coronavirus shutterstock Nedelcu Paul Petru12 de fevereiro de 2020 – Algumas das principais instituições especializadas em saúde do mundo, inclusive do Brasil, se reuniram na sede da Organização Mundial da Saúde, em Genebra, para avaliar o nível atual de conhecimento sobre a nova doença COVID-19, identificar lacunas e trabalhar em conjunto, a fim de acelerar e financiar pesquisas prioritárias necessárias para ajudar a interromper o surto atual e a se preparar para futuros surtos.

O fórum de dois dias foi realizado em linha com o Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento da OMS – uma estratégia para desenvolver medicamentos e vacinas antes de as epidemias ocorrem, além de acelerar a pesquisa e o desenvolvimento enquanto elas ocorrem.

“Esse surto é um teste de solidariedade – política, financeira e científica. Precisamos nos unir para combater um inimigo comum que não respeita fronteiras, garantir que tenhamos os recursos necessários para encerrar esse surto e trazer nossa melhor ciência para a linha de frente, a fim de encontrarmos respostas compartilhadas para problemas comuns. A pesquisa é uma parte integral da resposta ao surto”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Agradeço a resposta positiva da comunidade de pesquisa ao se juntar a nós em pouco tempo e apresentar planos concretos e o compromisso de trabalhar conjuntamente”.

A reunião, realizada em colaboração com o GloPID-R (the Global Research Collaboration for Infectious Disease Preparedness, uma colaboração global em pesquisa para ações de preparo na área de doenças infecciosas), reuniu os principais financiadores de pesquisa e mais de 300 cientistas e pesquisadores de uma grande variedade de setores. Eles discutiram todos os aspectos do surto e maneiras de controlá-lo, incluindo:

  • a história natural do vírus, sua transmissão e diagnóstico;
  • pesquisa sobre animais e meio ambiente na procura pela origem do vírus, incluindo medidas de manejo na interface homem-animal;
  • estudos epidemiológicos;
  • caracterização clínica e manejo da doença causada pelo vírus;
  • prevenção e controle de infecções, incluindo as melhores maneiras de proteger os profissionais de saúde;
  • pesquisa e desenvolvimento para possíveis terapias e vacinas;
  • considerações éticas para pesquisa;
  • e integração das ciências sociais na resposta ao surto.

“Essa reunião nos permitiu identificar as prioridades urgentes para a pesquisa. Como grupo de doadores, continuaremos a mobilizar, coordenar e alinhar nosso financiamento para permitir a pesquisa necessária ao enfrentamento desta crise e interromper o surto, em parceria com a OMS”, disse o professor Yazdan Yazdanpanah, presidente do GloPID-R. “Acesso equitativo – garantir que vamos compartilhar dados e chegar aos mais necessitados, em particular nos países de baixa e média renda – é fundamental para este trabalho, que deve ser guiado por considerações éticas em todos os momentos”.

Durante a reunião, os mais de 300 cientistas e pesquisadores participantes, tanto pessoalmente quanto virtualmente, concordaram com um conjunto de prioridades globais de pesquisa. Eles também delinearam mecanismos para continuar interações e colaborações científicas além da reunião, que serão coordenadas e facilitadas pela OMS. Eles trabalharam com financiadores de pesquisas para determinar como os recursos necessários podem ser mobilizados para que a pesquisa crítica possa começar imediatamente.

As deliberações formarão a base de um roadmap (roteiro) de pesquisa e inovação, mapeando toda a pesquisa necessária e isso será usado por pesquisadores e financiadores para acelerar a resposta da pesquisa.

Nota aos editores
O GloPID-R é uma aliança global de organizações internacionais de financiamento à pesquisa que investem em preparação e resposta a epidemias.

Entre os membros, estão as instituições brasileiras Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Butantã e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Imagem: Nedelcu Paul Petru/Shutterstock.com (imagem meramente ilustrativa)