aedes shutterstock mycteria24 de agosto de 2020 – As doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue, zika e chikungunya, matam cerca de 700 mil pessoas por ano no mundo. Para evitar esta estatística, iniciativas para controle das arboviroses, como a liberação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia no meio ambiente, têm sido implementadas por diversos países, inclusive o Brasil.

Quando estes mosquitos têm a bactéria Wolbachia, o vírus da dengue, zika e chikungunya não se desenvolvem dentro deles, contribuindo para a redução destas doenças.

Por meio do World Mosquito Program, conduzido no Brasil pela Fiocruz, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) concluiu a avaliação externa da Wolbachia na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro. O resultado preliminar, de acordo com análise do Grupo de Avaliação Externa de Novas Tecnologias (GEENT, sigla em espanhol) da OPAS, realizada em março deste ano, apontou redução de 75% nos casos de chikungunya devido ao uso de mosquitos com Wolbachia na região. A comparação foi feita com outras áreas da cidade onde não houve liberação de mosquitos. O número permaneceu o mesmo em novo monitoramento feito em junho, reforçando o resultado. Os dados são preliminares e relacionados apenas à chikungunya porque, neste ano, houve baixo registro de circulação dos vírus da dengue e zika no município.

A cidade de Niterói é pioneira no Brasil no uso da nova técnica de prevenção das arboviroses. Na opinião dos especialistas do GEENT, os resultados, até o momento, são promissores, embora haja entendimento da necessidade de mais pesquisas na área. A comitiva da OPAS verificou também, por meio do Modelo de Aceitação Pública do World Mosquito Program, que o projeto é bem aceito pela população, gestores públicos e membros da comunidade. Essa é uma etapa importante do projeto, já que as liberações de mosquitos com a bactéria Wolbachia devem ser feitas com frequência, até que a bactéria se estabeleça no território.

A manutenção dos mosquitos com a bactéria foi outro ponto importante analisado pelo grupo de avaliação externa da OPAS, que identificou diferença nos níveis de estabelecimento da Wolbachia na cidade, exigindo liberações adicionais de mosquitos. Essa constatação ocorreu porque o Brasil possui um sistema de vigilância das arboviroses bem estabelecido, que possibilitou o monitoramento contínuo do mosquito Wolbachia na região. A infraestrutura municipal de saúde associada à Estratégia de Saúde da Família (ESF) conta com agentes de controle de zoonoses e os agentes comunitários de saúde que trabalharam juntos para o sucesso do projeto.

Em Niterói, houve participação ativa e envolvimento da gerência entre os diferentes níveis de governo com WMP/Fiocruz, incluindo a contribuição financeira do nível nacional, pelo Ministério da Saúde do Brasil, tanto no projeto Wolbachia, quanto na disponibilização de todos os recursos e infraestrutura para uma avaliação externa, além dos recursos humanos do município.

Considerando os diferentes ambientes existentes no Brasil, o Ministério da Saúde se propõe a implementar o projeto Wolbachia em todas as regiões do Brasil para avaliar o comportamento do Aedes aegypti com a bactéria em cada local e seu impacto no cenário epidemiológico. Além de Campo Grande (MS), Petrolina (PE) e Belo Horizonte (MG), que iniciaram o projeto em 2019, a pasta estuda implementar a tecnologia em mais três municípios: Fortaleza (CE), Foz do Iguaçu (PR) e Manaus (AM).

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