260419 malariainicativa26 de abril de 2019 – Uma nova iniciativa da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) tem como objetivo abordar a carga da malária na região das Américas, onde o número de casos é mais concentrado. Chamado de “Municípios eliminando a malária”, o projeto se centrará em reunir atores chaves com o fim de apoiar os esforços locais para adotar medidas efetivas contra a doença.

O lançamento é feito no marco das celebrações do Dia Mundial da Malária (25 de abril) e faz parte de um esforço concentrado para abordar a notável concentração da maioria dos casos de malária em apenas alguns municípios. Em 2017, por exemplo, 50% de todos os casos notificados de malária na região ocorreram em 25 municípios. Em nível nacional, entre 25% e 70% de todos os casos da doença geralmente estão concentrados em não mais do que três municípios.

“Está claro que agir onde o problema é mais concentrado é crucial para atingir as metas de eliminação da malária com as quais os países se comprometeram”, disse Marcos Espinal, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis e Determinantes Ambientais da Saúde da OPAS. “Organizações, cidadãos e autoridades do governo local devem estar envolvidas no desenvolvimento de intervenções-chave para a eliminação em nível municipal, se quisermos garantir que ninguém seja deixado para trás”, acrescentou.

A iniciativa apoia os municípios na adoção de medidas para combater a malária, incluindo o fortalecimento da vigilância e a capacidade de monitoramento em nível local; a melhoria do acesso ao diagnóstico e tratamento precoces; capacitação de comunidades; e aumento da conscientização sobre a importância do comportamento de se buscar atenção, entre outros aspectos.

O Relatório Mundial da Malária de 2018 da Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que o progresso no combate à doença estagnou mundialmente entre 2015 a 2017. Nas Américas, a malária ainda é endêmica em 19 países e territórios. Os casos aumentaram 26% no ano passado e se estima que cerca de 108 milhões de pessoas estejam em risco. Embora os países da região tenham expressado oficialmente seu compromisso com a eliminação, o apoio e os recursos locais ainda são inadequados em muitas áreas onde a transmissão permanece.

O tema do Dia Mundial da Malária de 2019 - “Malária zero começa comigo” - sublinha a necessidade de capacitar as comunidades para que se apropriem das metas, desafios e respostas à doença com o apoio da comunidade global. Somente abordando a malária em nível comunitário será possível atingir o objetivo comum de um mundo livre da doença.

Campeões da Malária com foco municipal

Em seu 11º ano, o prêmio Campeões contra a malária nas Américas, que homenageia as melhores práticas para superar os desafios impostos pela doença, servirá como uma plataforma chave para a promoção da nova iniciativa.

“Além de reconhecer os esforços para lidar com a malária, também devemos oferecer um foco renovado na fronteira final da eliminação nas Américas – municípios de alta carga”, disse Espinal. Para isso, foi lançada uma chamada para que os países indiquem um município que possa fazer parte do movimento. Os candidatos ideais são as cidades com altos níveis da doença, que estão comprometidas em termos de esforços e intenções. As indicações serão aceitas até 24 de maio de 2019.

Nos próximos anos, a OPAS trabalhará junto a esses municípios no combate à malária em nível local. "Nossa esperança é que a criação desta iniciativa nos ajude a dar origem a uma nova geração de campeões da malária", acrescentou Espinal.

O foco dos Campeões da Malária nas Américas nos municípios com alta carga da doença, por meio da iniciativa "Municípios eliminando a malária", é uma expressão concreta do compromisso da região das Américas com a eliminação da malária e a prevenção de seu restabelecimento. O enfoque renovado também está alinhado aos princípios-chave da OMS e da Aliança RBM para Acabar com a Malária "De alta carga ou alto impacto", que fomenta a priorização dos ambientes de alta carga.

Os prêmios são patrocinados pela OPAS/OMS, Fundação das Nações Unidas, Escola de Saúde Pública do Instituto Milken da Universidade George Washington (GWSPH), Centro Johns Hopkins para programas de Comunicação, o Consórcio Global da Escola Stempel de Saúde Pública e Trabalho da Universidade internacional da Flórida e Sociedade Americana de Medicina e Higiene Tropical.