Atualizada em março de 2019

Principais informações

  • A dengue é uma infecção viral transmitida por mosquitos.
  • A infecção provoca uma doença febril aguda e ocasionalmente se desenvolve em complicações potencialmente letais (dengue grave).
  • A incidência global da dengue cresceu drasticamente nas últimas décadas. Aproximadamente metade da população mundial está em risco de contrair a doença.
  • A dengue ocorre em climas tropicais e subtropicais, principalmente em áreas urbanas e semiurbanas.
  • A dengue grave é uma das principais causas de doenças graves e morte entre crianças em alguns países da Ásia e da América Latina.
  • Não existe tratamento específico para dengue ou dengue grave. No entanto, a detecção precoce e o acesso a cuidados médicos adequados reduzem as taxas de mortalidade para abaixo de 1%.
  • A prevenção e o controle da dengue dependem de medidas efetivas de controle de vetores.

A dengue é uma doença viral transmitida por mosquitos que nos últimos anos se espalhou rapidamente por todas as regiões da Organização Mundial da Saúde (OMS). O vírus da dengue é transmitido por mosquitos fêmea, principalmente da espécie Aedes aegypti e, em menor proporção, da espécie Aedes albopictus. Esses mosquitos também transmitem chikungunya e zika. A dengue é generalizada ao longo dos trópicos, com variações locais de risco influenciadas pela precipitação, temperatura e rápida urbanização não planejada.

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Crédito da foto: Tacio Philip Sansonovski/Shutterstock.com

Existem quatro distintos, porém intimamente relacionados, sorotipos do vírus que causa a dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). A recuperação da infecção fornece imunidade vitalícia contra o sorotipo adquirido. Entretanto, a imunidade cruzada para os outros sorotipos após a recuperação é apenas parcial e temporária. Infecções subsequentes aumentam o risco do desenvolvimento de dengue grave.

Carga global da dengue

A incidência da dengue tem crescido drasticamente em todo o mundo nas últimas décadas. O número real de casos da doença é subnotificado e muitos são classificados de forma equivocada. Estimativas recentes indicam 390 milhões de infecções por dengue por ano (95% de intervalo de credibilidade, 284-528 milhões), dos quais 96 milhões (67-136 milhões) se manifestam clinicamente, com qualquer gravidade da doença. Outro estudo sobre a prevalência da dengue estima que 3,9 bilhões de pessoas em 128 países estão em risco de infecção pelos vírus da doença.

Estados Membros em três regiões da OMS informam regularmente o número anual de casos. A quantidade de notificações aumentou de 2,2 milhões em 2010 para 3,2 milhões em 2015. Embora a carga global da doença seja incerta, o início de atividades para registrar todos os casos de dengue explica, em parte, o forte aumento no número de casos notificados nos últimos anos.

Outras características da doença incluem seus padrões epidemiológicos, como a hiperendemicidade de vários sorotipos do vírus da dengue em diversos países, e o impacto alarmante sobre a saúde humana e as economias nacionais e mundial.

Tendências de distribuição

Antes de 1970, apenas nove países haviam enfrentado epidemias de dengue grave. Essa doença agora é endêmica em mais de 100 países nas regiões da OMS da África, Américas, Mediterrâneo Oriental, Sudeste Asiático e Pacífico Ocidental. As regiões das Américas, Sudeste da Ásia e Pacífico Ocidental são as mais gravemente afetadas.

Casos nas Américas, Sudeste Asiático e Pacífico Ocidental excederam 1,2 milhão em 2008 e mais de 3,2 milhões em 2015 (com base em dados oficiais apresentados pelos Estados Membros). O número de casos relatados continua a aumentar. Em 2015, 2,35 milhões de casos de dengue foram notificados apenas nas Américas, sendo 10.200 casos diagnosticados na forma grave, causando 1.181 mortes.

Trata-se não apenas do número de casos aumentando à medida que a doença se espalha para novas áreas, mas da ocorrência de surtos de caráter explosivo. A ameaça de um possível surto de dengue existe agora na Europa, já que a transmissão local foi notificada pela primeira vez na França e na Croácia em 2010 e casos importados foram detectados em três outros países europeus. Em 2012, um surto de dengue na Ilha da Madeira, em Portugal, resultou em mais de 2 mil casos; casos importados foram identificados em Portugal Continental, além de 10 outros países da Europa. Entre viajantes que retornam de países de baixa e média renda, a dengue é a segunda maior causa de febre diagnosticada, logo após a malária.

Em 2014, tendências indicaram aumento no número de casos na República Popular da China, Ilhas Cook, Fiji, Malásia e Vanuatu, com dengue tipo 3 (DENV 3) afetando países insulares do Pacífico após um lapso de tempo de mais de 10 anos. A dengue também foi notificada no Japão após um lapso de mais de 70 anos.

Em 2015, Déli, na Índia, registrou seu pior surto desde 2006, com mais de 15 mil casos. A Ilha do Havaí e os Estados Unidos foram afetados por um surto com 181 casos notificados no mesmo ano e transmissão em curso em 2016. Os países insulares do Pacífico Fiji, Tonga e Polinésia Francesa continuaram a registrar casos.

O ano de 2016 foi caracterizado por grandes surtos de dengue em todo o mundo. As Américas registraram mais de 2,38 milhões de casos; sozinho, o Brasil contribuiu com quase 1,5 milhão de casos, número aproximadamente três vezes maior do que em 2014. Também foram notificadas 1.032 mortes por dengue na região. O Pacífico Ocidental registrou mais de 375 mil casos suspeitos de dengue em 2016 – as Filipinas relataram 176.411 casos e a Malásia 100.028, representando uma carga semelhante à do ano anterior para ambos os países. As Ilhas Salomão declararam um surto com mais de 7.000 casos suspeitos. Na Região Africana, Burkina Faso registrou um surto localizado de dengue com 1.061 casos prováveis.

Em 2017, houve uma redução significativa no número de casos de dengue nas Américas – de 2,1 milhões de casos em 2016 para 584.263 casos em 2017, uma diminuição de 73%. Panamá, Peru e Aruba foram os únicos países que registraram aumento de casos em 2017. Da mesma forma, uma redução de 53% nos casos de dengue grave também foi registrada durante 2017. No primeiro trimestre de 2018, uma redução de 27% dos casos foi observada em comparação com o mesmo período de 2017. No início de 2018, Paraguai e Argentina registraram surtos.

A região do Pacífico Ocidental da OMS registrou surtos de dengue em vários países, bem como a circulação dos sorotipos DENV-1 e DENV-2. Em 2018, a dengue também foi notificada em Bangladesh, Camboja, Índia, Mianmar, Malásia, Paquistão, Filipinas, Tailândia e Iêmen.

Estima-se que 500 mil pessoas com dengue grave precisam de hospitalização a cada ano, com uma taxa de 2,5% de fatalidade. Em todo o mundo, foi registrado um declínio de 28% nos casos de fatalidade entre 2010 e 2016, com uma melhoria significativa no manejo de casos por meio de capacitações em nível de país.

Transmissão

O mosquito Aedes aegypti é o principal vetor da dengue. O vírus é transmitido para humanos por meio da picada de mosquitos fêmea infectados. Após o período de incubação (4-10 dias), um mosquito infectado é capaz de transmitir o vírus pelo resto de sua vida.

Humanos infectados, sintomáticos ou assintomáticos, são os principais portadores e multiplicadores do vírus, servindo como uma fonte para mosquitos não infectados. Pacientes que já foram infectados com o vírus da dengue podem transmitir a infecção (por 4 a 5 dias, 12 dias no máximo) via Aedes após o aparecimento dos primeiros sintomas.

O mosquito Aedes aegypti vivem em habitats urbanos e se reproduz principalmente em recipientes artificiais. Ao contrário de outros mosquitos, o prefere se alimentar durante o dia; os picos de atividade são no início da manhã e antes do anoitecer. O mosquito fêmea pica diversas pessoas durante cada período de alimentação.

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O Aedes albopictus, vetor principal na Ásia, espalhou-se para a América do Norte e mais de 25 países da região europeia, em grande parte devido ao comércio internacional de pneus usados (criadouros) e outros bens (bambu da sorte, por exemplo). O Ae. Albopictus é altamente adaptável e, portanto, pode sobreviver em regiões temperadas mais frias na Europa. Sua propagação acontece em decorrência de sua tolerância a temperaturas abaixo de zero, hibernação e capacidade de se abrigar em micro-habitats.

Características

A suspeita de dengue ocorre quando há febre alta (40°C/104°F) acompanhada por pelo menos dois dos seguintes sintomas: dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, náusea, vômito, inchaço nas glândulas e erupções na pele. Os sintomas geralmente duram entre 2 e 7 dias, após o período de incubação de 4 a 10 dias depois da picada de um mosquito infectado.

A dengue grave é uma complicação potencialmente fatal devido ao vazamento de plasma, acúmulo de líquidos, dificuldade respiratória, hemorragia grave ou insuficiência de órgãos. Os sinais de alerta ocorrem entre 3 e 7 dias após os primeiros sintomas em conjunto com uma diminuição da temperatura corporal (abaixo de 38° C/100° F) e incluem: intensa dor abdominal, vômito persistente, respiração rápida, sangramento na gengiva, fadiga, inquietação e sangue no vômito. As 24-48 horas que seguem a fase crítica podem ser letais; é necessária assistência médica adequada para evitar complicações e risco de morte.

Tratamento

Não existe tratamento específico para a dengue. No caso de dengue grave, cuidados médicos fornecidos por profissionais de saúde experientes com efeitos e progressão da doença podem salvar vidas – diminuindo as taxas de mortalidade de mais de 20% para menos de 1%. A manutenção do volume de fluido corporal do paciente é de extrema importância no cuidado da dengue grave.

Imunização

A OMS recomenda aos países que considerem a introdução da vacina contra a dengue (CYD-TDV) somente em contextos geográficos (nacionais ou subnacionais) onde os dados epidemiológicos indicam uma elevada carga da doença.

Em abril de 2016, a OMS emitiu uma recomendação condicional sobre o uso da vacina em áreas nas quais a dengue é altamente endêmica, conforme definido pela soroprevalência de 70% ou mais. Em novembro de 2017, os resultados de uma análise adicional para determinar retrospectivamente o status sorológico no momento da vacinação foram liberados. A análise mostrou que o subconjunto de participantes do estudo que foram inferidos como sendo soronegativos no momento da primeira vacinação tinha um risco maior de dengue grave e hospitalizações em comparação aos participantes não vacinados.

Prevenção e controle

Atualmente, o principal método para controlar ou prevenir a transmissão do vírus da dengue é combater os mosquitos vetores da seguinte forma:

  • Evitando que mosquitos acessem criadouros por gestão ambiental e modificação;
  • Eliminando resíduos sólidos de forma adequada e removendo habitats artificiais;
  • Cobrindo, esvaziando e limpando semanalmente recipientes domésticos que possam armazenar água;
  • Aplicando inseticidas apropriados para recipientes de armazenamento de água ao ar livre;
  • Protegendo-se individualmente e protegendo a própria casa, usando telas nas janelas, roupas de mangas compridas, materiais tratados com inseticidas, bobinas e vaporizadores;
  • Reforçando a participação da comunidade e a mobilização para a sustentação do controle de vetores;
  • Aplicando inseticidas como espaço de pulverização durante os surtos, como medida de emergência para controle de vetores;
  • Monitorando ativamente e fazendo a vigilância dos vetores para determinar a eficácia das intervenções de controle.

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A detecção e o manejo clínico cuidadoso dos pacientes com dengue podem reduzir significativamente as taxas de mortalidade pela doença em sua forma grave.

Resposta mundial

A OMS responde à dengue da seguinte forma:

  • Apoiando países na confirmação de surtos por meio de sua rede colaborativa de laboratórios;
  • Fornecendo apoio técnico e orientações aos países para o manejo eficaz de surtos de dengue;
  • Apoiando países na melhoria de seus sistemas de notificação e identificando a verdadeira carga da doença;
  • Fornecendo treinamento em manejo clínico, diagnóstico e controle vetorial em nível regional junto aos seus centros colaboradores;
  • Formulando estratégias e políticas baseadas em evidências;
  • Desenvolvendo novas ferramentas, incluindo produtos inseticidas e tecnologias de aplicação;
  • Reunindo registros oficiais sobre dengue e dengue grave de mais de 100 Estados Membros; e
  • Publicando orientações e manuais para manejo de casos, diagnóstico, prevenção e controle da dengue para os Estados Membros.