2 de fevereiro de 2017

Onde estamos um ano após a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciar o zika como uma emergência de saúde pública? A propagação internacional continuou, enquanto a vigilância melhorou. Abordagens inovadoras para o controle de mosquitos estão sendo aplicadas em países de forma piloto, em conformidade com as recomendações da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS). A OPAS/OMS fornecerá orientações contínuas para intervenções eficazes e apoio a famílias, comunidades e países onde o vírus zika circula.

 then now tomorrow enrique vazquez

Atualizado em fevereiro de 2017

Como as pessoas são infectadas pelo vírus zika?

O vírus zika é transmitido primariamente às pessoas por meio da picada de um mosquito Aedes infectado, que também pode transmitir chikungunya, dengue e febre amarela.

O vírus zika também pode ser transmitido por meio de relação sexual e foi detectado em sêmen, sangue, urina, líquido amniótico e saliva, bem como em fluidos corporais encontrados no cérebro e medula espinhal.

O vírus zika pode representar um risco para a segurança do sangue. Pessoas que doaram sangue são encorajadas a notificar ao serviço de transfusão de sangue se, subsequentemente, apresentaram sintomas de infecção pelo zika ou se foram diagnosticadas dentro de 14 dias depois da doação de sangue.

Quais são os sintomas da infecção pelo vírus zika?

O vírus zika geralmente causa uma doença leve. Os sintomas mais comuns incluem febre baixa ou erupção cutânea (exantema), que aparecem alguns dias após a picada do mosquito infectado. Embora muitas pessoas com o vírus não apresentem sintomas, outras podem sofrer também de conjuntivite, dores musculares e articulares e cansaço. Os sintomas costumam durar de dois a sete dias. Não existe diferença nos sintomas registrados por gestantes infectadas e mulheres não grávidas.

Como a infecção pelo vírus zika é diagnosticada?

O diagnóstico é baseado nos sintomas e no histórico recente do paciente (como picadas de mosquitos ou viagens para áreas com circulação do vírus). Testes laboratoriais podem confirmar a presença do zika no sangue, entretanto, esse diagnóstico pode não ser tão confiável, já que o vírus poderia reagir de forma cruzada com outros vírus como o da dengue e febre amarela. Um teste confiável de diagnóstico é uma prioridade nas áreas de pesquisa e desenvolvimento.

Como o vírus zika é tratado?

Os sintomas da doença podem ser tratados com medicamentos comuns para dor e febre, descanso e reposição de líquidos. Se os sintomas piorarem, as pessoas devem procurar auxílio médico.

ZIKA E COMPLICAÇÕES NEUROLÓGICAS

O que é microcefalia?

A microcefalia é uma condição em que a cabeça do bebê é menor do que a cabeça de crianças com a mesma idade e mesmo sexo. Ela acontece tanto quando há problemas no útero, o que faz com que o cérebro do bebê pare de crescer adequadamente, o que também pode ocorrer após o nascimento. Crianças nascidas com microcefalia muitas vezes apresentam dificuldades de desenvolvimento à medida que envelhecem. Em alguns casos, crianças com essa condição se desenvolvem normalmente. A microcefalia pode ser causada por uma variedade de fatores ambientais e genéticos, como a Síndrome de Down; exposição a drogas, álcool ou outras toxinas no útero; e infecção por rubéola durante a gravidez.

O que é a síndrome congênita do vírus zika?

Além da microcefalia congênita, uma série de manifestações têm sido notificadas entre bebês com até quatro meses de idade expostos ao vírus zika no útero. Entre elas, estão malformações na cabeça, movimentos involuntários, convulsões, irritabilidade e disfunção do tronco cerebral, com problemas de deglutição, contraturas de membros, anormalidades de audição e visão e anomalias cerebrais. Outras consequências associadas à infecção pelo vírus zika no útero podem envolver abortos espontâneos e natimortos. O espectro de anormalidades congênitas associadas à exposição dos fetos a esse vírus durante a gestação é conhecido como "síndrome congênita do vírus zika".

Nem todas as crianças com síndrome congênita do vírus zika apresentam microcefalia. Por outro lado, a ausência de sinais da síndrome, principalmente quando avaliada no útero, não significa necessariamente que o feto ou recém-nascido não tenha anormalidades. Um exemplo: anormalidades auditivas não podem ser avaliadas no útero, apenas após o nascimento. Alguns sinais, como convulsões, também se desenvolvem após esse período.

O que é Síndrome de Guillain-Barré?

A Síndrome de Guillain-Barré é uma condição rara na qual o sistema imunológico de uma pessoa ataca seus nervos. Pessoas de todas as idades podem ser afetadas, mas a doença é mais comum em homens adultos. A maioria das pessoas se recupera completamente, inclusive nos casos mais graves da Síndrome de Guillain-Barré. Em 20% a 30% das pessoas com essa condição, os músculos peitorais são afetados, o que dificulta a respiração. Casos graves são raros, mas podem resultar em paralisia quase total e/ou morte.

Qual é a relação entre o zika, a microcefalia e a síndrome de Guillain-Barré?

Com base em uma revisão sistemática recente publicada de pesquisas atuais, a OMS reafirmou seu posicionamento de que a infecção pelo vírus zika durante a gravidez é uma causa de anormalidades cerebrais congênitas, incluindo microcefalia, e refinou sua posição sobre a relação entre o zika e a síndrome de Guillain-Barré, afirmando que a infecção pelo vírus é um gatilho para essa condição.

Quais eventos levaram a OMS a investigar uma relação de causalidade?

Um surto de zika no Brasil, identificado no início de 2015, foi seguido de um aumento anormal de microcefalia entre os recém-nascidos, bem como um aumento no número de casos de Síndrome de Guillain-Barré. Em 2013 e 2014, o vírus zika causou um surto na Polinésia Francesa com cerca de 28 mil pessoas infectadas, incluindo casos da Síndrome de Guillain-Barré. Os surtos nas Américas levaram a uma nova investigação do que ocorreu no país. Olhando retrospectivamente, essa epidemia pode ter sido ligada também à microcefalia. Pesquisas sobre a propagação geográfica do vírus zika e suas consequências continuam.

Há outras explicações para a microcefalia e a Síndrome de Guillain-Barré?

A Síndrome de Guillain-Barré e a microcefalia são condições com um número de causas subjacentes, gatilhos e efeitos neurológicos. A microcefalia pode resultar, entre outras coisas, de infecções durante a gravidez, exposição a produtos químicos tóxicos e anormalidades genéticas. A Síndrome de Guillain-Barré é frequentemente precedida por uma infecção, que pode ser bacteriana ou viral. Essa condição também pode ser engatilhada por administração de vacinas e cirurgias.

Os cientistas não excluem a possibilidade de que outros fatores podem se combinar à infecção pelo vírus zika e causar distúrbios neurológicos. Um melhor entendimento da infecção pelo vírus zika e suas consequências é uma das prioridade de pesquisa.


MOSQUITOS TRANSMITINDO O VÍRUS ZIKA

Em quais locais o vírus zika circula?

A transmissão local do vírus zika pelos mosquitos Aedes tem sido notificada nos continentes da África, nas Américas, no sudeste asiático e no Pacífico Ocidental.

Existem dois tipos de mosquitos Aedes conhecidos por serem capazes de transmitir o zika. Na maioria dos casos, ele é propagado pelo Aedes aegypti em regiões tropicais e subtropicais. O Aedes albopictus também transmite o vírus e pode hibernar para sobreviver em regiões com temperaturas mais baixas. Ambas as espécies procriam e vivem perto ou dentro de habitações humanas, preferindo picar seres humanos a animais.

Um estudo conduzido pela Fiocruz Pernambuco detectou a presença do vírus zika em mosquitos Culex quinquefasciatus. Estudos laboratoriais recentes têm mostrado que as espécies Culex são experimentalmente incapazes de transmitir o vírus zika e é improvável que eles desempenhem um papel na atual epidemia.

O Aedes pode voar de um país ao outro ou de uma região a outra?

O Aedes não consegue voar por mais de 400 metros. Entretanto, existe a possibilidade do mosquito ser transportado de um lugar para outro acidentalmente e introduzir o vírus zika em novas áreas.

VIGILÂNCIA DO MOSQUITO E CONTROLE

Qual o papel da vigilância do mosquito em relação ao vírus zika?

O monitoramento dos números e distribuição geográfica dos mosquitos ao longo do tempo (vigilância) ajuda na tomada de decisões adequadas e oportunas sobre a melhor forma de manejar populações de mosquitos.

A vigilância pode servir para identificar áreas onde tenha ocorrido uma infestação de alta densidade de mosquitos ou períodos nos quais a população de mosquitos aumenta. Nas áreas nas quais os mosquitos não estão mais presentes, a vigilância do mosquito é fundamental para detectar a introdução de novos mosquitos antes que eles se espalhem e se tornem difíceis de eliminar. O monitoramento da suscetibilidade das populações de mosquitos aos inseticidas também deve ser parte integrante de qualquer programa que utilize esses produtos. A vigilância é um componente importante do programa de prevenção e controle, uma vez que fornece as informações necessárias para avaliações de risco, resposta às epidemias e avaliação do programa.

Qual o papel do controle vetorial em relação ao vírus zika?

O controle de mosquitos é um importante componente de prevenção e gerenciamento do vírus zika e complicações. A OMS encoraja os países afetados e seus parceiros a intensificar o uso das atuais intervenções de controle dos mosquitos como a linha de defesa mais imediata. A OMS recomenda abordagens que ataquem todos os estágios de vida do mosquito Aedes, desde os ovos, estágio larval até a vida adulta.

Entre as intervenções atuais estão a borrifação residual direcionada às áreas de repouso de mosquitos Aedes adultos; a pulverização de inseticidas a ultra-baixo volume com equipamento costal motorizado e termo-nebulização manual no intra e peridomicílio onde os mosquitos descansam e picam; eliminação de larvas do mosquito Aedes em criadouros com água parada e proteção pessoal contra picadas de mosquitos. Se os métodos atuais são implementados de uma forma oportuna, abrangente e sustentável, com a participação da comunidade, junto com outras medidas, o controle vetorial pode ser eficaz. Além disso, a OMS encoraja os países e seus parceiros a testarem judiciosamente novas ferramentas de controle que podem ser potencialmente aplicadas no futuro.

As recomendações de controle de vetores da OMS dirigidas às espécies Aedes também são muito eficientes contra outros mosquitos vetores. A gama de métodos para reduzir mosquitos, incluindo a pulverização das paredes dentro das casas, pulverização em espaços internos, controle larval e eliminação de criadouros. O controle do mosquito é recomendado junto às medidas de proteção pessoal, como o uso de repelentes, uso de mosquiteiros durante o dia e à noite, redes em janelas e portas e telas de malha de arame.

PROTEÇÃO CONTRA O VÍRUS TRANSMITIDO POR MOSQUITOS

O que as pessoas podem fazer para se protegerem da picada de mosquitos?

A melhor forma de se proteger contra o zika é prevenir as picadas de mosquitos. Entre as medidas de proteção estão:

  • Vestir roupas que cubram o máximo possível do corpo (preferencialmente de cores claras);

  • Usar repelentes que contenham DEET (diethyltoluamide) ou IR 3535 ou Icaridin, que são os princípios ativos mais comuns em repelentes. O produto deve ser aplicado nas áreas expostas da pele ou nas roupas e deve ser utilizado de acordo com as instruções do rótulo, especialmente no que diz respeito à duração da proteção e tempo de reaplicação. Se repelentes e protetores solares forem usados juntos, o protetor deve ser aplicado primeiro e o repelente em seguida.

  • Utilizar barreiras físicas, tais como telas comuns ou tratadas com inseticidas em janelas e portas;

  • Dormir embaixo de mosquiteiros durante o dia e à noite;

  • Identificar e eliminar potenciais criadouros de mosquitos, esvaziando, limpando ou cobrindo recipientes com água (baldes, vasos de flores e pneus);

  • Programas nacionais podem direcionar corpos de água e resíduos de esgoto (saídas de tanques sépticos devem ser cobertas) com intervenções de água e saneamento.

Como as mulheres grávidas podem se proteger das picadas de mosquitos?

Mulheres que estão grávidas ou planejam a gravidez e seus parceiros sexuais devem ter um cuidado extra na hora de se protegerem das picadas do mosquito que transmite o vírus zika. Gestantes que moram em áreas onde há transmissão do zika devem seguir as mesmas orientações de prevenção que a população em geral.

Não há evidências de riscos à saúde associados ao uso de repelentes de insetos que contêm DEET, IR 3535 ou Icaridin em mulheres grávidas, desde que o produto seja utilizado de acordo com as instruções do rótulo.

Gestantes que vivem em áreas com transmissão do vírus zika em andamento  devem frequentar regularmente suas consultas pré-natais de acordo com os padrões nacionais  e cumprir as recomendações de seus provedores de saúde. Devem também iniciar as consultas pré-natais precocemente para diagnóstico, cuidados apropriados e acompanhamento se desenvolverem qualquer sinal ou sintoma de infecção pelo vírus zika.

PREVENÇÃO DA TRANSMISSÃO SEXUAL DO VÍRUS ZIKA

O que as pessoas podem fazer para se protegerem da transmissão sexual do vírus zika?

Em regiões com transmissão ativa do vírus zika, os programas de saúde devem assegurar que:

  • Todas as pessoas (homens e mulheres) que foram infectadas pelo vírus zika e seus parceiros sexuais – particularmente mulheres grávidas – devem receber informações sobre os riscos da transmissão sexual do zika.

  • Homens e mulheres tenham acesso a preservativos e recebam aconselhamento sobre práticas sexuais seguras (inclusive, uso correto e consistente de camisinhas masculinas e femininas, sexo sem penetração, redução do número de parceiros sexuais e adiamento da primeira relação sexual).

  • Os homens e mulheres sexualmente ativos devem ser aconselhados corretamente e terem acesso a uma gama completa de métodos anticoncepcionais para poder fazer uma escolha informada sobre se e quando engravidar, a fim de evitar possíveis efeitos adversos na gravidez e no feto.

  • Gestante pratiquem sexo seguro ou se abstenham de atividades sexuais durante, pelo menos, toda a duração da gravidez.

  • Mulheres grávidas devem ser aconselhadas a não viajar para áreas com surto do vírus zika em curso.

Em regiões onde a transmissão do vírus zika não é ativa, os programas de saúde devem assegurar que:

  • Homens e mulheres que retornam de áreas onde o zika circula devem praticar sexo seguro ou considerar abstinência por ao menos 6 meses após o retorno para prevenir infecção sexual do vírus zika.

  • Casais ou mulheres que planejam uma gravidez e que estão voltando de áreas onde a transmissão do vírus zika ocorre, são aconselhados a esperar pelo menos 6 meses antes de tentar conceber para garantir que não há mais possibilidade de infecção pelo vírus zika.

  • Os parceiros sexuais de mulheres grávidas, regressando de áreas onde a transmissão do vírus zika ocorre, devem ser aconselhados a praticar sexo seguro ou se abster de atividade sexual durante pelo menos toda a duração da gravidez.

O que as mulheres expostas ao sexo sem proteção, que não desejam engravidar pela possibilidade de infecção pelo zika, devem fazer?

Todas as mulheres e meninas devem ter fácil acesso à contracepção de emergência, incluindo informações e aconselhamento precisos, bem como métodos acessíveis.

PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE VACINAS

Qual seria o público-alvo para vacinação contra o vírus zika?

Em emergências, nós nos concentramos na prevenção da mais debastadora manifestação da doença, que, neste contexto, é a síndrome congênita do vírus zika. Essa é uma condição que ocorre em recém-nascidos e lactentes que foram expostos à infecção pelo zika no útero. Por isso, as mulheres em idade fértil são o grupo prioritário para vacinação. Se os recursos permitirem, homens em idade reprodutiva seriam uma segunda população-alvo.

Quais medidas são necessárias para garantir uma vacina segura e eficaz?

Uma série de medidas deve ser tomada para garantir que as vacinas contra qualquer doença sejam seguras e eficazes. Os requisitos exatos dependem da autoridade nacional responsável pela regulamentação da aprovação e licenciamento das vacinas, da gravidade da doença, da quantidade e distribuição da doença e da população-alvo. No caso do vírus zika, após uma avaliação rigorosa em estudos pré-clínicos, as vacinas candidatas serão testadas em um pequeno número de voluntários (ensaios de Fase I e Fase II) para provar sua segurança e capacidade, além da dosagem necessária para produzir resposta imune, minimizando quaisquer efeitos colaterais. Os ensaios de Fase II e III precisam demonstrar que a vacina protege a população-alvo.

Qual é o status atual do desenvolvimento da vacina contra o vírus zika?

A OMS está monitorando as vacinas candidatas no processo de pesquisa e desenvolvimento. Nós temos verificado as bases de dados dos ensaios clínicos em curso e estudos publicados, bem como dialogado com desenvolvedores a respeito de onde estão no processo – da pesquisa básica para a avaliação clínica até a aprovação regulatória, produção e, por fim, comercialização. Em janeiro de 2017, cerca de 40 vacinas candidatas estavam em processo de pesquisa e desenvolvimento. Cinco delas estão entrando, ou estão prestes a entrar, em ensaios de Fase I, nos quais a segurança da vacina e a capacidade de produzir uma resposta imune é avaliada. Espera-se que várias outras vacinas candidatas sigam para os ensaios de Fase I nos próximos meses.

Como a OMS está acelerando a pesquisa e o desenvolvimento da vacina contra o vírus zika?

As atividades de pesquisa e desenvolvimento sobre o vírus zika são coordenadas pelo R&D Blueprint for Action to Prevent Epidemics (um plano de pesquisa e desenvolvimento para ações de prevenção a epidemias) da OMS. Trata-se de um plano estratégico que permite à comunidade de pesquisa e desenvolvimento e aos reguladores acelerar a disponibilidade de testes diagnósticos eficazes, vacinas e medicamentos que possam ser usados para salvar vidas de doenças para as quais existem poucas ou nenhuma contramedida médica. O vírus zika é uma das diversas enfermidades prioritárias que se beneficiam do Blueprint (plano de pesquisa e desenvolvimento).

Quando uma vacina contra o vírus zika poderá estar disponível?

O registo da primeira geração de vacinas contra o vírus zika pode começar em 2 a 3 anos. Muitas autoridades reguladoras têm mecanismos fast-track (mecanismos que agilizam os trâmites) para revisão e aprovação de vacinas urgentemente necessárias.

Quais são as características de uma vacina ideal contra o vírus zika?

A OMS está ajudando a moldar o desenvolvimento de vacinas por meio da criação de um perfil de produto-alvo para vacinas de uso emergencial. O perfil especifica as características mínimas e desejáveis para tais produtos. Por exemplo: é preferível a administração de uma dose única da vacina contra o zika. No entanto, são aceitáveis até duas doses. A vacina deve proteger por pelo menos um ano em um contexto de emergência, mas o desejável é a imunização por vários anos. A vida útil de uma vacina deve ser de pelo menos 12 meses a menos de 20° C.

Quais são os desafios de pesquisa e desenvolvimento da vacina contra o zika?

O desenvolvimento de uma vacina contra o vírus zika é complexo. Por exemplo, ainda enfrentamos muitas incertezas sobre a doença e suas complicações. Avaliar as vacinas candidatas em áreas com baixa transmissão não é fácil. Precisamos desenvolver testes diagnósticos que possam diferenciar a infecção por zika de outras infecções virais semelhantes. Conseguir uma vacina segura e eficaz para mulheres em idade fértil poderia, no entanto, ser tecnicamente viável, com base na experiência com o desenvolvimento de vacinas para outros vírus semelhantes, como os da febre amarela, encefalite japonesa e encefalite transmitida por carrapatos.

O que acontecerá quando uma vacina estiver disponível?

Assim que a vacina estiver disponível, o Grupo Consultivo Estratégico de Peritos (Strategic Advisory Group of Experts – SAGE) sobre Vacinação, principal grupo consultivo da OMS sobre imunização, realizará uma revisão abrangente das evidências e emitirá recomendações ao(a) Diretor(a)-Geral da OMS sobre o uso otimizado de uma vacina para impacto na saúde pública. A OMS publica recomendações oficiais baseadas nas recomendações do SAGE, o que permite a pré-qualificação e compra pelas agências da ONU.

GRAVIDEZ

Mulheres podem transmitir o vírus zika para seus fetos durante a gravidez ou no momento do parto?

A transmissão do vírus zika de mulheres grávidas para seus fetos foi documentada.

Embora a infecção pelo vírus zika na gravidez seja uma doença tipicamente leve, um aumento incomum nos casos de microcefalia congênita e outras complicações neurológicas em áreas onde surtos ocorreram têm aumentado significativamente a preocupação com as mulheres grávidas e suas famílias, assim como entre os profissionais de saúde e elaboradores de políticas. Gestantes em geral, incluindo aquelas que desenvolveram sintomas de infecção pelo vírus zika, devem visitar seus provedores de saúde para um monitoramento frequente de suas gravidezes.

O que as mulheres que desejam adiar suas gravidezes por preocupação com a microcefalia devem fazer?

A decisão de engravidar e de quando engravidar deve ser pessoal, com base em informações completas e acesso a serviços de saúde de qualidade. Mulheres que desejam adiar a gravidez devem ter acesso a uma ampla gama de opções de contracepção reversíveis, de longo ou curto efeito. Elas também devem ser aconselhadas sobre a dupla proteção contra infecções sexualmente transmissíveis, por meio do uso de preservativos.

Não são conhecidos problemas de segurança sobre o uso de quaisquer métodos anticoncepcionais hormonais ou de barreira para mulheres e adolescentes em risco de infecção pelo zika, mulheres diagnosticadas com o vírus ou mulheres e adolescentes em tratamento contra a infecção pelo zika.

Como as mulheres podem conduzir suas gravidezes no contexto do vírus zika e suas consequências?

A maioria das mulheres em áreas afetadas pelo vírus zika darão à luz bebês saudáveis. A ultrassonografia em tempo oportuno não prevê com segurança malformações no feto. A OMS recomenda que o exame seja repetido no segundo ou terceiro trimestre (preferencialmente entre 28 e 30 semanas) para identificar se há microcefalia no feto e/ou quaisquer anormalidades no cérebro, quando elas são mais fáceis de detectar.

Quando possível, a triagem do líquido amniótico em busca de anormalidades ou infecções congênitas, incluindo o vírus zika, é recomendada, especialmente nos casos onde os testes feitos com mulheres foram negativos para zika, mas seus ultrassons indicam anormalidades no cérebro do feto.

Com base no prognóstico de anormalidades cerebrais associadas ao bebê, a mulher – e seu parceiro, se ela desejar – deve receber aconselhamento não-diretivo para que ela, em consulta com profissionais de saúde, possa ter decisões baseadas em informações sobre os próximos passos no gerenciamento de sua gravidez.

Mulheres que carregam a gravidez a termo devem receber os cuidados e apoio adequados para gerenciar a ansiedade, o estresse e o ambiente de nascimento. Os planos para cuidado e manejo do bebê logo após seu nascimento devem ser discutidos com os pais em consulta com um pediatra ou neurologista quando possível.

As mulheres que desejam interromper a gravidez devem receber informações precisas sobre suas opções para toda a extensão da lei, incluindo a redução de danos onde o cuidado desejado não está prontamente disponível.

As mulheres, independentemente das suas escolhas individuais em relação à gravidez, devem ser tratadas com respeito e dignidade.

Mães infectadas pelo vírus zika podem amamentar seus bebês?

A OMS recomenda o aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida também no contexto do zika. O vírus foi detectado no leite materno, mas não há atualmente nenhuma evidência de que seja transmitido aos bebês por meio da amamentação.

VIAGENS

O que as pessoas que viajam para áreas afetadas pelo zika devem fazer?

Os viajantes devem se manter informados sobre o vírus zika e outras doenças transmitidas por mosquitos, como chikungunya, dengue e febre amarela, e consultar as autoridades locais de saúde e viagens, caso estejam preocupados.

Mulheres grávidas devem ser aconselhadas a não viajar para áreas onde há transmissão do zika em curso; gestantes cujos parceiros sexuais vivem em ou viajam para áreas com transmissão do vírus devem assegurar práticas sexuais mais seguras ou se abster de relações sexuais durante o período da gravidez.

RESPOSTA AO VÍRUS ZIKA

Qual é a resposta da OMS ao vírus zika?

O vírus zika e suas complicações, como a microcefalia e a síndrome de Guillain-Barré, representam um novo tipo de ameaça à saúde pública com consequências a longo prazo para as famílias, comunidade e países. A OMS e seus parceiros apoiam os países na preparação e resposta ao zika. Os principais pilares de trabalho, conforme delineado no Plano Estratégico de Resposta ao Zika, de julho de 2016 a dezembro de 2017, são:

  • Detecção - Desenvolver, fortalecer e implementar sistemas de vigilância integrada para a doença do vírus zika, suas complicações neurológicas e outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes. Isso ajuda a medir a carga da doença para orientar as intervenções de saúde pública.

  • Prevenção - Prevenir complicações associadas à infecção pelo vírus zika por meio do controle vetorial, evitando que o Aedes transmita zika, chikungunya, dengue e febre amarela para humanos; comunicar os riscos para a saúde das pessoas e engajar a comunidade em atividades preventivas.

  • Cuidado e apoio - Fortalecer os sistemas sociais e de saúde para fornecer serviços apropriados e apoio aos indivíduos, famílias e comunidades afetadas pelo zika e complicações relacionadas.

  • Pesquisa - 1) Gerar os dados e as evidências necessárias para fortalecer a saúde pública, as orientações comunitárias e intervenções para prevenir, detectar e controlar a infecção pelo vírus zika e para gerenciar suas complicações. 2) Acompanhamento e ampliação de pesquisa, desenvolvimento e disponibilidade de ferramentas de controle de mosquitos Aedes, testes de diagnóstico e vacinas.

  • Coordenação - A OMS coordena a resposta ao zika por meio de uma estreita colaboração com mais de 60 parceiros e facilita o compartilhamento de informações entre eles e os países.

Quais são as recomendações da OMS para os países?

A OMS apoia países nas áreas de detecção, prevenção, cuidado, apoio, pesquisa e desenvolvimento, de acordo com o Plano Estratégico de Resposta ao Zika. Além disso, a OMS publicou orientações técnicas para decisores políticos e profissionais de saúde em áreas críticas de preparação e resposta. Como listado nas respectivas questões acima, as recomendações variam desde como fornecer apoio psicossocial para mulheres grávidas e famílias afetadas por zika e complicações neurológicas, como diagnosticar a infecção pelo vírus em laboratórios até como proteger a saúde e a segurança dos trabalhadores em controle vetorial de emergência.   

Qual é a resposta da OPAS/OMS no Brasil?

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) trabalha em estreita colaboração com governos e instituições de pesquisa, reunindo especialistas de todo o Brasil e do mundo para compartilhar conhecimentos e produzir orientações para profissionais de saúde, tomadores de decisão e público em geral.

Com o objetivo de ajudar o país na resposta ao vírus zika e suas consequências, a Representação da OPAS/OMS no Brasil rapidamente adquiriu no início do surto de microcefalia insumos estratégicos, como reagentes de laboratório, inseticidas e kits de diagnóstico. Também auxiliou no desenvolvimento da metodologia e critérios para a definição de casos de microcefalia e técnicas laboratoriais de diagnóstico da doença, detecção de novos casos e fortalecimento da vigilância integrada de chikungunya, dengue e zika.

Para encontrar novas formas de enfrentar o zika e suas consequências, a OPAS/OMS está ajudando a desenvolver estratégias de controle da propagação do zika e a oferecer cuidados de qualidade a famílias e bebês com síndrome congênita do vírus zika.

Alvarado-Socarras JL, Rodriguez-Morales AJ. Etiological agents of microcephaly: implications for diagnosis during the current Zika virus epidemic. Ultrasound Obstet Gynecol. 2016 Mar 6. doi: 10.1002/uog.15885. [Epub ahead of print]

de Paula Freitas B, de Oliveira Dias JR, Prazeres J, Sacramento GA, Ko AI, Maia M, Belfort R Jr. Findings in Infants With Microcephaly Associated With Presumed Zika Virus Congenital Infection in Salvador, Brazil. JAMA Ophthalmol. 2016 Feb 9. doi: 10.1001/jamaophthalmol.2016.0267. [Epub ahead of print]

Calvet GA, Filippis AM, Mendonça MC, Sequeira PC, Siqueira AM, Veloso VG, Nogueira RM. Brasil First detection of autochthonous Zika virus transmission in a HIV-infected patient in Rio de Janeiro, Brazil. J Clin Virol. 2016 Jan;74:1-3. doi: 10.1016/j.jcv.2015.11.014. Epub 2015 Nov 23.

Kantor IN. Dengue, Zika and Chikungunya. Medicina (B Aires). 2016 Feb 22. pii: S0025-7680(16)00001. [Epub ahead of print]

Ginier M, Neumayr A, Günther S, Schmidt-Chanasit J, Blum J. Zika without symptoms in returning travellers: What are the implications? Travel Med Infect Dis. 2016 Jan-Feb;14(1):16-20. doi: 10.1016/j.tmaid.2016.01.012. Epub 2016 Feb 5.


Goorhuis A, von Eije KJ, Douma RA, Rijnberg N, van Vugt M3, Stijnis C, Grobusch MP. Zika virus and the risk of imported infection in returned travelers: Implications for clinical care. Travel Med Infect Dis. 2016 Jan-Feb;14(1):13-5. doi: 10.1016/j.tmaid.2016.01.008. Epub 2016 Jan 27.

Fauci AS, Morens DM. Zika Virus in the Americas--Yet Another Arbovirus Threat. N Engl J Med. 2016 Feb 18;374(7):601-4. doi: 10.1056/NEJMp1600297. Epub 2016 Jan 13.


Tognarelli J, Ulloa S, Villagra E, Lagos J, Aguayo C, Fasce R, Parra B, Mora J, Becerra N, Lagos N, Vera L, Olivares B, Vilches M, Fernández J. A report on the outbreak of Zika virus on Easter Island, South Pacific, 2014. Arch Virol. 2016 Mar;161(3):665-8. doi: 10.1007/s00705-015-2695-5. Epub 2015 Nov 26.

Leung GH, Baird RW, Druce J, Anstey NM. ZIKA VIRUS INFECTION IN AUSTRALIA FOLLOWING A MONKEY BITE IN INDONESIA. Southeast Asian J Trop Med Public Health. 2015 May;46(3):460-4.

Campos GS, Bandeira AC, Sardi SI. Zika Virus Outbreak, Bahia, Brazil. Emerg Infect Dis. 2015 Oct;21(10):1885-6. doi: 10.3201/eid2110.150847.


Musso D, Roche C, Nhan TX, Robin E, Teissier A, Cao-Lormeau VM. Detection of Zika virus in saliva. J Clin Virol. 2015 Jul;68:53-5. doi: 10.1016/j.jcv.2015.04.021. Epub 2015 Apr 29.

Zammarchi L, Tappe D, Fortuna C, Remoli ME, Günther S, Venturi G, Bartoloni A, Schmidt-Chanasit J. Zika virus infection in a traveller returning to Europe from Brazil, March 2015. Euro Surveill. 2015 Jun 11;20(23).

Gourinat AC, O'Connor O, Calvez E, Goarant C, Dupont-Rouzeyrol M.  Detection of Zika virus in urine. Emerg Infect Dis. 2015 Jan;21(1):84-6. doi: 10.3201/eid2101.140894.

Besnard M, Lastere S, Teissier A, Cao-Lormeau V, Musso D. Evidence of perinatal transmission of Zika virus, French Polynesia, December 2013 and February 2014. Euro Surveill. 2014 Apr 3;19(13). pii: 20751.

Tappe D, Rissland J, Gabriel M, Emmerich P, Gunther S, Held G, Smola S, Schmidt-Chanasit J. First case of laboratory-confirmed Zika virus infection imported into Europe, November 2013. Euro Surveill. 2014 Jan 30;19(4). pii: 20685

Faye O, Faye O, Diallo D, Diallo M, Weidmann M, Sall AA. Quantitative real-time PCR detection of Zika virus and evaluation with field-caught mosquitoes. Virol J. 2013 Oct 22;10:311. doi: 10.1186/1743-422X-10-311

Faye O, Faye O, Dupressoir A, Weidmann M, Ndiaye M, Alpha Sall A. One-step RT-PCR for detection of Zika virus. J Clin Virol. 2008 Sep;43(1):96-101. doi: 10.1016/j.jcv.2008.05.005. Epub 2008 Jul 31.

Faye O, Faye O, Diallo D, Diallo M, Weidmann M, Sall AA. Quantitative real-time PCR detection of Zika virus and evaluation with field-caught mosquitoes.  Virol J. 2013 Oct 22; 10:311. Epub 2013 Oct 22.

Balm MN, Lee CK, Lee HK, Chiu L, Koay ES, Tang JW. A diagnostic polymerase chain reaction assay for Zika virus. J Med Virol. 2012 Sep;84(9):1501-5. doi: 10.1002/jmv.23241.

Keighley CL, Saunderson RB, Kok J, Dwyer DE.  Curr Opin Infect Dis. 2015 Apr;28(2):139-50. doi: 10.1097/QCO.0000000000000145. Review.

Burd I, Griffin D. The chasm between public health and reproductive research: what history tells us about Zika virus. J Assist Reprod Genet. 2016 Mar 4. [Epub ahead of print]

Chan JF, Choi GK, Yip CC, Cheng VC, Yuen KY. Zika fever and congenital Zika syndrome: An unexpected emerging arboviral disease?  J Infect. 2016 Mar 2. pii: S0163-4453(16)00061-X. doi: 10.1016/j.jinf.2016.02.011. [Epub ahead of print] Review.

Venturi G, Zammarchi L, Fortuna C, Remoli ME, Benedetti E, Fiorentini C, Trotta M, Rizzo C, Mantella A, Rezza G, Bartoloni A. An autochthonous case of Zika due to possible sexual transmission, Florence, Italy, 2014. Euro Surveill. 2016 Feb 25;21(8). doi: 10.2807/1560-7917.ES.2016.21.8.30148.

Hills SL, Russell K, Hennessey M, Williams C, Oster AM, Fischer M, Mead P. Transmission of Zika Virus Through Sexual Contact with Travelers to Areas of Ongoing Transmission - Continental United States, 2016. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 2016 Mar 4;65(8):215-6. doi: 10.15585/mmwr.mm6508e2.

Chang C, Ortiz K, Ansari A, Gershwin ME. The Zika outbreak of the 21st century. J Autoimmun. 2016 Feb 26. pii: S0896-8411(16)30008-7. doi: 10.1016/j.jaut.2016.02.006. [Epub ahead of print]

Musso D, Roche C, Robin E, Nhan T, Teissier A, Cao-Lormeau VM.  Potential sexual transmission of Zika virus. Emerg Infect Dis. 2015 Feb;21(2):359-61. doi: 10.3201/eid2102.141363. Erratum in: Emerg Infect Dis. 2015 Mar;21(3):552.

zika virus stepbystep guideInfecção por vírus Zika: guia passo a passo em comunicação de risco envolvimento da comunidade (em inglês)

*Pan American Health Organization *

Este documento oferece sugestões para ações de comunicação de risco  em relação à infecção pelo vírus Zika e outros problemas de saúde associada a esta doença. É direcionado para autoridades e profissionais da área da saúde da saúde e outros profissionais de saúde, que com suas equipes multidisciplinares serão capazes de adaptar as informações fornecidades neste documeno às necessidades de seus países.

 provisional considerations for the careProvisional consider ations for the care of pregnant women in settings with high Zika virus circulation: document for health care professionals (em inglês)

*Pan American Health Organization *

Este documento foi desenvolvido pela OPAS/OMS com base nas recomendações do atendimento pré-natal  e em dados e evidências disponíveis no momento no impacto do vírus Zika em mulheres grávidas. Estas considerações serão revisadas e atualizadas conforme o aparecimento de novas evidências.

 amamentacao oms orientacoesAmamentação no contexto do vírus Zika - Orientações preliminares (em português)

* Organização Mundial da Saúde *

O principal modo de transmissão do vírus Zika é o mosquito Aedes infectado. No entanto, a atual transmissão generalizada do vírus tem levantado a questão se a transmissão também pode ocorrer durante a amamentação, uma prática essencial para a sobrevivência e o desenvolvimento de bebês e crianças pequenas. A finalidade deste documento é apresentar recomendações provisórias para orientar as práticas de amamentação no contexto do vírus Zika. 

 apoio psicossocial oms guia
Apoio Psicossocial para mulheres grávidas e famílias com microcefalia e outras complicações neurológicas no contexto do Zika vírus. Guia preliminar para provedores de cuidados à saúde
(em português, espanhol e inglês)

* Organização Mundial da Saúde *

Este documento descreve orientações para respostas de apoio por provedores de cuidados à saúde (por exemplo médicos e enfermeiros), focando principalmente nas mulheres afetadas pela infecção por Zika vírus durante a gravidez e suas famílias, para a sua saúde mental e necessidades psicossociais.

Embora este documento seja focado em microcefalia, muitos dos apoios descritos (ex.: fornecer informações precisas, comunicação solidária, fornecer apoio psicossocial básico, fortalecimento dos apoios sociais, controle de transtornos mentais simultâneos) também se aplicam a outras condições neurológicas - tais como a síndrome de Guillain-Barré - que podem estar potencialmente associados ao Zika vírus.

 guia vigilancia zika capaGuía para la vigilancia de la enfermedad por el virus del Zika y sus complicaciones (em espanhol)

*Organização Pan-Americana da Saúde *

O objetivo deste Guia é orientar implementação da vigilância da infecção por vírus Zika consequência da atual epidemia nos países da Região das Américas. O documento fornece orientação geral em atividades de monitoramento e cada país deve adaptar-se em função da sua capacidade, contexto epidemiológico e às características do seu sistema de saúde. O Guia também inclui uma breve descrição da doença clínica, manifestações neurológicas e síndrome congênita pelo vírus Zika, de acordo com a informação disponível, a fim de orientar a suspeita clínica necessária para a notificação dos casos.

 risk-comm-comunity-engagement-guidanceRisk communication and community engagement for Zika virus prevention and control A guidance and resource package for country offices for coordination, planning, key messages and actions. (em inglês)

UNICEF * World Health Organization * Pan American Health Organization * International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies (IFRC)

Documento de contendo 18 páginas disponível em inglês e espanhol, publicado em 11 de março de 2016. O documento é uma colaboração interagencial liderada pela UNICEF, em estreita parceria com a OMS e a Federação Internacional da Cruz Vermelha (IFRC). Como parte do Marco da Resposta Estratégica da OMS, é uma ferramenta a ser utilizada pelas equipes nacionais de resposta ao vírus da Zika, incluindo ONGs internacionais, ONGs e OSC para intervenções de comunicação de risco e envolvimento da comunidade. Estas intervenções irão ajudar a aumentar a compreensão do vírus da Zika e suas potencias consequências, evitar a sua propagação, mitigar o impacto sobre os indivíduos e as famílias - em particular as mulheres e as comunidades - e contribuir para as investigações em curso para melhorar as atividades de resposta e os esforços de controle.

Este documento utiliza a melhor evidência científica disponível até este momento sobre prevenção e controle do vírus da Zika com a prevenção e potencial vinculação com a microcefalia e outros distúrbios neurológicos. As mensagens, ações e informações de apoio relacionadas serão revistas periodicamente com base na epidemiologia e evolução da epidemia de vírus da Zika, assim como suas formas de transmissão e as novas informações atualizadas.

O texto operacionaliza algumas estratégias de comunicação de risco e formas de envolvimento da junto à comunidade com mensagens e comportamentos para a proteção pessoal, controle de vetores de base comunitária e para mitigar o impacto sobre os indivíduos e famílias.

laboratory-testing-zika-130pxLaboratory testing for Zika virus infection. Interim guidance. (em inglês)

*World Health Organization*

Documento de 04 páginas, publicado pela OMS no dia 23 de março. Devido ao recente aumento dos casos de microcefalia e outras desordens neurológicas potencialmente associadas com a infecção pelo vírus da Zika foi gerado um aumento na demanda por testes de laboratório para detectar a infecção por esse vírus. A OMS recomenda que grupos prioritários para testes de diagnóstico devam ser indivíduos sintomáticos e mulheres grávidas assintomáticas com uma possível exposição ao vírus da Zika.

O documento fornece orientação sobre as atuais estratégias de testes para a infecção pelo vírus da Zika. Tendo em vista a produção de evidencias que o tema está gerando, o documento poderá ser revisto e atualizado com informação adicional que se torna disponível.

Estas orientações provisórias são para uso de profissionais de laboratórios de testes para a infecção pelo vírus da Zika e para os profissionais das áreas clínicas e de saúde pública envolvidos em atividades de manejo clínico ou de vigilância.


avaliacao bebes microcefaliaAvaliação de bebés com microcefalia no contexto do vírus Zika
(em português)

*Organização Mundial da Saúde *

O público alvo destas orientações são os profissionais de saúde que prestam cuidados diretamente aos recém-nascidos e suas famílias, incluindo pediatras, clínicos gerais, parteiras e enfermeiras. Estas orientações também poderão ser utlizadas por profissionais que elaboraram protocolos e políticas de saúde nacionais e locais, assim como para autoridades envolvidas com programas de saúde materna, neonatal e infantil de regiões afectadas pelo vírus Zika.

risk communications 01marchRisk communication in the context of Zika virus (em inglês)

*World Health Organization*

Este documento fornece orientações provisórias para efetiva comunicação de risco em torno de transmissão do vírus Zika e potenciais complicações. Embora o vírus Zika tenha sido identificado pela primeira vez em seres humanos, em 1952, alguns focos foram documentados. Recentemente, aumento das taxas de complicações neurológicas, incluindo microcefalia e síndrome de Guillain-Barré foram relatados no contexto de epidemias de vírus Zika e aumento da circulação, especialmente nas Américas.

kap-130pxKnowledge, Attitudes and Practice surveys Zika virus disease and potential complications. Resource pack. (em inglês, português e espanhol)

*World Health Organization*

Documento de 29 páginas publicado em inglês pela OMS no dia 24 de março de 2016. Trata-se de um pacote de recursos baseado na metodologia Conhecimento, Atitudes e Práticas de inquéritos (CAP) sobre o vírus da Zika e as suspeitas de complicações associadas tais como microcefalia e síndrome de Guillain-Barré.

Este recurso e as recomendações que oferece foi uma solicitação dos governos e parceiros da atual resposta visando acessar de forma rápida, informações valiosas e reveladoras que permitam adequar as intervenções às necessidades locais das pessoas no âmbito da comunidade, contribuindo assim para a resposta global da saúde pública ao vírus da Zika e suas potenciais complicações. Esta ferramenta pode ser utilizada em comunidades com transmissão do vírus da Zika ou aquelas em risco.

Este documento foi desenvolvido pela OMS em colaboração com os parceiros que participam do grupo de Resposta Estratégica para a Emergência Zika, constituído pela OMS. As perguntas CAP não têm sido testadas em campo. Trata-se de uma ferramenta para os parceiros e os Estados-Membros que pretendam realizar pesquisas tipo CAP por meio de entrevistas a pessoas adultas em cenários comunitários.  Contém um banco de perguntas-chave nos domínios do conhecimento, atitudes e práticas. Pretende-se que os parceiros identifiquem áreas-chave de investigação conforme as prioridades operacionais locais e selecionem e atualizem as perguntas mais relevantes que possam ser aplicadas na reflexão acerca da situação nos contextos nacionais e sub-nacionais.

pregnancy management Pregnancy management in the context of Zika virus. Interim guidance. (em inglês)

*World Health Organization*

Documento em inglês de 07 páginas que define o vírus da Zika como um flavivirus transmitido pelo mosquito aedes, que também transmite o virus da dengue e do chikungunya,  encontrado em regiões tropicais e subtropicais de África, América e Ásia. A recente associação entre a infecção do vírus da zika com a potencial microcefalia congenita e a Síndrome do Guillain-Barré em algumas áreas afetadas, levou a considerar este asunto uma emergência de saúde pública de importância internacional.  
 
O guia tem como público alvo profissionais de saúde que atuam na atenção à saúde de mulheres grávidas: obstetras, clínicos gerais, enfermeiros e parteiras. Provê informação específica para mulheres grávidas suspeitas de estarem em risco ou que foram diagnosticadas com a infecção do virus da zika. O guia traz informações clínicas sobre diagnóstico, síntomas e tratamento; definição de caso; recomendação de testes laboratoriais para mulheres grávidas em situação de risco para a infecção; cuidados para as mulheres grávidas infectadas com o virus da zika e associação com microcefalia fetal ou outros problemas neurológicos.  

Enfatiza a necessidade de tratar as mulheres com respeito e dignidade e informá-las acerca dos cuidados para o manejo da gravidez e também às mulheres que optem pela interrupção da gravidez em acordo com as leis nacionais.  

Acompanham um fluxograma de atenção e cuidados das mulheres grávidas.

zika-infographic-490pxZika Strategic Response Framework & Joint Operations Plan January-June 2016. (em inglês)

*World Health Organization*

Documento de 29 páginas em inglês, contendo o Plano da resposta estratégica conjunta ao vírus Zika, preparado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O conteúdo do plano oferece uma linha do tempo desde 1947, em Uganda, onde foi identificado pela primeira vez, até fevereiro de 2016, mostrando o aumento nas diferentes regiões, principalmente, na América Latina.  Oferece, ademais, um panorama geral da situação do zika e sua relação com as malformações genéticas congênitas como microcefalia e outras complicações neurológicas tais como a síndrome Guillain-Barré que poderiam estar vinculadas ao vírus. O plano elenca três objetivos centrais e suas respectivas estratégias nas linhas de vigilância epidemiológica e a resposta para evitar a expansão do mosquito Aedes e os esforços para reduzir o impacto nas mulheres gravidas e famílias afetadas pela zika. O terceiro objetivo envolve a investigação do aumento da incidência de microcefalia e síndromes neurológicas e o aceleramento da pesquisa e desenvolvimento de novos insumos de diagnostico, vacinas e terapias. A resposta ao vírus zika é diferente de acordo à situação epidemiológica nos países. A OMS realiza esforços de coordenação da resposta envolvendo diversos parceiros e setores em âmbito global, regional e nacional. O plano também prevê ações efetivas de monitoramento, análise e reporte dos casos. Indica, além disso, o financiamento necessário para atender a esta emergência de saúde pública.

planning social mobilizationPlanning social mobilization and communication for dengue fever prevention and control. Stpe by step guide (em inglês)

*World Health Organization*

Publicação de 158 páginas que explora o uso de mobilização social e comunicação para convencer as pessoas a adoptar ou manter comportamentos de formas que evitem  aedesaegypti, o mosquito vetor da dengue, desde a criação e em torno de suas casas. Oferecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o guia fornece um "mapa do caminho" de como desenvolver e implementar programas comunitários destinados a promover impacto comportamental sustentável para prevenir dengue e sua forma mais grave, febre hemorrágica da dengue.

space spray application os insecticidesSpace spray application of insecticides for vector and public health pest control. A practitioner’s guide (em inglês)

*World Health Organization*

Este guia fornece informações sobre como controlar pragas de insetos voadores e vetores de doenças através da aplicação de inseticidas como tratamentos espaciais. Esses tratamentos devem ser considerados em conjunto com outros métodos de controle como parte de um programa de controle integrado de vetores.