológica com fechados em 18 de junho de 2019: em espanhol ou inglês.

Brasil

No Brasil, o esquema vacinal funciona da seguinte forma: crianças de 12 meses a menores de cinco anos de idade recebem uma dose da vacina aos 12 meses (tríplice viral) e outra aos 15 meses de idade (tetra viral) – em casos de surtos, recomenda-se a aplicação de uma dose em crianças de 6 até 11 meses. Já pessoas de cinco anos a 29 anos de idade que perderam a oportunidade de serem vacinadas anteriormente recebem duas doses da vacina tríplice viral. Adultos de 30 a 49 anos recebem uma dose da vacina tríplice viral.

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