260718 bacheletabrascao26 de julho de 2018 – Teve início nesta quinta-feira (26) o 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, conhecido como Abrascão, na Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro. Joaquín Molina, representante da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil, coordenou a mesa de abertura do evento, que em 2018 tem como tema “Fortalecer o SUS, os direitos e a democracia”. Oficinas, mesas redondas e palestras acontecerão até 29 de julho. A vereadora Marielle Franco, assassinada em março, foi homenageada durante a cerimônia por seu trabalho no campo da saúde.

A ex-presidenta do Chile, Michelle Bachelet, foi a conferencista escolhida para abrir o congresso. Ela, que também é médica cirurgiã especialista em pediatria, discursou para mais de sete mil pessoas sobre os desafios de alcançar a saúde universal. Além disso, traçou um panorama da saúde nos países da América Latina e Caribe. “A melhor forma de garantir o acesso e a cobertura universal é investir uma porcentagem maior dos produtos internos brutos dos países em saúde”, afirmou.

Bachelet lembrou também que, por interferir diretamente na saúde das populações, os determinantes sociais – geográficos, étnicos e renda, entre outros – devem ser considerados na hora de construir políticas públicas para fortalecer os sistemas e serviços de saúde. “Temos que melhorar as condições sociais para que os direitos das pessoas possam ser exercitados. Não para alguns, mas para todos”, pontuou a ex-presidenta.

Ela lidera, nas Américas, a Comissão de Alto Nível convocada pela OPAS para propor soluções que ampliem o acesso e a cobertura à saúde na região das Américas para 2030, “sem deixar ninguém para trás”. Molina explicou que a comissão, criada recentemente, “tem o objetivo de fazer uma análise dos resultados dos 40 anos da Declaração de Alma-Ata sobre a atenção primária à saúde e do desafio de alcançar a saúde universal”, bem como fornecer recomendações para melhorar o desempenho em saúde.

260718 molinaabrascaoBachelet preside também a Aliança para a Saúde da Mãe, do Recém-Nascido e da Criança da OMS. Foi empossada à véspera da Assembleia Mundial da Saúde deste ano, realizada em Genebra. A iniciativa conta com mais de 720 organizações membros de sete esferas: instituições acadêmicas e de investigação; doadores e fundações; profissionais de saúde; organismos multilaterais; organizações não governamentais; países parceiros; e setor privado.

Medicamentos

Mariângela Simão, assistente do diretor-geral para Acesso a Medicamentos, Vacinas, Produtos Farmacêutico da OMS, ministrou a palestra “Acesso a medicamentos no contexto dos ODS: avançando a agenda antes de 2030”. Ela revelou que, dos 194 Estados Membros da OMS, apenas 30 possuem agências regulatórias para medicamentos. Com o intuito de auxiliar os países, Mariângela apresentou a ferramenta "WHO Global Benchmarking Tool (GBT)", feita pela OMS para avaliar os sistemas regulatórios nacionais.

A plataforma pode ser usada pelos países para identificar forças e áreas para melhoria, facilitar a formulação de um plano de desenvolvimento institucional para fortalecer os recursos e abordar as lacunas identificadas e ajudar a monitorar o progresso e as conquistas, entre outros pontos.

OPAS no Abrascão

Nesta sexta-feira, 27 de julho, Tomás Pippo, coordenador de Medicamentos e Tecnologia em Saúde da OPAS/OMS Brasil, será expositor na mesa redonda “Medicamentos essenciais – avançando a agenda global para uma abordagem regional” – a partir das 10h20, no auditório E36. No mesmo dia, Renato Tasca, coordenador de Sistemas e Serviços de Saúde, coordenará a mesa redonda “Austeridade e saúde”, que ocorrerá nas Grandes Tendas, Auditório Marielle Franco.

A contribuição do Programa Mais Médicos para a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS) será tema de uma mesa no mesmo dia, às 15h, no pavilhão Leonidas Deane, auditório Maria Deane. O debate, que será coordenado por Gabriel Vivas, coordenador do Mais Médicos na OPAS/OMS, terá a participação de expositores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Universidade Federal da Bahia.

Expositores da Espanha, Canadá e Banco Mundial participarão da mesa redonda “Inovação na Atenção à Saúde para o Controle das Condições Crônicas: experiências do Canadá, Espanha e América Latina”, que será conduzida nesta sexta-feira (27) pela coordenadora de Determinantes da Saúde, Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS/OMS no Brasil, Katia de Pinho Campos. O evento será realizado das 15h às 16h30 nas Grandes Tendas, auditório David Capistrano.

Haydee Padilla – coordenadora de Família, Gênero e Curso de Vida da OPAS/OMS no Brasil –, encabeça no sábado (28) a palestra de Bremem De Mucio, assessor regional em saúde sexual e reprodutiva do Centro Latino-Americano de Perinatologia, Saúde da Mulher e Reprodutiva (CLAP/SMR). A apresentação “Estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia: reduzindo inequidades” ocorrerá a partir de 10h20, no INI(IPEC) – auditório B17.

No domingo, 29 de julho, Bernardino Vitoy, oficial da OPAS/OMS no Brasil, participará da mesa redonda “Presença das práticas integrativas e complementares em saúde na América Latina”. Às 10h20, no INCQS/Bloco 9, auditório C40.

A programação completa do Congresso está disponível em http://www.saudecoletiva.org.br/programacao/index_programado.php.