ultraprocessados relatorio 201923 de outubro de 2019 – Alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas e fast-food com baixa qualidade nutricional estão substituindo comidas caseiras mais nutritivas nas dietas das famílias da América Latina e Caribe, o que gera efeitos alarmantes na saúde e requer regulações governamentais para reverter essa tendência.

O novo relatório “Alimentos e bebidas ultraprocessados na América Latina: vendas, fontes, perfis de nutrientes e implicações” (disponível em espanhol e inglês), o segundo do tipo publicado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), mostra que as vendas de alimentos e bebidas ultraprocessados cresceram 8,3% entre 2009 e 2014, o último ano com dados disponíveis, e prevê que aumentaram 9,2% de 2014 a 2019.

“Estamos observando o início de uma epidemia de consumo de alimentos ultraprocessados”, afirmou Fabio da Silva Gomes, assessor regional em nutrição da OPAS. “As vendas estão crescendo desproporcionalmente em comparação com as de outros alimentos, enchendo as mesas das famílias com produtos que não contribuem para uma boa saúde”, acrescentou.

A tendência é impulsionada pelo marketing e pela publicidade irrestrita desses produtos em um mercado praticamente sem regulação na região. “Precisamos que os governos estabeleçam políticas para restringir as vendas desses produtos. Os ultraprocessados não podem formar a base de nossa alimentação, não podem ser um produto essencial em nossas dietas”, destacou Gomes.

O relatório reúne informações sobre Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela, que juntos constituem 80% da população da América Latina e do Caribe. Além disso, analisa 250 produtos vendidos em 2014, divididos em 89 categorias, e indica quais excedem os níveis recomendados de açúcares livres, gordura total, gorduras saturadas ou sódio; e quais são os produtos específicos que contribuem com mais energia e nutrientes críticos.

Segundo o relatório, todos os produtos analisados continham quantidades excessivas de, pelo menos, um desses nutrientes críticos. Juntos, 43% do que esses produtos aportam é açúcar. Refrigerantes, lanches/petiscos doces e salgados, biscoitos, tortas, bolos, sobremesas e molhos foram listados como especialmente problemáticos.

Os alimentos ultraprocessados são formulações industriais principalmente a base de substâncias extraídas ou derivadas de alimentos, além de aditivos e cosméticos que dão cor, sabor ou textura para tentar imitar os alimentos. Esses produtos estão nutricionalmente desequilibrados. Contêm uma alta quantidade de açúcares livres, gorduras totais, gorduras saturadas e sódio; e uma baixa quantidade de proteína, fibra alimentar, minerais e vitaminas, em comparação com os produtos, pratos e comidas não processadas ou minimamente processadas.

O relatório anterior da OPAS sobre produtos ultraprocessados revelou que o aumento nas vendas (e consumo relacionado) estava associado a aumentos no peso corporal, o que indica que esses produtos são um importante impulsionador do crescimento nas taxas de sobrepeso e obesidade. Na Região, cerca de 360 milhões de pessoas, quase 60% da população, estão acima do peso.

O relatório recomenda que governos, sociedades científicas e organizações da sociedade civil apoiem e implementem políticas e regulações para desencorajar o consumo de produtos ultraprocessados, assim como proteger e promover a escolha de alimentos saudáveis.

Os resultados apresentados neste relatório apontam para a necessidade de fortalecer sistemas alimentares que protejam a saúde pública na América Latina e que sejam racionais, apropriados e sustentáveis. Isso requer compromisso e investimento como principais prioridades para os governos nacionais.

O relatório sugere a redução dos riscos à saúde causados por produtos ultraprocessados, reduzindo o consumo geral. Isso requer a implementação de políticas fiscais, bem como a regulação de rotulagem, promoção, publicidade e vendas de produtos ultraprocessados, especialmente nas escolas. Também recomenda o desenvolvimento de novas oportunidades de mercado para proteger e aumentar a produção, disponibilidade, acessibilidade e consumo de alimentos não processados e minimamente processados, bem como comidas caseiras frescas.

Alguns países, incluindo Barbados, Brasil, Chile, Dominica, México, Peru e Uruguai começaram a implementar uma ou mais dessas medidas, com bons resultados. As medidas estão alinhadas com o Plano de Ação da OPAS para prevenir a obesidade em crianças e adolescentes, que foi aprovado em 2014 e convoca a estabelecer limites estritos à comercialização de produtos alimentares que não são saudáveis para crianças.