Folha informativa atualizada em fevereiro de 2019  

Principais informações  

  • O papilomavírus humano (HPV) é um grupo de vírus muito comum no mundo.
  • Existem mais de 100 tipos de HPV, dos quais pelo menos 14 são cancerígenos (também conhecidos como tipos de alto risco).
  • O HPV é transmitido principalmente por contato sexual. A maioria das pessoas é infectada logo após o início da atividade sexual.
  • O câncer do colo do útero é causado por infecção sexualmente adquirida com certos tipos de HPV.
  • Dois tipos de HPV (16 e 18) causam 70% dos cânceres do colo do útero e lesões pré-cancerosas. Também há evidências científicas que relacionam o HPV com cânceres do ânus, vulva, vagina, pênis e orofaringe.
  • O câncer do colo do útero é o segundo tipo de câncer mais frequente em mulheres que vivem em regiões menos desenvolvidas do mundo. Em 2018, foram 570 mil novos casos (84% dos novos casos no mundo).
  • Em 2018, aproximadamente 311 mil mulheres morreram de câncer do colo do útero; sendo mais de 85% dessas mortes em países de baixa e média renda.
  • O controle abrangente do câncer do colo do útero inclui prevenção primária (vacinação contra o HPV), prevenção secundária (triagem e tratamento de lesões pré-cancerosas), prevenção terciária (diagnóstico e tratamento do câncer invasivo do colo do útero) e cuidados paliativos.
  • As vacinas que protegem contra os HPV 16 e 18 são recomendadas pela OMS e foram aprovadas para uso em muitos países.
  • Triagem e tratamento de lesões pré-cancerosas em mulheres de 30 anos ou mais é uma maneira econômica de prevenir o câncer do colo do útero.
  • Ensaios clínicos e vigilância pós-comercialização mostraram que as vacinas contra o HPV são muito seguras e muito eficazes na prevenção de infecções por HPV.
  • O câncer de colo do útero pode ser curado se diagnosticado precocemente.

O papilomavírus humano (HPV) é a infecção viral mais comum do trato reprodutivo. A maioria das mulheres e homens sexualmente ativos será infectada em algum momento de suas vidas e algumas pessoas podem apresentar infecções recorrentes.  

O tempo mais provável para a aquisição de infecção para homens e mulheres é pouco depois de se tornarem sexualmente ativos. O HPV é sexualmente transmissível, mas o sexo com penetração não é necessário para a transmissão. O contato genital, pele a pele, é um modo de transmissão reconhecido.  

Existem muitos tipos de HPV e a maioria deles não causa problemas. As infecções geralmente desaparecem sem qualquer intervenção, dentro de alguns meses após a aquisição, e cerca de 90% desaparecem no período de dois anos. Uma pequena proporção de infecções com alguns tipos específicos de HPV pode persistir e progredir para um câncer.  

O câncer do colo do útero é a doença mais frequentemente relacionada ao HPV. Quase todos os casos de câncer do colo do útero podem ser atribuídos à infecção pelo HPV.  

A infecção com certos tipos de HPV também provoca uma proporção de cânceres do ânus, vulva, vagina, pênis e orofaringe, que são evitáveis usando estratégias de prevenção primária semelhantes às do câncer de colo do útero.

Os tipos de HPV que não causam câncer (especialmente 6 e 11) podem causar verrugas genitais e papilomatose respiratória (doença caracterizada pelo aparecimento de tumores nas vias respiratórias, que vão do nariz e da boca até os pulmões). Embora essas condições sejam raramente fatais, o número de recidivas pode ser considerável. As verrugas genitais são muito comuns, altamente infecciosas e afetam a vida sexual.  

Atenção clínica ao câncer de colo do útero invasivo   

Quando uma mulher apresentar sintomas de suspeita de câncer de colo do útero, ela deve ser encaminhada para um centro apropriado para avaliação, diagnóstico e tratamento.

Entre os sintomas do câncer de colo do útero em estágio inicial estão:

Manchas de sangue irregulares ou sangramento leve entre períodos em mulheres em idade reprodutiva;
Mancha ou sangramento pós-menopausa;
Sangramento após a relação sexual; e
Aumento do corrimento vaginal, às vezes com mau cheiro.

  • Manchas de sangue irregulares ou sangramento leve entre períodos em mulheres em idade reprodutiva;
  • Mancha ou sangramento pós-menopausa;
  • Sangramento após a relação sexual;
  • Aumento do corrimento vaginal, às vezes com mau cheiro 

Conforme o câncer de colo do útero avança, sintomas mais graves podem aparecer, incluindo:

  • Dores persistentes nas costas, perna ou pélvis
  • Perda de peso, fadiga e perda de apetite
  • Corrimento vaginal com mau cheiro e desconforto vaginal;
  • Inchaço de uma perna ou ambas

Outros sintomas graves podem surgir em estágios avançados, dependendo de quais órgãos o câncer afetou.

O diagnóstico do câncer de colo do útero deve ser feito pelo exame histopatológico. O estadiamento é feito com base no tamanho do tumor e na disseminação da doença dentro da pélvis e para órgãos distantes. O tratamento depende do estágio da doença e as opções incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Os cuidados paliativos também são um elemento essencial do tratamento para aliviar a dor e o sofrimento desnecessários.

Como a infecção pelo HPV leva ao câncer do colo do útero  

Embora a maioria das infecções por HPV se cure sozinhas e a maioria das lesões pré-cancerosas se resolva espontaneamente, ainda há risco, para todas as mulheres, que a infecção por HPV se torne crônica e lesões pré-cancerosas evoluam para um câncer invasivo do colo do útero.  

Para que o câncer do colo do útero se desenvolva em mulheres com sistemas imunológicos normais, são necessários de 15 a 20 anos. Em mulheres com sistemas imunológicos debilitados – as que estão infectadas pelo vírus HIV e sem tratamento –, o desenvolvimento do câncer pode levar apenas de 5 a 10 anos.  

Fatores de risco para a recorrência do HPV e desenvolvimento de um câncer do colo do útero  

  • Tipo de HPV e seu poder oncogênico
  • Estado imunológico. As pessoas imunocomprometidas, como as que vivem com o HIV, têm maior probabilidade de apresentar infecções persistentes por HPV e uma progressão mais rápida de lesões pré-cancerosas e câncer
  • A infecção simultânea por outros micro-organimsmos de transmissão sexual, como aqueles que causam herpes simples, clamídia e gonorréia
  • O número de filhos e a juventude no momento do primeiro parto
  • O consumo de tabaco

Panorama do problema

Em todo o mundo, o câncer do colo do útero é o quarto tipo de câncer mais frequente em mulheres, com cerca de 570 mil novos casos em 2018, representando 7,5% de todas as mortes femininas por essa doença. Estimam-se mais de 311 mil mortes por esse tipo de câncer a cada ano, mais de 85% delas ocorrem em regiões menos desenvolvidas do mundo.  

Nos países desenvolvidos, existem programas que permitem que as mulheres sejam examinadas, tornando a maioria das lesões pré-cancerosas identificáveis em estágios nos quais podem ser facilmente tratadas. O tratamento precoce previne até 80% do câncer do colo do útero nesses países.  

Nos países em desenvolvimento, o acesso limitado a uma triagem eficaz significa que a doença muitas vezes não é identificada até que esteja mais avançada e os sintomas se desenvolvam. Além disso, as perspectivas de tratamento de tal doença em estágio avançado (cirurgia, radioterapia e quimioterapia) podem ser precárias, resultando em uma taxa mais alta de mortes por câncer do colo do útero nesses países.  

A alta taxa de mortalidade por câncer do colo do útero em todo o mundo (6.9 por 100.000 em 2018) poderia ser reduzida por meio de programas eficazes de triagem e tratamento.  

Triagem do câncer do colo do útero  

A triagem do câncer do colo do útero está testando pré-câncer e câncer entre mulheres que não apresentam sintomas e podem se sentir perfeitamente saudáveis. Quando a triagem detecta lesões pré-cancerosas, estas podem ser facilmente tratadas e o câncer evitado. A triagem também pode detectar o câncer em um estágio inicial fazendo com que o tratamento tenha um alto potencial de cura.    

Como as lesões pré-cancerosas causadas pelo HPV levam muitos anos para se desenvolver, a triagem  é recomendada para todas as mulheres com idade entre 30 e 49 anos pelo menos uma vez na vida e, idealmente, com maior frequência. A triagem para diminuir a mortalidade por câncer do colo do útero só é eficaz se uma alta proporção de mulheres participarem.  

Existem três tipos diferentes de testes de triagem disponíveis atualmente:  

  • Citologia convencional (PAP ou CC) e citologia em base-líquida (CBL);
  • Inspeção visual com ácido acético;
  • Teste de HPV para tipos específicos de vírus de alto risco.  

Vacinação contra o HPV  

Existem atualmente duas vacinas que protegem contra o HPV 16 e 18, que são conhecidos por causar pelo menos 70% dos casos de câncer do colo do útero. As vacinas também podem ter alguma proteção cruzada contra outros tipos menos comuns de HPV que também causam essa doença. Uma das vacinas também protege contra os tipos 6 e 11, que causam verrugas anogenitais.  

Resultados de ensaios clínicos mostram que ambas as vacinas são seguras e muito eficazes na prevenção da infecção pelo HPV 16 e 18.  

Ambas as vacinas funcionam melhor se administradas antes da exposição ao HPV. Portanto, é preferível administrá-las antes da primeira atividade sexual. As vacinas não podem tratar a infecção pelo HPV ou doenças associadas ao HPV, como o câncer.  

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Alguns países começaram a vacinar meninos, já que a vacinação previne cânceres genitais em homens e mulheres. Uma das duas vacinas disponíveis também previne verrugas genitais em homens e mulheres. A OMS recomenda a vacinação para meninas com idade entre 9 e 13 anos, já que essa é a medida de saúde pública mais eficaz em relação ao câncer do colo do útero.  

A vacinação contra o HPV não substitui a triagem do câncer do colo do útero. Nos países onde a vacina é introduzida, os programas de triagem devem ser desenvolvidos ou fortalecidos.  

Prevenção e controle do câncer do colo do útero: uma abordagem integral  

A OMS recomenda uma abordagem integral para prevenção e controle do câncer do colo do útero. O conjunto de ações recomendado inclui intervenções ao longo da vida. Deve ser multidisciplinar, incluindo componentes de educação comunitária, mobilização social, vacinação, triagem, tratamento e cuidados paliativos.  

A prevenção primária começa com a vacinação contra o HPV entre meninas com idade entre 9 e 13 anos, antes de se tornarem sexualmente ativas.  

Outras intervenções preventivas recomendadas para meninos e meninas, conforme apropriado, são:

  • educação sobre práticas sexuais seguras, incluindo o adiamento no início da atividade sexual;
  • promoção do uso e fornecimento de preservativos para os indivíduos que já tiveram atividade sexual;
  • advertências sobre o uso do tabaco, que muitas vezes começa durante a adolescência, e que é um importante fator de risco para o câncer de colo de útero e outros cânceres; e
  • circuncisão masculina.   

Mulheres sexualmente ativas devem ser examinadas a partir dos 30 anos aos testes que detectam células anormais ou lesões pré-cancerosas no colo do útero. Se o tratamento for necessário para eliminar células ou lesões anormais, recomenda-se a crioterapia (que destrói o tecido anormal no colo do útero, congelando-o).  

Se houver sinais de câncer do colo do útero, as opções de tratamento para câncer invasivo incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia.  

Resposta da OMS

A OMS desenvolveu orientações sobre como prevenir e controlar o câncer do colo do útero, inclusive por meio de vacinação e triagem. A Organização trabalha com países e parceiros para desenvolver e implementar programas integrais.  

Em maio de 2018, o Diretor-Geral da OMS fez um apelo à eliminação do câncer do colo do útero e engajou parceiros e países para aumentar o acesso às três intervenções essenciais para prevenir o câncer do colo do útero: vacinação, triagem e tratamento das lesões pré-cancerosas, bem como tratamento do câncer de colo do útero.

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Américas

Em janeiro de 2019, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) convocou seus Estados Membros a acelerarem os esforços de prevenção e controle para criar um futuro sem câncer de colo do útero, que é o terceiro mais comum entre as mulheres na América Latina e no Caribe.

A cada ano, mais de 56 mil mulheres são diagnosticadas com câncer de colo do útero na América Latina e no Caribe e mais de 28 mil perdem a vida por conta dessa doença. Esse número chega a 72 mil diagnósticos e 34 mil óbitos se os Estados Unidos e o Canadá forem incluídos.

O câncer de colo do útero pode ser prevenido por meio da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV). Há mais de uma década, existem vacinas que protegem contra os tipos frequentes de HPV que causam câncer. A OPAS recomenda administrar essa vacina a meninas de 9 a 14 anos.

Além da vacinação, a triagem e o tratamento de lesões pré-cancerosas podem prevenir novos casos e mortes. Com o tempo, o câncer de colo do útero pode ser eliminado como um problema de saúde pública, conforme dito pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em seu apelo à ação em maio de 2018, na Assembleia Mundial da Saúde.

A vacina contra o HPV está disponível em 35 países e territórios da Região das Américas. No entanto, na maioria deles, a taxa de cobertura vacinal do HPV com as duas doses recomendadas ainda está abaixo da meta de pelo menos 80% das meninas. Além disso, existem lacunas no acesso aos serviços para triagem e tratamento de lesões pré-cancerosas, e as taxas de cobertura de rastreamento são menores do que a meta de pelo menos 70% das mulheres com idade entre 30 e 49 anos. Estima-se que pelo menos 32 milhões de mulheres precisem fazer exame de prevenção para câncer de colo do útero na Região.

Para aumentar a conscientização pública sobre a doença, a OPAS lançou em novembro a campanha de comunicação “É hora de acabar com o câncer de colo do útero”. Sob o lema “Não deixe o câncer de colo do útero te deter”, a iniciativa fornece informações sobre vacinas contra o HPV e convoca as mulheres a fazerem exames regulares para detectar lesões pré-cancerosas. A campanha responde ao plano de reduzir em um terço os novos casos de câncer de colo do útero e mortes na Região até 2030, conforme acordado pelos ministros da Saúde da região na reunião do Conselho Diretor da OPAS em 2018.

Brasil

A recomendação da OPAS e OMS para exames de prevenção contra o câncer de colo do útero na faixa etária de 30 a 49 anos vale para todos os países do mundo. Alguns países tem sistemas de saúde capazes de ofertar esses exames para uma parcela mais ampla da população. É o caso do Brasil, que orienta o exame preventivo para mulheres de 25 a 64 anos que já tiveram algum tipo de atividade sexual. Ou seja, o país vai além das recomendações da OPAS e da OMS. Isso ocorre também com a vacinação. A OMS recomenda vacinar contra HPV meninas com idade entre 9 e 13 anos. O Brasil vacina meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, além de pessoas que vivem com HIV e pessoas transplantadas na faixa etária de 9 a 26 anos.