[RESUMO]. Objetivos. Os transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas – problemas de saúde preveníveis e tratáveis – são uma ameaça desafiadora e crescente à saúde pública na Região das Américas. Este estudo tem como objetivo fornecer uma análise abrangente dos níveis e tendências da carga desses transtornos nos países da Região. Métodos. Este estudo analisou a morbimortalidade e a carga dos transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas, como opioides, cocaína, anfetaminas, cannabis, entre outras substâncias psicoativas em 38 países da Região das Américas, entre 2000 e 2021. Com base nas estimativas do Global Burden of Disease Study 2021, avaliaram-se as tendências usando a variação percentual anual média, estimada por meio de análise de regressão. Resultados. Em 2021, 17,7 milhões (intervalo de confiança [IC] de 95%: 15,9 a 19,9) de pessoas na Região das Américas viviam com esses transtornos, principalmente por uso de opioides (42,7%) e cannabis (31,5%). Os transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas foram responsáveis por 77 717 mortes (IC 95%: 70 414 a 86 270) ou 6,9 mortes (IC 95%: 6,3 a 7,6) por 100 000 habitantes, ficando acima das estimativas mundiais. A taxa padronizada por idade de anos de vida ajustados por incapacidade devido a transtornos relacionados ao uso de substancias psicoativas aumentou anualmente em 4,95%, chegando a 695,36 anos (IC 95%: 583,45 a 807,69) por 100.000 habitantes, acima da estimativa mundial. A carga desses transtornos foi consistentemente maior entre os jovens adultos do sexo masculino. Em toda a Região, em 2021, 145 515 (IC 95%: 132 710 a 159 080) mortes por todas as causas (1,6%, IC 95%: 1,4 a 1,7% do total de mortes) foram atribuídas ao uso de substâncias psicoativas, principalmente mortes por transtornos relacionados ao uso de opioides, por cirrose e por câncer de fígado. Conclusões. Os transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas são um importante e crescente desafio de saúde pública na Região das Américas, impulsionado principalmente pelos transtornos relacionados ao uso de opioides em jovens adultos e pelo aumento desses transtornos em mulheres. São necessárias respostas urgentes baseadas em evidências que visem populações de alto risco, ampliem o acesso a tratamentos e serviços de redução de danos e fortaleçam os sistemas de dados. Estratégias individualizadas baseadas nos contextos nacionais e nas estruturas mundiais podem reduzir as mortes evitáveis e melhorar a saúde da população. O artigo está publicado em inglês. |