O Diretor da OPAS, Jarbas Barbosa, discursando
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O ano da resiliência

Trabalhadores da OPAS em campo Jarbas Barbosa

Mensagem do Diretor

“A força da OPAS não está apenas na nossa sede, está também na nossa presença em 27 países. Nossas representações nos países são compostas por equipes técnicas que trabalham lado a lado com os ministérios da Saúde, compreendem os contextos locais e fortalecem a confiança conquistada ao longo de várias décadas”

O ano de 2025 testou a resiliência dos sistemas de saúde e da cooperação internacional. Em um cenário de redução do financiamento para a saúde internacional, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) demonstrou mais uma vez, como faz há mais de 120 anos, sua capacidade de se adaptar, conseguir resultados e promover a saúde para todas as pessoas na Região das Américas.

O ano também trouxe avanços significativos, juntamente com desafios persistentes. O Suriname tornou-se o primeiro país da bacia amazônica a ser certificado como livre de malária. O Brasil eliminou a transmissão materno-infantil do HIV, reforçando a liderança da Região na eliminação da doença. Por outro lado, o sarampo nos fez lembrar que o progresso requer uma vigilância constante e sensível, além de uma cobertura vacinal homogênea em todas as comunidades.

Nossas iniciativas emblemáticas continuaram a amadurecer e a se expandir. A Aliança para a Atenção Primária à Saúde nas Américas deu as boas-vindas a novos países, e vários deles já estão se beneficiando do financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Banco Mundial para reformar centros de saúde, comprar novos equipamentos, implementar serviços de telessaúde e telemedicina e capacitar trabalhadores da saúde. A iniciativa Melhor Atenção às Doenças Não Transmissíveis (DNTs) foi expandida para mais países, aumentando o número de unidades de atenção primária à saúde com equipes qualificadas para oferecer serviços integrados de DNTs. Nossos Fundos Rotativos Regionais adquiriram mais de US$ 900 milhões em vacinas, tecnologias em saúde e insumos, forneceram mais de 230 milhões de doses de vacinas e expandiram seu portfólio para incluir medicamentos de alto custo para câncer e doenças raras, proporcionando grandes economias para os Estados Membros.

Uma avanço importante em 2025 foi o acordo firmado em janeiro entre o governo da Argentina, a Sinergium Biotech, a Pfizer e a OPAS para a produção regional da vacina pneumocócica conjugada VPC20. Essa parceria fortalece a capacidade de produção regional, oferecendo aos países o menor preço do mundo para essa vacina inovadora. Isso representa exatamente o tipo de cooperação público-privada que fomenta a autossuficiência e a segurança na América Latina e no Caribe.

A segurança sanitária continuou ocupando um lugar central nosso trabalho. O sistema de vigilância da OPAS verificou 2,1 milhões de alertas, detectando 157 eventos de saúde pública, desde surtos de doenças até furacões. Nos momentos de crise, a OPAS respondeu assegurando o compartilhamento de amostras em tempo hábil, fortalecendo a vigilância laboratorial e genômica, acionando unidades médicas móveis, enviando grandes quantidades de medicamentos e equipamentos e fornecendo orientação técnica que salvou vidas.

Internamente, por meio da nossa iniciativa OPAS Avante, obtivemos avanços importantes em termos de eficiência, transparência e prestação de contas. As mudanças na gestão financeira e nos processos de câmbio geraram economias de mais de US$ 7 milhões, e soluções impulsionadas por IA geraram ganhos adicionais de eficiência. Essas melhorias na eficiência nos permitiram dar prioridade ao que é mais importante: a cooperação técnica com os nossos Estados Membros.

A força da OPAS não está apenas na nossa sede, está também na nossa presença em 27 países. Nossas representações nos países não são missões diplomáticas; elas são compostas por equipes técnicas que trabalham lado a lado com os ministérios da Saúde, compreendem os contextos locais e fortalecem a confiança conquistada ao longo de várias décadas. Nosso trabalho atinge comunidades em toda a Região, seja enviando drones para entregar medicamentos em áreas remotas do Panamá ou apoiando o rastreamento da tuberculose em prisões do Paraguai usando inteligência artificial.

Olhando para 2026, a incerteza quanto ao financiamento internacional continua sendo nosso principal desafio. Porém, tenho confiança na nossa capacidade de resiliência e adaptação. Nós diversificamos nossas fontes de financiamento, expandimos nossas parcerias e demonstramos que podemos oferecer cooperação técnica de alta qualidade com mais eficiência.

A OPAS continua rica em ativos: nossos funcionários dedicados, nossa credibilidade como uma Organização baseada em evidências e nossa presença importante nos Estados Membros. Juntamente com os nossos parceiros e os governos que atendemos, continuaremos a promover a saúde e o bem-estar de todas as pessoas da Região das Américas.

Dr. Jarbas Barbosa da Silva Jr.
Diretor
Organização Pan-Americana da Saúde

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