Palavras de boas-vindas do Dr. Jarbas Barbosa da Silva Jr., Diretor da Repartição Sanitária Pan-Americana
28 de setembro de 2026 Excelentíssima Senhora Lisa Cummins, Ministra da Saúde e Bem-Estar de Barbados, Presidente Cessante do Conselho Diretor; Excelentíssimo Doutor Jayanta Bhattacharya, Diretor dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos da América; Excelentíssimo Embaixador Steve Ferrol, Representante Permanente da Dominica, Presidente do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos; Excelentíssimo Senhor Ilan Goldfajn, Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento; Ilustríssimos ministros da Saúde, embaixadores, delegações e colegas. É uma honra dar-lhes as boas-vindas à 63ª Sessão do Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Há mais de 120 anos, a OPAS trabalha com países de toda a Região das Américas para transformar o que ontem era impossível no que hoje é a realidade. Doenças que antes ceifavam milhares de vidas foram eliminadas ou estão próximas da eliminação. As vacinas protegem as crianças contra doenças que seus pais temiam. Os sistemas de saúde estão mais bem equipados para detectar ameaças, responder a emergências e proteger as comunidades. Na saúde pública, o sucesso costuma ser medido pelo que não acontece. Prevenir uma doença ou conter um surto pode não virar manchete, mas pode salvar uma vida, poupar uma família do sofrimento e proteger uma comunidade. Todos os dias, a OPAS apoia os países para proteger e melhorar a saúde de suas populações. Nossa Região continua servindo de modelo para outras partes do mundo. Hoje à tarde, terei a oportunidade de compartilhar com vocês importantes conquistas alcançadas recentemente na Região. Estamos fortalecendo a atenção primária à saúde, melhorando a vacinação, ampliando a saúde digital, prevenindo e controlando surtos, reduzindo as mortes por doenças crônicas e avançando na eliminação de doenças. No entanto, a reemergência do sarampo faz lembrar que nosso trabalho está longe de terminar. Precisamos continuar fortalecendo a vigilância, a vacinação e a resposta aos surtos. Também precisamos acelerar o progresso nas áreas de saúde materna, neonatal, infantil e mental e fortalecer a preparação para emergências de saúde pública. Ao mesmo tempo, devemos manter o foco na promoção da saúde universal e no enfrentamento de desafios críticos, como a persistente escassez de trabalhadores da saúde em toda a Região. Este Conselho Diretor oferece uma oportunidade valiosa para moldar nossa resposta coletiva a esses desafios e fortalecer ações para melhorar a saúde em toda a Região. Na área de saúde pública, progresso duradouro não é algo que possa ser entregue aos países, e sim algo a ser construído junto com eles. Isso começa aqui. Antes de passar para o tema desta reunião, gostaria de chamar a atenção dos Estados Membros para uma questão que está por trás de tudo o que fazemos: a sustentabilidade financeira da nossa Organização. No ano passado propusemos, e nossos Estados Membros aprovaram, uma redução orçamentária de 19%. Apesar dos esforços de priorização, das medidas de contenção de custos e da forte mobilização de contribuições voluntárias adicionais, continuamos enfrentando um déficit de financiamento dos nossos principais programas. Isso não é simplesmente um desafio orçamentário, pois afeta nossa capacidade de prestar cooperação técnica, responder a ameaças emergentes à saúde e manter operações essenciais em toda a Região. Por esse motivo, o pagamento oportuno e integral das contribuições fixas continua sendo indispensável para garantir que a Organização mantenha a solidez e a capacidade de resposta e de cumprimento do seu mandato. Gostaria de agradecer sinceramente aos 31 Estados Membros que já efetuaram pagamentos integrais ou parciais em 2026 e convidar respeitosamente todos os Estados Membros a quitarem suas contribuições o mais rápido possível. Também quero agradecer aos nossos parceiros e doadores pelo apoio fundamental na implementação da agenda de prioridades em nossa Região. Governos, organizações filantrópicas e instituições financeiras firmaram parcerias conosco em torno das prioridades estabelecidas pelos nossos Estados Membros. Nossa parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento está promovendo a implementação da Rota Pan-Americana de Saúde Digital, que busca aprimorar a colaboração digital, eliminar barreiras na atenção à saúde e oferecer acesso fácil a informações clínicas além das fronteiras. Treze países da América Latina e do Caribe estão se beneficiando da Aliança para a Atenção Primária à Saúde estabelecida pela OPAS, pelo BID e pelo Banco Mundial. E essas são apenas algumas das muitas parcerias sólidas que estabelecemos nos últimos anos. Continuamos buscando formas mais eficientes de oferecer cooperação técnica, expandindo o uso das plataformas virtuais, simplificando processos internos e fortalecendo a transparência e a prestação de contas por meio da publicação de relatórios de auditoria interna e de avaliações externas, bem como dos respectivos planos de implementação. Uma organização forte e sustentável não é um fim em si mesma; é a base que nos permite apoiar os países, responder a desafios emergentes, fortalecer os sistemas de saúde e melhorar os resultados de saúde para todas as pessoas da Região das Américas. A nova edição faz uma pergunta fundamental: em quais áreas podemos obter os maiores ganhos em matéria de saúde? Quase 40% da carga de doenças da Região é potencialmente evitável. Grande parte dessa carga está relacionada a doenças cardiovasculares, diabetes e doenças renais, transtornos maternos e neonatais, violência e lesões, transtornos por uso de substâncias psicoativas e infecções respiratórias, incluindo a tuberculose. Convido todos a explorar o relatório por meio do código QR que se encontra em suas mesas e a visitar o estande do Saúde nas Américas ao longo da semana. Gostaria agora de apresentar a agenda deste Conselho Diretor, que inclui questões cruciais para o avanço das prioridades de saúde da Região. Discutiremos o relatório da avaliação de fim de biênio do Orçamento por Programas da OPAS 2024–2025, que apresenta os resultados alcançados até o encerramento do biênio, juntamente com o relatório final sobre a implementação do Plano Estratégico da OPAS 2020–2025, que inclui os resultados, a execução financeira, os riscos, as lições aprendidas e as medidas adotadas para reforçar a eficiência, a transparência e a prestação de contas. Os Fundos Rotativos Regionais da OPAS contribuem para a implementação das prioridades regionais de saúde pública, como a eliminação de doenças. Os países podem acessar novas tecnologias relacionadas a vacinas, medicamentos e meios de diagnóstico a preços acessíveis. Por exemplo, para a eliminação do câncer do colo do útero, os países têm acesso, por meio dos Fundos Rotativos Regionais, a vacinas, testes moleculares de HPV e equipamentos para o tratamento de lesões na atenção primária. Os Fundos Rotativos Regionais permitem acelerar o acesso a inovações e contribuem para fortalecer a produção regional de tecnologias em saúde. Também será apresentada a Estratégia para fortalecer a gestão do risco e de emergências de saúde em prol da segurança sanitária 2026–2031, cujo objetivo é fortalecer as capacidades nacionais e a colaboração regional para melhorar a segurança sanitária na Região. Analisaremos a Estratégia de gestão integrada para prevenção e controle das arboviroses 2026–2035, que visa fortalecer a prevenção, a detecção precoce e a resposta à dengue e a outras arboviroses por meio de melhorias na vigilância, no diagnóstico, no manejo clínico e no controle de vetores. Será apresentada uma atualização sobre a implementação do Centro de Serviços Compartilhados, um componente essencial da iniciativa OPAS Avante, que busca agilizar e aumentar a eficiência das funções administrativas da Organização. O projeto está avançando conforme o planejado, e a previsão é que o Centro de Serviços Compartilhados esteja totalmente operacional no segundo semestre de 2026. Espera-se que o investimento seja recuperado em menos de um ano, proporcionando serviços administrativos mais eficientes e gerando economias significativas para a Organização. Gostaria também de convidá-los a participar das quatro sessões informativas programadas para esta semana, que abordarão questões-chave para o futuro da saúde na Região das Américas: transformação digital, atenção primária à saúde, eliminação de doenças e governança mundial da saúde. Convido todos a visitar as exposições, que apresentam uma série de iniciativas e oportunidades de cooperação técnica relacionadas à mortalidade materna, à iniciativa HEARTS nas Américas, telessaúde e telemedicina, ao Campus Virtual de Saúde Pública e ao uso de evidências científicas, entre muitas outras. É claro que a Repartição Sanitária Pan-Americana estará à disposição para responder às suas perguntas e comentários, bem como para apoiar a sua participação. Para concluir, gostaria de lembrar que esta Organização nasceu de uma ideia poderosa: o pan-americanismo. A convicção de que somos mais fortes quando trabalhamos juntos e mais efetivos quando avançamos com um propósito comum. A Região das Américas deve continuar sendo líder em termos de inovação em saúde pública e deve contribuir ativamente para moldar a agenda global de saúde. A Organização Pan-Americana da Saúde está aqui para caminhar ao seu lado, mas também para desafiá-los, pois para tornar possível o que hoje parece impossível é necessário pensar de uma forma diferente, inovar e adaptar nossas respostas a novas realidades. Nosso papel é promover novas ideias e estratégias, compartilhar melhores práticas e ajudar os países a transformar a inovação em melhores resultados de saúde. Se a história da saúde pública na Região das Américas nos ensinou alguma coisa, é que, quando trabalhamos juntos, podemos transformar em realidade o que hoje parece impossível. Muito obrigado, thank you very much, muchas gracias, merci beaucoup. |
