Uma menina segurando um cartaz em espanhol que diz: “Vacinas salvam vidas”
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Progresso e inovação em 2025

Em 2025, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e seus Estados Membros fizeram avanços significativos nas principais prioridades de saúde e estabeleceram novas ferramentas e iniciativas para fortalecer os sistemas de saúde de toda a Região.

Saúde mental
Enfrentando a crise silenciosa

Um paciente abraça um familiar enquanto um médico aguarda ao lado do leito hospitalar.
© OPAS
Cerca de 100 mil

pessoas morreram por suicídio na Região das Américas, a única Região da OMS onde a mortalidade por suicídio vem aumentando sistematicamente nas últimas duas décadas.

A Região das Américas enfrenta uma crise de saúde mental profunda e cada vez maior: há 160 milhões de pessoas vivendo com um transtorno mental na Região.

A pandemia de COVID‑19 intensificou essas vulnerabilidades ao interromper os serviços essenciais e aumentar drasticamente a demanda por atenção, especialmente entre grupos que já enfrentavam iniquidades. Fatores estruturais, como a pobreza, as iniquidades sociais, estressores relacionados ao clima e a violência urbana, continuam a sobrecarregar os sistemas de saúde mental.


A resposta: a Iniciativa Regional de Prevenção ao Suicídio

Em 2025, a OPAS lançou oficialmente a Iniciativa Regional de Prevenção ao Suicídio, com o objetivo de reduzir a mortalidade por suicídio na Região, com foco nos países com as taxas mais altas. A iniciativa foi lançada formalmente no dia 11 de setembro.

A iniciativa se concentra em cinco áreas estratégicas:

  • Fortalecimento de estratégias e planos de ação multissetoriais de prevenção ao suicídio

  • Aprimoramento dos sistemas de vigilância e monitoramento de autolesão e suicídio

  • Aumento do acesso a serviços de saúde mental de alta qualidade e centrados na pessoa, integrando tecnologias digitais

  • Abordagem de fatores de risco sociais e ambientais por meio de intervenções multissetoriais

  • Conscientização do público e redução do estigma para melhorar os comportamentos de busca de ajuda

Engajamento político

  • Resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre saúde mental: a OPAS apoiou a Secretaria da OEA e os Estados Membros na organização de um evento paralelo de alto nível durante a Assembleia Geral da OEA em Antígua e Barbuda, que culminou em uma resolução histórica que colocou formalmente a saúde mental na agenda política da Região.
  • Primeira Semana Interamericana da Saúde Mental: estabelecida por mandato da resolução da OEA e celebrado conjuntamente pela OPAS, pela OEA e pelos Estados Membros.
  • Diálogo de alto nível: a OPAS fez uma parceria com o governo de Antígua e Barbuda e a Clinton Global Initiative para a realização de um diálogo de alto nível sobre saúde mental durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, elevando o tópico a uma prioridade política e de desenvolvimento.

Execução nos países em 2025

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Brasil

Fortalecimento da estratégia nacional de prevenção ao suicídio e da capacidade de planejamento e implementação no primeiro nível de atenção.

Guiana

Fortalecimento do sistema de vigilância de base comunitária; operacionalização da Comissão Nacional de Prevenção ao Suicídio; capacitação de “guardiões” em todas as regiões para melhorar a detecção precoce, o encaminhamento e o apoio ao acompanhamento.

México

Ampliação da prevenção ao suicídio em nível estadual com a capacitação de trabalhadores da saúde por meio do Programa de Ação para Reduzir as Lacunas em Saúde Mental (mhGAP); realização de análise situacional nacional para guiar as prioridades e melhorar as vias de vigilância e notificação.



Avanços na legislação de saúde mental

A OPAS prestou ampla cooperação técnica para promover a legislação de saúde mental em toda a Região:

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Costa Rica

Finalização da regulamentação da lei de saúde mental.

República Dominicana

Projeto de emenda à lei de saúde mental enviado ao Congresso e atualmente em análise.

Equador

Adoção da primeira lei orgânica de saúde mental, alinhada com as normas de direitos humanos.

Guatemala

Emendas à lei de saúde mental sob análise parlamentar, lançamento do plano de desinstitucionalização; estabelecimento do modelo de serviços de base comunitária; conclusão da capacitação judicial sobre direitos.

Antígua e Barbuda, Honduras

Apoio fornecido para a elaboração de uma nova lei.

Avanços em nível nacional

24 países e territórios

Cooperação técnica em andamento para a integração da saúde mental na atenção primária à saúde (Argentina, Barbados, Belize, Bolívia [Estado Plurinacional da], Chile, Colômbia, Costa Rica, Curaçao, Dominica, Equador, Granada, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Ilhas Turcas e Caicos, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Santa Lúcia, Suriname, Trinidad e Tobago, Venezuela [República Bolivariana da])

Cuba, Haiti, Jamaica, República Dominicana

Cooperação técnica para respostas de saúde mental e apoio psicossocial durante o furacão Melissa

Argentina

Conclusão da Iniciativa especial para a Saúde Mental: capacitação de mais de 800 profissionais em mhGAP e integração da saúde mental nos planos de implementação da atenção primária em 20 jurisdições

Brasil

Ampliação das habilidades dos cuidadores e educação parental para pais de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento em nível nacional, com a meta de apoiar inicialmente 36 mil famílias por meio de um modelo híbrido

Paraguai

Pesquisa avançada sobre desinstitucionalização e ampliação da cobertura do mhGAP no primeiro nível de atenção, capacitando 446 profissionais e beneficiando mais de 345 mil pessoas

Pesquisas e evidências

A OPAS publicou uma análise regional sobre a carga dos transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas, apresentando o panorama epidemiológico e de políticas mais atual.

Os transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas são transtornos mentais e comportamentais resultantes do uso dessas substâncias, caracterizados por padrões de uso perigosos ou prejudiciais ou por dependência, conforme definido pela OMS na CID-11.

  • 17,7 milhões de pessoas afetadas em 2021
  • Quase 78 mil mortes, o que equivale a 6,9 mortes por 100 mil habitantes, uma taxa quatro vezes superior à média mundial
  • Os transtornos por uso de opioides causaram mais de 75% dessas mortes
  • A carga para a saúde quase triplicou desde 2000
  • Os adultos jovens são os mais afetados; as mortes entre as mulheres estão aumentando
  • Na Região das Américas, mais de 145 mil mortes poderiam ter sido evitadas se as pessoas não tivessem sido expostas ao uso de drogas

A recuperação da imunização
A Região das Américas é líder na recuperação mundial

Semana de Vacinação no Haiti
© OPAS
84% a 90%

de cobertura para a maioria dos antígenos (BCG, DTP1, DTP3, HEP3, Hib3, VIP1, VIP2, Polio3, rotavírus [última dose], VPC, VPC [última dose] e vacinas contra o sarampo [MCV]) em 2024, com base em relatórios oficiais dos países. A Região das Américas está na liderança de todas as regiões da OMS na recuperação da vacinação após a pandemia.

Os dados de cobertura de imunização de 2024 indicam uma recuperação resiliente em toda a Região após as quedas acentuadas observadas em 2020 e 2021. durante a pandemia de COVID‑19. Em 2024, a cobertura da maioria dos antígenos havia se estabilizado, refletindo um progresso gradual em direção aos níveis pré pandemia.

As estimativas da OMS e do UNICEF destacaram que a Região das Américas foi a única Região da OMS na qual os principais indicadores de vacinação ultrapassaram os níveis de 2019, uma prova dos esforços contínuos dos Estados Membros e da cooperação técnica da OPAS.

1º lugar

A Região das Américas foi a primeira da OMS onde os principais indicadores de vacinação ultrapassaram os níveis pré-pandemia (de 2019)

Desafios persistentes

Apesar do progresso geral, ainda existem lacunas importantes:

Cumprimento do esquema vacinal

Uma taxa de abandono de 5 pontos percentuais entre a VPC1 e a última dose da VPC ressalta os desafios no seguimento, ressaltando a necessidade de fortalecer a continuidade da atenção além do acesso inicial

Dose da vacina hepatite B ao nascer

A cobertura vacinal de 78% reflete as atuais barreiras à vacinação oportuna de recém-nascidos, especialmente bebês nascidos fora de estabelecimentos de saúde ou sem contato pós-natal precoce

Cobertura de MCV2

A cobertura permanece substancialmente mais baixa (79%), criando importantes lacunas de imunidade

Febre amarela

A cobertura permanece abaixo do limiar recomendado para a proteção da população, em torno de 75%


Um olhar para o futuro

A forte recuperação da cobertura de vacinação na Região reflete a melhoria do acesso aos serviços, mas a maioria dos antígenos ainda não atingiu o nível de 95%, e a cobertura em nível subnacional continua desigual. Além disso, a ocorrência de surtos pode desviar esforços e recursos dos países para o controle da emergência, tirando a atenção e a força de trabalho dos serviços de imunização de rotina. A OPAS continua a trabalhar com os Estados Membros para fechar as lacunas subnacionais de imunidade por meio da intensificação do uso do microplanejamento e da promoção de métodos assistidos por sistemas de informações geográficas, do fortalecimento da vigilância e da garantia de resposta oportuna a surtos e estratégias de vacinação preventiva.

Redução da mortalidade materna

saúde intercultural no Peru
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10 de 12

países prioritários apresentaram redução na razão de mortalidade materna desde 2022

Em 2024, o Diretor da OPAS lançou um chamado à ação e propôs uma estratégia com 6 linhas de ação estratégicas para acelerar a redução da mortalidade materna. Foram identificados 12 países prioritários (Bolívia [Estado Plurinacional da], Brasil, Colômbia, Guatemala, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Paraguai, Peru, República Dominicana e Venezuela [República Bolivariana da]) que tinham as cargas mais altas.

Progresso em 2025: implementação do roteiro estratégico

Com base na estratégia de 2024, a OPAS fortaleceu a coordenação institucional e acelerou a cooperação técnica nos 12 países prioritários.

Fortalecimento institucional:

  • Operacionalização da Força-Tarefa Interdepartamental da OPAS, fortalecendo a coordenação entre os departamentos e as representações nos países.

 

Resultados nos 12 países prioritários:

  • Desde 2022, houve redução da razão de mortalidade materna em 10 dos 12 países prioritários: Bolívia [Estado Plurinacional da], Brasil, Colômbia, Guatemala, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Paraguai e Peru.
  • Não houve redução na República Dominicana e na República Bolivariana da Venezuela.

Avanços nas seis linhas estratégicas

Governança e gestão

  • Fortalecimento dos marcos regulatórios e de políticas nacionais
  • Planos nacionais de redução da mortalidade materna atualizados em 3 países (Colômbia, México e Paraguai)
  • Melhoria da coordenação interinstitucional em nível nacional e subnacional: 3 países (Colômbia, México e Paraguai) reativaram seus comitês nacionais sobre mortalidade materna
  • Sistemas de informações em saúde e estratégias de vigilância reforçados, especialmente para eventos maternos de quase-erro

Primeiro nível
de atenção

  • Ampliação da cobertura territorial dos serviços de planejamento antecipado e preventivos de saúde materna em 5 países (Colômbia, Haiti, México, Paraguai e Peru)
  • Modelos de atenção culturalmente adaptados implementados para populações indígenas e diversas em 3 países (Colômbia, México e Paraguai)
  • Investimentos em infraestrutura de atenção primária e equipamentos essenciais
  • Unidades de acolhimento de gestantes desenvolvidas e ampliadas para garantir partos seguros para mulheres em áreas remotas

Redes de serviços de saúde

  • Avanços na integração funcional das redes de prestação de serviços, especialmente para atendimento obstétrico de emergência
  • Mecanismos de referência e contrarreferência fortalecidos
  • Melhorias na logística e nas cadeias de abastecimento para garantir a disponibilidade de medicamentos e equipamentos essenciais em todos os 12 países

Qualidade
da atenção

  • Atualização e harmonização das diretrizes, normas e protocolos clínicos nacionais na Colômbia, no México e no Paraguai
  • Comitês de revisão da mortalidade materna fortalecidos, com ferramentas de auditoria aprimoradas
  • Desenvolvimento de ferramentas para avaliar as condições essenciais e a prontidão para a prevenção de mortes maternas
  • Expansão dos programas de capacitação com base em simulações de emergências obstétricas em 4 países (Brasil, Colômbia, Paraguai e Peru)

Recursos humanos em saúde

  • Planejamento nacional de recursos humanos e avanços na formulação de políticas
  • Profissionalização e aumento do número de obstetriz e profissionais de enfermagem obstétrica
  • Implementação de programas de formação continuada e capacitação em serviço
  • Introdução de incentivos financeiros e não financeiros para manter o pessoal de saúde em regiões desassistidas

Empoderamento da comunidade

  • Fortalecimento da participação da comunidade e dos mecanismos de coordenação local em 3 países (Colômbia, México e Paraguai)
  • Implementação de estratégias de educação e comunicação baseadas em direitos nos 12 países
  • Expansão dos programas de transferências condicionadas de renda e de intervenções com foco na comunidade para reduzir as barreiras de acesso no Estado Plurinacional da Bolívia, na Guatemala, no Haiti, no Paraguai, no Peru, na República Dominicana e na República Bolivariana da Venezuela.

Um desafio persistente

Apesar do progresso, a Região das Américas registrou uma redução de apenas 16,9% na mortalidade materna entre 2000 e 2023, a menor queda entre todas as regiões da OMS. Em 2023, houve cerca de 7850 mortes maternas na Região das Américas, com desigualdades importantes: o risco de uma mulher morrer por causas maternas durante a vida é de 1 em 789 na América Latina e no Caribe e de 1 em 296 no Caribe, em comparação com 1 em 4322 na América do Norte.

Mudança do clima
A saúde no centro da ação climática

No Haiti, as pessoas atravessam uma estrada inundada após a passagem do furacão Melissa.
© OPAS
US$ 300 milhões

dedicados pela coalizão de financiadores para implementar o Plano de Ação em Saúde de Belém

Em 2025, a OPAS desempenhou um papel fundamental para garantir que a saúde estivesse na vanguarda das negociações climáticas mundiais, o que culminou em um resultado histórico na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima de 2025 (Conferência das Partes da UNFCCC [COP30]) no Brasil.

Principal avanço: COP30 e o Plano de Ação em Saúde de Belém

A pedido do governo do Brasil, a OPAS prestou apoio direto ao Ministério da Saúde na concepção da agenda de saúde na COP30, realizada em Belém, Brasil, em novembro de 2025.

O Plano de Ação em Saúde de Belém fornece um roteiro concreto para os países criarem sistemas de saúde resilientes ao clima, alinhados com a Política para fortalecer ações do setor da saúde orientadas pela equidade relacionadas à mudança do clima e à saúde da OPAS.

A contribuição da OPAS incluiu:

  • Codesenvolvimento do Plano de Ação em Saúde de Belém e dos documentos de apoio

  • Co-organização de eventos preparatórios presenciais e virtuais

  • Preparação e participação nas atividades da Agenda de Saúde na COP30

O Plano de Ação em Saúde de Belém está estruturado em três pilares:

Vigilância e monitoramento

Desenvolvimento de capacidades de alerta precoce e vigilância em saúde informados pelo clima

Políticas baseadas em evidências e desenvolvimento de capacidades

Capacitação de profissionais de saúde e incorporação do clima à infraestrutura e às estruturas políticas

Inovação e produção

Mobilização de sistemas resilientes, soluções localizadas e cadeias de abastecimento saudáveis

80+
países e organizações endossaram o Plano de Ação em Saúde de Belém durante o Dia da Saúde na COP30
16
planos nacionais de adaptação da saúde já desenvolvidos na Região (5 novos em 2025)
3 mil+
pessoas participaram de cursos sobre mudança do clima e saúde em 2025
18
Estados Membros agora fazem parte da Aliança para Ação Transformadora em Clima e Saúde, com a adesão de Cuba e Granada em 2025

Novos avanços

Em 2025, foram desenvolvidas novas plataformas e recursos para ajudar os Estados Membros a atingirem seus objetivos de saúde

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