Brasília, 4 de dezembro de 2025 – Estão disponíveis em português três artigos da série The Lancet sobre alimentos ultraprocessados e saúde humana. O lançamento ocorreu nesta quarta-feira (03/12), na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Brasília, no Brasil.
A representante adjunta da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, Elisa Prieto, participou da solenidade que também contou com presenças do Programa Mundial de Alimentos, Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens USP).
Os artigos reúnem pesquisadores do Brasil e de diversos países e apresentam as evidências mais atualizadas sobre os impactos dos ultraprocessados na saúde, na economia e na sustentabilidade, além de apontar caminhos de política pública para enfrentar esse desafio global.
As evidências indicam que os ultraprocessados estão substituindo alimentos in natura e minimamente processados nas refeições e estão associados ao maior risco de diversas doenças crônicas.
Alimentos ultraprocessados
Os alimentos ultraprocessados são formulações industriais principalmente a base de substâncias extraídas ou derivadas de alimentos, além de aditivos e cosméticos que dão cor, sabor ou textura para tentar imitar os alimentos. Esses produtos estão nutricionalmente desequilibrados. Contêm uma alta quantidade de açúcares livres, gorduras totais, gorduras saturadas e sódio; e uma baixa quantidade de proteína, fibra alimentar, minerais e vitaminas, em comparação com os produtos, pratos e comidas não processadas ou minimamente processadas.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) tem alertado que eles são considerados um dos principais fatores para o aumento da obesidade, doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e déficits nutricionais na Região das Américas.
O modelo de perfil nutricional da OPAS, primeira ferramenta das Nações Unidas a incorporar a classificação NOVA (que categoriza os alimentos e os diferentes tipos de alimentação de acordo com a natureza, finalidade e grau de processamento industrial), contribuiu para posicionar a região das Américas na liderança global de políticas regulatória para reduzir o consumo de ultraprocessados.
Nos países que implementaram o Modelo, mais de 95% dos ultraprocessados exibem rotulagem nutricional frontal, são proibidos em escolas e outros ambientes e não podem ser promovidos por publicidade.
