040418 openwho10 de julho de 2018 – Com o aumento no número de viagens, a ampliação do comércio, a rápida urbanização, a degradação ambiental e as mudanças climáticas, o início do século 21 poderia ter impulsionado epidemias por todo o mundo. Assim como as emergências de saúde pública se tornaram mais complexas, tornaram-se também as respostas a elas – com profissionais locais, nacionais e internacionais envolvidos, proporcionando diferentes origens, culturas e níveis de conhecimento.

Para especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), está claro que uma ferramenta fundamental no combate às epidemias e pandemias seria obter informações oportunas, precisas e atualizadas para a crescente estrutura de profissionais envolvidos na resposta – independentemente de quão remota ou difícil fosse sua localização.

"As principais epidemias que vimos neste século destacaram a necessidade de um sistema que transforme rapidamente o conhecimento científico em ação no campo", diz Gaya Gamhewage, gerente da equipe de Apoio para Respostas da OMS no Departamento de Controle de Riscos Infecciosos.

Para doenças epidêmicas, é particularmente importante garantir que os profissionais e os voluntários envolvidos na resposta saibam como se proteger.

Conhecimento acessível

“A chave é o conhecimento acessível”, acrescenta Sylvie Briand, diretor de gerenciamento de riscos infecciosos da OMS. “O que temos é conhecimento. Para nós, o valor do conhecimento é quando ele é compartilhado – e é especialmente importante que os profissionais envolvidos na resposta tenham conhecimento suficiente para se proteger e fazer um bom trabalho. Tivemos informações sobre doenças como peste, MERS e ebola e fizemos vários cursos, mas eles estavam no papel, não estavam acessíveis no campo”.

Para resolver este problema do século 21, a OMS buscou uma solução tecnológica – criou um conjunto de Cursos Online Abertos e Massivos (MOOCs, sigla em inglês).

Desde seu surgimento inicial nos anos 2000, esses cursos se tornaram rapidamente uma ferramenta de aprendizado popular na internet para milhões de pessoas, que seguem capacitações criadas por especialistas e instituições mundiais que podem ser acessadas de qualquer lugar ou hora, por todas as pessoas.

OpenWHO

Em junho de 2017, a OMS lançou publicamente sua própria plataforma MOOCOpenWHO –, oferecendo cursos online especialmente adaptados para quem atende às emergências de saúde. O espaço é interativo e permite que experiências e conhecimentos sejam compartilhados e atualizados por meio de discussões e feedback.

"Não chamamos isso de treinamento – chamamos de transferência de conhecimento. Essa plataforma permite que nós e nossos principais parceiros transfiram conhecimento que salva vidas para um grande número de profissionais envolvidos na resposta de maneira rápida e confiável”, disse Briand.

A plataforma oferece quatro canais de materiais de aprendizagem individualizados, que cobrem elementos técnicos, operacionais e sociais que são a chave da resposta epidêmica e pandêmica.

  • O Outbreak Channel mostra como a ciência combate pandemias e epidemias.
  • O Ready for Response Channel tem foco em melhorar as operações de resposta às emergências.
  • Get Social cobre as habilidades sociais, como comunicação de risco, mobilização social e engajamento da comunidade.
  • O canal GOARN contém informações para os participantes do Global Outbreak Alert and Response Network - preparando-os para os trabalhos de campo em emergências.

Até o momento, mais de 34 cursos estão disponíveis na plataforma. Outras capacitações estão em desenvolvimento, também com versões em vários idiomas. Um novo canal dedicado às pandemias será lançado nos próximos meses.

A OMS é parceira da organização não governamental Tradutores Sem Fronteiras, capaz de traduzir o conteúdo para mais de 122 idiomas e dialetos diferentes, conforme necessário.

Os cursos mais populares até agora são: Incident Management System; Pandemic and Epidemic-prone Diseases; e Communications.

Os cursos são gratuitos, mas só podem ser acessados após registro dos usuários. Até o momento, mais de 25 mil pessoas de mais de 190 países e territórios e inscreveram em cursos do OpenWHO, muitos deles para mais de uma capacitação. A maioria das participações são da Nigéria, Índia e Estados Unidos.

A plataforma MOOC também está integrada aos meios de comunicação social da OMS - Facebook, Twitter e LinkedIn. Foi configurada para funcionar em smartphones e tablets, bem como em computadores.

A plataforma foi desenhada para uso em configurações remotas, onde a conectividade com a internet pode ser fraca ou ausente. Os materiais do curso também podem ser baixados para uso off-line.

Testemunhos

Embora a plataforma tenha sido disponibilizada há poucos meses, a resposta dos usuários à plataforma tem sido entusiasmada.

“Muito obrigado, de fato, à equipe da OMS pelo treinamento informativo com objetivos reais”, disse um estudante inscrito no curso Incident Management Systems.

"É bom que a OMS tenha assumido a liderança em resposta a emergências e desenvolvido esses sistemas e estruturas", disse outro inscrito.

Até 250 mil alunos podem acessar os cursos a qualquer momento e não há limite de inscrições na OpenWHO. Desta forma, o plano é desenvolver e expandir o conteúdo e o alcance da plataforma.

“Queremos estabelecer a plataforma da OMS como uma fonte líder e confiável de informações em saúde pública, que podem reagir rapidamente às novas necessidades de informação em saúde à medida que surgem”, afirmou Briand.

“Muitas pessoas morreram por falta de conhecimento.Queremos que esses cursos online ajudem a salvar vidas”.