OMS lança nova recomendação sobre intervenções não clínicas para reduzir número de cesarianas desnecessárias

OMS lança nova recomendação sobre intervenções não clínicas para reduzir número de cesarianas desnecessárias

cesarea

11 de outubro de 2018 – A cesariana é um procedimento cirúrgico que, quando realizado por razões médicas, pode salvar a vida de uma mulher e de seu bebê. No entanto, muitas delas são realizadas desnecessariamente, o que pode colocar em risco a vida e o bem-estar das mães e de seus filhos tanto a curto como a longo prazo.

Em todo o mundo, as taxas de cesariana têm aumentado constantemente, sem benefícios significativos para a saúde das mulheres ou seus bebês. Reconhecendo a necessidade urgente de abordar o aumento sustentado e sem precedentes dessas taxas, a OMS publicou nesta quinta-feira (11) uma nova orientação sobre intervenções não clínicas projetadas especificamente para reduzir as cesarianas desnecessárias.

A nova recomendação incorpora opiniões, medos e crenças de mulheres e profissionais de saúde sobre cesarianas. Também considera as complexas dinâmicas e limitações dos sistemas e organizações de saúde e as relações entre mulheres, profissionais de saúde e organização dos serviços de saúde. Entre as principais orientações, estão:

  • Intervenções educacionais para mulheres e famílias, com o objetivo de apoiar um diálogo significativo com provedores e tomada de decisão consciente sobre o tipo de parto (como oficinas de treinamento para mães e casais, programas de treinamento de relaxamento conduzidos por enfermeiros, programas psicossociais de prevenção para casais e/ou psicoeducação para mulheres com medo de dor ou ansiedade).
  • Uso de diretrizes clínicas, auditorias de cesarianas e feedback oportuno aos profissionais de saúde sobre práticas de cesariana.
  • Requisito para segunda opinião para indicação de cesariana no ponto de atendimento em ambientes com recursos adequados.
  • Algumas intervenções destinadas a organizações de saúde são recomendadas apenas sob rigorosa pesquisa, como modelo colaborativo de parteira-obstétrica (ou seja, um modelo de pessoal baseado em atendimento fornecido principalmente por parteiras, com 24 horas de apoio de um obstetra, que fornece internamente cobertura de trabalho e parto sem outras tarefas clínicas concorrentes) ou estratégias financeiras (ou seja, reformas de seguro que igualem as taxas médicas para partos naturais e cesarianas).

Desigualdade e riscos

Enquanto muitas mulheres que necessitam de cesarianas ainda não têm acesso a elas, particularmente em locais com poucos recursos, muitas outras passam pelo procedimento desnecessariamente, por razões que não podem ser justificadas clinicamente.

A cesárea está associada a riscos de curto e longo prazo, que podem se estender por muitos anos além do parto e afetar a saúde da mulher, da criança e de futuras gestações. Esses riscos são maiores entre mulheres com acesso limitado a cuidados obstétricos integrados. As cesarianas também são dispendiosas e altas taxas dessas intervenções desnecessárias podem, portanto, utilizar recursos de outros serviços essenciais de saúde, particularmente em sistemas sobrecarregados e com falhas.

Entendendo o contexto

Existem muitas razões complexas para o aumento das taxas de cesárea, que variam muito entre e dentro dos países. Antes de implementar qualquer intervenção para reduzir as taxas, deve-se fazer pesquisas que identifiquem e definam por que esses números estão aumentando no cenário específico, bem como os determinantes localmente relevantes da cesariana, bem como as opiniões e normas culturais das mulheres e provedores de cuidados de saúde.

Além disso, as intervenções para reduzir as taxas que não abordam as complexas e multifacetadas razões para seu aumento provavelmente terão impacto limitado. Intervenções que têm múltiplos componentes são mais bem-sucedidas e, portanto, mais desejáveis.