Folha informativa atualizada em janeiro de 2019

Principais informações  

  • Em todo o mundo, 3 milhões de mortes por ano resultam do uso nocivo do álcool, representando 5,3% de todas as mortes.
  • O uso nocivo de álcool é um fator causal para mais de 200 doenças e lesões.
  • Em geral, 5,1% da carga mundial de doenças e lesões são atribuídas ao consumo de álcool, conforme calculado em termos de Anos de Vida Perdidos Ajustados por Incapacidade (DALY, sigla em inglês).
  • O consumo de álcool causa morte e incapacidade relativamente cedo na vida. Na faixa etária de 20 a 39 anos, aproximadamente 13,5% do total de mortes são atribuíveis ao álcool.
  • Existe uma relação causal entre o uso nocivo do álcool e uma série de transtornos mentais e comportamentais, além de doenças não transmissíveis e lesões.
  • Foram estabelecidas recentemente relações causais entre o consumo nocivo do álcool e a incidência de doenças infecciosas, tais como tuberculose e HIV/aids.
  • Além das consequências para a saúde, o uso nocivo do álcool provoca perdas sociais e econômicas significativas para os indivíduos e para a sociedade em geral. 

O álcool, substância psicoativa com propriedades que causam dependência, tem sido amplamente utilizado em muitas culturas durante os séculos. Seu uso nocivo tem um grande peso na carga de doenças, além de um ônus social e econômico para as sociedades.  

O álcool afeta as pessoas e as sociedades de muitas formas e seus efeitos são determinados pelo volume consumido, pelos padrões de consumo e, em raras ocasiões, pela qualidade do álcool. 

O uso nocivo do álcool também pode resultar em danos a outras pessoas, como membros da família, amigos, colegas de trabalho ou estranhos. Além disso, o uso nocivo de bebidas alcoólicas resulta em um fardo significativo em termos sociais, econômicos e de saúde.  

O consumo de álcool é um fator causal em mais de 200 doenças e lesões. Está associado ao risco de desenvolvimento de problemas de saúde, tais como distúrbios mentais e comportamentais, incluindo dependência ao álcool, doenças não transmissíveis graves, como cirrose hepática, alguns tipos de câncer e doenças cardiovasculares, bem como lesões resultantes de violência e acidentes de trânsito.  

Uma proporção significativa da carga de doenças atribuíveis ao consumo de álcool decorre de lesões intencionais e não intencionais, incluindo aquelas causadas por acidentes de trânsito, violência e suicídios. Lesões fatais relacionadas ao álcool tendem a ocorrer em grupos relativamente mais jovens.  

As relações causais mais recentes são aquelas entre o uso nocivo de álcool e a incidência de doenças infecciosas, como a tuberculose e o HIV/aids. O consumo de álcool por mulheres grávidas pode causar síndrome fetal do álcool e complicações no parto prematuro.  

Fatores que afetam o consumo de álcool e os danos relacionados  

Diversos fatores foram identificados em nível de indivíduos e de sociedade, que afetam os níveis e padrões de consumo de álcool e a magnitude dos problemas relacionados ao álcool nas populações.  

Os fatores ambientais incluem desenvolvimento econômico, cultura, disponibilidade de álcool, além da abrangência e dos níveis de implementação e execução das políticas sobre álcool. Embora não exista um único fator de risco que seja dominante, quanto mais vulnerabilidades tiver uma pessoa, maior a probabilidade de desenvolver problemas relacionados ao álcool como resultado de seu consumo.  

Os efeitos do consumo de álcool sobre problemas de saúde crônicos e agudos nas populações são determinados, em grande medida, por duas dimensões de consumo de álcool diferentes, mas relacionadas entre si:  

  • O volume total de álcool consumido; e
  • O padrão de consumo.  

O contexto do consumo de álcool desempenha um papel importante na ocorrência de danos relacionados, particularmente associados aos efeitos da intoxicação alcoólica na saúde e, em raras ocasiões, também a qualidade do álcool consumido. O consumo de álcool pode ter um impacto não só sobre a incidência de doenças, lesões e outras condições de saúde, mas também sobre o curso dos distúrbios e seus efeitos em indivíduos.  

Existem diferenças de gênero relacionadas ao álcool na mortalidade, na morbidade, assim como nos níveis e padrões de consumo de álcool. A porcentagem de mortes atribuíveis ao álcool entre os homens é de 7,7% (mortes globais) em comparação com 2,6% de todas as mortes entre mulheres. O consumo total de álcool per capita em 2010, em litros de puro álcool, entre os consumidores masculinos e femininos em todo o mundo foi, em média, de 19,4 litros para os homens e 7 litros para as mulheres.  

Maneiras de reduzir a carga causada pelo uso nocivo de álcool

Os problemas de saúde, segurança e socioeconômicos atribuíveis ao álcool podem ser efetivamente reduzidos com ações sobre os níveis, padrões e contextos do consumo de álcool, assim como em relação aos determinantes sociais mais amplos da saúde.  

Os países têm a responsabilidade de formular, implementar, monitorar e avaliar as políticas públicas para reduzir o uso nocivo do álcool. Existe um conhecimento científico substancial para orientar os desenvolvedores de política pública sobre a eficácia e o custo-efetividade das seguintes estratégias:

  • Regular a comercialização de bebidas alcoólicas;
  • Regular e restringir a disponibilidade de álcool;
  • Promulgar políticas adequadas de condução sob os efeitos do álcool;
  • Reduzir a demanda por meio de mecanismos de tributação e preços;
  • Sensibilização para os problemas de saúde pública causados pelo uso nocivo do álcool e garantia do apoio a políticas eficazes;
  • Fornecer tratamento acessível para pessoas com transtornos relacionados ao uso de álcool; e
  • Implementar em serviços de saúde programas de identificação e intervenção breve para consumo perigoso e nocivo de álcool. 

Resposta da OMS  

A OMS tem o objetivo de reduzir a carga causada pelo uso nocivo do álcool na saúde e, assim, salvar vidas, prevenir lesões e doenças e melhorar o bem-estar dos indivíduos, das comunidades e da sociedade em geral.  

A Organização enfatiza o desenvolvimento, a implementação e a avaliação de intervenções custo-efetivas para o uso nocivo do álcool, bem como a criação, compilação e divulgação de informações científicas sobre o uso e a dependência do álcool e suas consequências sanitárias e sociais.  

Em 2010, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou uma resolução endossando uma estratégia global para reduzir o uso nocivo do álcool. A resolução insta os países a reforçar as respostas nacionais aos problemas de saúde pública causados pelo uso nocivo do álcool.  

A estratégia global para reduzir o uso nocivo do álcool representa um compromisso coletivo dos Estados Membros da OMS para diminuir a carga global de doenças causadas por seu uso excessivo. A estratégia inclui políticas e intervenções baseadas em evidências, que podem proteger a saúde e salvar vidas, caso sejam adotadas, implementadas e aplicadas. A iniciativa também conta com um conjunto de princípios para orientar o desenvolvimento e a implementação de políticas; define áreas prioritárias para a ação global, recomenda áreas-alvo para a ação nacional e consolida o mandato da OMS para fortalecer a ação em todos os níveis.  

As opções de políticas e as intervenções disponíveis para a ação nacional podem ser agrupadas em 10 áreas recomendadas, que se complementam mutuamente. São elas:  

  • Liderança, conscientização e compromisso;
  • Resposta dos serviços de saúde;
  • Ação comunitária;
  • Políticas sobre dirigir sob efeito de bebidas alcoólicas e contramedidas;
  • Disponibilidade do álcool;
  • Marketing de bebidas alcoólicas;
  • Políticas de preços;
  • Reduzir as consequências negativas do consumo e da intoxicação;
  • Reduzir o impacto na saúde pública do álcool ilícito e do álcool produzido informalmente;
  • Monitoramento e vigilância.  

A OMS estabeleceu o Sistema Mundial de Informação sobre o Álcool e a Saúde (GISAH, sigla em inglês) com o objetivo de apresentar de forma dinâmica dados sobre os níveis e padrões do consumo de álcool, consequências sociais e de saúde atribuíveis ao álcool e respostas por políticas em todos os níveis.

A implementação bem-sucedida da estratégia exigirá ação por parte dos países, governança global efetiva e envolvimento apropriado de todas as partes interessadas. Ao trabalharem juntas de forma eficaz, as consequências negativas para a saúde e para a sociedade podem ser reduzidas.