Brasil fortalece capacidade de diagnóstico da hanseníase

Cerimônia alusiva ao mês de enfrentamento da hanseníase no Brasil

Detecção precoce e tratamento em tempo oportuno reduzem consideravelmente as chances de a pessoa ter alguma deficiência causada pela doença

Brasília, 25 de janeiro de 2022 – O Brasil anunciou nesta terça-feira (25) a inclusão de novos testes laboratoriais complementares ao diagnóstico da hanseníase, entre eles um teste rápido, no sistema público de saúde. O lançamento ocorreu em um evento na sede do Ministério da Saúde do país, com a participação da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

“Ajudar as pessoas que tem essa doença é uma atitude para todos nós e mais do que um compromisso, é um dever e estamos fazemos a nossa parte, enquanto saúde pública de forma universal”, ressaltou o ministro da Saúde do Brasil, Marcelo Queiroga. O anúncio faz parte das ações alusivas ao Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase, que é marcado anualmente no último domingo de janeiro – neste ano, dia 30.

O GenoType LepraeDR e o NAT Hans, por serem testes de biologia molecular e requererem uma estrutura laboratorial mais avançada, deverão ser ofertados nos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen), inicialmente em 10 estados brasileiros até o final deste ano. O objetivo é alcançar as 27 unidades federativas até o final de 2023. Já o teste rápido imunocromatógrafico será ofertado na atenção primária: nas Unidades Básicas de Saúde.

A hanseníase é uma doença infecciosa, que tem cura, e a detecção precoce combinada com tratamento oferecido em tempo oportuno reduzem consideravelmente as chances de a pessoa ter alguma deficiência.

Houve 127.558 novos casos dessa enfermidade detectados no mundo em 2020, de acordo com dados oficiais de 139 países das seis regiões da Organização Mundial da Saúde (OMS). O Brasil possui a maior carga de hanseníase na Região das Américas e a segunda maior no mundo (ficando abaixo somente da Índia). Ao todo, de 2016 a 2020, foram diagnosticados 155,3 mil casos novos dessa enfermidade no país – dos quais 19,9 mil com grau 2 de incapacidade física, que é o mais grave. 

“O Ministério da Saúde tem trabalhado muito para garantir o tratamento adequado a todos esses pacientes. A nossa proporção de cura para os casos novos de hanseníase diagnosticados entre 2012 e 2020 está na faixa de 80%”, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde do país, Arnaldo Medeiros.

A representante da OPAS e da OMS no Brasil, Socorro Gross, disse que o Brasil é referência na área para a Região das Américas e o mundo, não apenas pela carga da doença, mas também pelas capacidades técnicas, recursos humanos, estratégia, posicionamento político e solidariedade em compartilhar conhecimentos. “Este avanço do Brasil hoje é um avanço para o mundo todo. Introduzir um teste rápido significa ter um diagnóstico precoce, o que, para uma doença que tem cura, vai sim dar oportunidade de falarmos em eliminação (da hanseníase)”, destacou.

Hanseníase tem cura

A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, também conhecida como bacilo de Hansen (em homenagem à Gerhard Hansen, o médico e bacteriologista norueguês, descobridor da doença, em 1873). O bacilo se reproduz muito lentamente e o período médio de incubação e aparecimento dos sinais e sintomas da doença é de aproximadamente cinco anos. 

Os sintomas iniciais são manchas ou nódulos claros ou escuros na pele, resultando em lesões na pele e perda de sensibilidade na área afetada. Outros sintomas incluem fraqueza muscular e sensação de formigamento nas mãos e nos pés. Quando os casos não são tratados no início dos sinais e sintomas, a doença pode causar sequelas progressivas e permanentes, incluindo deformidades e mutilações, redução da mobilidade dos membros e cegueira.

A doença afeta principalmente a pele, os nervos, a mucosa do trato respiratório superior e os olhos. Em alguns casos, os sintomas podem aparecer nove meses após a contaminação e, em outros casos, podem demorar até 20 anos. A hanseníase não é altamente infecciosa e é transmitida por meio do contato próximo e frequente com pessoas infectadas não tratadas. 

Pessoas afetadas pela doença são frequentemente discriminadas e estigmatizadas. Essa situação repercute negativamente no acesso ao diagnóstico, no resultado do tratamento e no resultado do atendimento, além de violar direitos civis, políticos e sociais. Acabar com a discriminação, estigma e preconceito é essencial para acabar com a hanseníase.

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