Vacina contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV)

O vírus

As infecções pelo vírus do papiloma humano (HPV) são as infecções do trato reprodutivo mais frequentes, responsáveis por uma variedade de cânceres e outras condições em homens e mulheres. Alguns dos HPV foram classificados pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer como de "alto risco" (cancerígenos) em humanos. O HPV-16 e o HPV-18 são os tipos cancerígenos mais comuns, responsáveis por quase 70% dos cânceres cérvicouterinos, bem como muitos casos de câncer peniano, câncer anal, carcinoma orofaríngeo e cânceres da cabeça e do pescoço. Os tipos de HPV 31, 33, 45, 52 e 58 juntos representam 15% dos cânceres cérvicouterinos. O HPV-6 e o HPV-11 são os dois tipos primários de "baixo risco" (não cancerígenos), que causam verrugas anogenitais. As mulheres infectadas com um tipo também podem ser infectadas com outros ao mesmo tempo.

Carga da doença

A Organização Mundial da Saúde estimou, em 2017, a prevalência mundial do HPV em 11,7% entre as mulheres. A América Latina e o Caribe têm prevalência de 16,1%, a segunda maior prevalência para mulheres depois da África Subsaariana (24%).

A prevalência de HPV entre os homens é alta em todas as regiões do mundo (21%) e atinge um pico em idade ligeiramente mais alta que a das mulheres. A prevalência de qualquer tipo de HPV no pênis, em particular, é de 18,7%; no escroto, 13,1%; e na região perineal, 7,9%. Homens que têm pelo menos três parceiras na vida têm 4,5 vezes mais chance de contrair HPV de qualquer tipo quando comparados com homens com menos parceiras.

A infecção persistente com um tipo de HPV de alto risco está fortemente associada à progressão para o câncer cérvicouterino. Globalmente, cerca de 530.000 novos casos de câncer cérvicouterino se desenvolvem por ano, causando cerca de 266.000 mortes. Esses números variam de acordo com a região, e as regiões de menor ingressos são onde ocorre a maioria dos casos de câncer cérvicouterino. Estima-se que uma em cada 100 mulheres em países em desenvolvimento terá câncer cérvicouterino antes dos 75 anos.

Na região das Américas, a cada ano, cerca de 83.000 mulheres são diagnosticadas com câncer cérvicouterino e mais de 35.000 mulheres morrem pela doença. Mais da metade dessas mulheres têm menos de 60 anos. 

Quem está em risco

Qualquer pessoa sexualmente ativa está em risco de infecção pelo HPV e mulheres com infecção persistente com um tipo de HPV de alto risco estão em risco de câncer cérvicouterino. Indivíduos imunocomprometidos, incluindo aqueles com HIV, são mais propensos a ter infecção persistente pelo HPV e progressão mais rápida para o câncer.

Transmissão

O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo e geralmente é - embora nem sempre - contraído e transmitido durante relação sexual ou contato sexual pele a pele com alguém que tem o vírus. Pode ser transmitido mesmo quando os preservativos são usados, e até mesmo em relações mutuamente monogâmicas. 

Como o HPV resiste à dessecação (ressecamento extremo) e à desinfecção, ele pode sobreviver por muito tempo nas superfícies dos objetos. Como tal, o HPV também pode ser transmitido através de objetos ou materiais que podem ter entrado em contato com pessoas infectadas. Também pode ser transmitido através do contato direto com cortes e escoriações de um indivíduo infectado, e em casos raros, pode ser transmitido durante o parto através da transmissão mãe-filho.

Distribuição e Sazonalidade

O HPV está presente em todos os climas e estações do ano.

Imunidade

Não está claro se a imunidade natural se desenvolve após a primeira infecção pelo HPV. Há evidências de que a infecção por um tipo de HPV pode fornecer alguma proteção contra esse tipo específico, mas não fornecerá proteção contra outros tipos de HPV.

Portanto, a vacina contra o HPV fornece imunidade e é uma importante ferramenta de prevenção do câncer. A resposta sorológica após a vacinação contra o HPV é muito mais forte do que a resposta após a infecção natural, fornecendo às pessoas uma proteção imune forte e de longo prazo contra o HPV.

Prevenção

A melhor maneira de prevenir o HPV é ser vacinado antes de iniciar a atividade sexual.

De acordo com recomendações do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas (SAGE) da OMS sobre imunização e do Grupo Consultivo Técnico (TAG) da OPAS sobre Doenças Preveníveis por Vacinas , a população-alvo principal para a vacinação são as meninas de 9 a 14 anos antes de se tornarem sexualmente ativas. Atualmente, a OPAS/OMS recomenda que esse grupo-alvo receba duas doses da vacina contra o HPV com pelo menos seis meses entre as doses.

Três vacinas seguras e eficazes são pré-qualificadas pela OMS e duas delas são usadas para a maioria dos países da Região para proteger contra as cepas mais prejudiciais do HPV, fornecendo imunidade forte e de longo prazo. Em nível populacional, alta cobertura vacinal em meninas (>80%) reduz significativamente o risco de infecção pelo HPV em meninos. A pessoa deve receber todas as doses recomendadas da vacina.

O uso correto de preservativos durante cada relação sexual pode ajudar a prevenir a transmissão do HPV, embora o HPV ainda possa ser transmitido mesmo quando os preservativos são usados.

Para prevenir o câncer do cérvicouterino, a OMS recomenda que todas as mulheres entre 30 e 49 anos realizem o teste de triagem para câncer cérvicouterino pelo menos uma vez (mesmo que tenham sido previamente vacinadas contra o HPV). Esses exames de triagem podem detectar alterações pré-cancerosas precoces no colo do útero, que podem ser tratadas com segurança antes que o câncer cérvicouterino se desenvolva.

 Useful Resources:

OPAS: Imunização

OPAS: Infecciones de Transmisión Sexual

HPV e câncer do colo do útero

OMS: VPH y cáncer cervicouterino


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