240120 ncovoea24 de janeiro de 2020 –  A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa Etienne, instou os países da Região das Américas nesta sexta-feira (24) a estarem preparados para detectar, isolar e cuidar precocemente de pacientes infectados com o novo coronavírus, dada a possibilidade de receberem viajantes de países onde há transmissão do vírus.

"Os serviços de saúde têm que estar preparados, pois provavelmente serão o ponto de entrada onde casos do novo coronavírus serão detectados, como aconteceu em epidemias anteriores", afirmou Etienne. "A OPAS está pronta para apoiá-los. A detecção precoce de casos pode impedir a propagação da doença", disse a diretora durante uma sessão de informações para embaixadores na Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, Estados Unidos da América.

De acordo com o relatório de situação da OMS divulgado em 24 de janeiro, 846 casos confirmados de infecção por 2019-nCoV, 830 na República Popular da China. Desses, 177 casos foram identificados como graves e 25 pacientes morreram. Dos casos confirmados, 80% ocorreram entre pessoas com mais de 40 anos; 64% eram homens.

O restante dos casos foi notificado na Tailândia (4), Japão (2), Hong Kong (2), República da Coreia (2), Macau (2) e Singapura (1). Nas Américas, os Estados Unidos confirmaram dois casos de viajantes provenientes da China e outros países descartaram ou estão investigando possíveis infecções.

Em Wuhan, República Popular da China, profissionais de saúde foram um dos grupos afetados, algo que colocou os serviços de saúde sob pressão. Por esse motivo, Etienne enfatizou a importância de informar e capacitar esses trabalhadores na Região e promover entre eles o uso de equipamentos de prevenção de infecções para protegê-los de qualquer doença.

A diretora da OPAS mencionou que a Organização ativou seu sistema de manejo de incidentes, já que desde o início de janeiro tem compartilhado informações com os Ministérios da Saúde por meio dos canais do Regulamento Sanitário Internacional (RSI) e de seus representantes nos países. Etienne também manifestou que continuará atualizando informações sobre o que os países podem fazer para responder de forma efetiva a este novo vírus, ainda cercado de incertezas.

Nos dias 22 e 23 de janeiro, o diretor-geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, convocou o Comitê de Emergência para avaliar se o surto na República Popular da China constitui uma emergência de saúde pública de interesse internacional. O diretor-geral da OMS decidiu não declarar uma emergência de saúde pública no momento. No entanto, disse que se trata de uma emergência na China e que o surto representa um alto risco em níveis regional e global.

"O fato de a OMS não ter declarado emergência não significa que não estamos enfrentando um grande desafio na saúde pública", alegou o vice-diretor da OPAS, Jarbas Barbosa. "Com a globalização e as viagens internacionais, não é inesperado que os países da Região possam receber pessoas com o vírus", disse, esclarecendo que "ter um caso importado não é o mesmo que ter transmissão local ou sustentada em um país".

O diretor do Departamento de Emergências da OPAS, Ciro Ugarte, enfatizou que a vigilância epidemiológica para a detecção precoce de casos, bem como o manejo de pacientes com equipamentos de proteção adequados, podem limitar a transmissão de pessoa para pessoa, reduzir a possibilidade de que casos secundários ocorram e impedem a propagação da doença.

"A natureza do 2019-nCoV é muito semelhante à da gripe e os sintomas são semelhantes aos da SARS (síndrome respiratória aguda grave): febre, tosse, falta de ar e pneumonia", disse Ugarte. Ele acrescentou que o tratamento para o novo coronavírus ainda é desconhecido e que não há vacina disponível.

Links

Informações atualizadas sobre o novo coronavírus

Relatórios de situação da OMS sobre o 2019-nCov

Atualização epidemiológica - Novo coronavírus (nCoV) - 20 de janeiro de 2020 (OPAS)