OPAS pede intensificação de esforços para garantir maternidade segura nas Américas

Mujer embarazada en chequeo médico

Washington D.C., 6 de março de 2026 (OPAS) – Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) faz um chamado para acelerar os esforços a fim de reduzir a mortalidade materna e garantir que todas as mulheres nas Américas tenham acesso a serviços, medicamentos e tecnologias essenciais de saúde para uma maternidade segura.

Apesar dos avanços nas últimas décadas, milhares de mulheres continuam perdendo a vida todos os anos por causas relacionadas à gravidez e ao parto que podem ser prevenidas. Em 2023, foram registradas cerca de 8 mil mortes maternas nas Américas, com uma razão de mortalidade de 59 mortes por 100 mil nascidos vivos, ainda acima da meta regional de 30 por 100 mil estabelecida na Agenda de Saúde Sustentável para as Américas 2030 da OPAS.

A pandemia de COVID-19 aprofundou as desigualdades existentes e provocou um aumento temporário das mortes maternas. Mesmo nesse contexto crítico na região das Américas, a resposta organizada e decidida dos países conseguiu reduzir as mortes maternas em 17%, o que equivale a salvar cinco vidas de gestantes a cada dia.

“Apesar dessa recuperação, as lacunas no acesso aos serviços de saúde materna e neonatal continuam afetando de forma desproporcional as populações em situação de maior vulnerabilidade”, afirmou James Fitzgerald, diretor do Departamento de Sistemas e Serviços de Saúde da OPAS.

Em alguns países da América Latina e do Caribe, mulheres indígenas enfrentam um risco até três vezes maior de morrer durante a gravidez ou o parto.

As principais causas de morte materna na região incluem hemorragias pós-parto, distúrbios hipertensivos da gravidez, como pré-eclâmpsia e eclâmpsia, e infecções graves relacionadas à gestação. Quase todas essas mortes poderiam ser evitadas se as mulheres tivessem acesso oportuno a uma atenção de qualidade, respeitosa e baseada em evidências, assim como a medicamentos e tecnologias adequadas.

“É necessário fortalecer o acesso a medicamentos essenciais, tecnologias de saúde materna e neonatal e a serviços integrais de saúde para reduzir a mortalidade de mulheres e recém-nascidos”, destacou Fitzgerald.

Em 2024, a Organização fez um chamado à ação e lançou a iniciativa Zero Mortes Maternas Evitáveis para impulsionar ações com o objetivo de que nenhuma mulher morra por causas preveníveis relacionadas à gravidez ou ao parto. Como parte das ações propostas, pediu aos países que se comprometam com um financiamento adequado que priorize a saúde das mulheres; promovam a colaboração intersetorial para eliminar barreiras que limitam o acesso aos cuidados; e implementem estratégias eficazes de mobilização social para aumentar a visibilidade dos problemas de saúde materna.

Esse chamado à ação propõe fortalecer a governança e a liderança do sistema de saúde para melhorar a gestão da saúde materna, juntamente com a expansão e o fortalecimento do primeiro nível de atenção. Também propõe consolidar redes integradas de serviços de saúde baseadas na atenção primária, com ênfase na atenção materna, sexual e reprodutiva de qualidade; garantir a disponibilidade de recursos humanos suficientes, bem distribuídos, capacitados e motivados; e promover o empoderamento de mulheres, famílias e comunidades para assegurar o acesso aos serviços de saúde e o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos.

Recentemente, a OPAS reforçou sua cooperação técnica com o lançamento de pacotes de insumos essenciais de saúde materna e neonatal, que contêm um catálogo de medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos prioritários, facilitando sua aquisição conjunta, segura e a preços acessíveis por meio dos Fundos Rotatórios Regionais da Organização.

No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a OPAS destaca a urgência de garantir a equidade no acesso a serviços, medicamentos e tecnologias de saúde, fortalecer os sistemas de saúde e priorizar as populações mais vulneráveis, para que todas as mulheres possam exercer seu direito a uma maternidade segura.