O Memorial Digital da Pandemia de COVID-19 concluiu sua Fase I com resultados que consolidaram a iniciativa como uma infraestrutura pública para preservação, organização e acesso às memórias da pandemia no Brasil. Desenvolvido por meio da cooperação entre o Ministério da Saúde, a BIREME/OPAS/OMS e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o projeto avançou da preparação técnica e institucional para a entrada em operação pública do Portal, acompanhada pela ampliação das coleções, fortalecimento dos processos de preservação digital, internacionalização e ações de comunicação e disseminação.
O principal marco desta etapa foi o lançamento oficial do Portal do Memorial Digital da Pandemia de COVID-19, em 7 de abril de 2026, reunindo em um mesmo ambiente os processos de preservação digital, gestão de coleções, recuperação da informação e acesso público ao conteúdo. O encerramento da Fase I representa, assim, a passagem de um projeto em desenvolvimento para uma infraestrutura digital em funcionamento, preparada para incorporar novas coleções e ampliar progressivamente seu alcance.
Infraestrutura integrada para preservação e acesso
Um dos principais resultados alcançados foi a consolidação do ecossistema tecnológico do Memorial. O Portal, o Tainacan, o Archivematica e a interface de busca foram implantados em infraestrutura hospedada nos servidores da BIREME/OPAS/OMS, integrando preservação digital, organização das coleções, busca e acesso público.
A busca foi customizada para recuperar as coleções do Tainacan e integrá-las a outras fontes de informação, permitindo que os usuários dos Portal recuperem e acessem tanto os arquivos das coleções de memórias e registros da pandemia quanto à produção científica e técnica relacionada à COVID-19. Também foram consolidados os fluxos de ingestão, preservação e publicação das coleções, estabelecendo uma estrutura tecnológica preparada para evolução contínua.
Coleções ampliadas e metodologia de preservação consolidada
O Portal foi lançado com cinco coleções digitais e, até julho de 2026, passou a reunir doze coleções, incluindo conteúdos textuais, fotográficos, audiovisuais e relatos relacionados às experiências de diferentes grupos sociais e territórios durante a pandemia.
Além da ampliação quantitativa, a Fase I permitiu consolidar um fluxo técnico para identificação, cessão, organização, descrição, preservação e disponibilização das coleções. Os conteúdos são processados no Archivematica, com geração dos pacotes destinados à preservação e à disseminação, e posteriormente incorporados ao Tainacan e à interface de pesquisa integrada ao Portal regional da BVS. Esse processo estruturou uma metodologia que poderá orientar a incorporação contínua de novas coleções ao Memorial.
Governança e segurança para a preservação da memória
A consolidação da governança foi outro resultado importante desta etapa. O trabalho conjunto entre Ministério da Saúde, BIREME/OPAS/OMS e Unicamp avançou na definição de responsabilidades institucionais, nos procedimentos para incorporação de novas coleções e no tratamento dos direitos relacionados aos conteúdos preservados.
Foram concluídos e aplicados os Termos de Cessão de Uso das coleções, além da consolidação da Política de Gestão e Preservação do Acervo e do Plano de Preservação e Acesso. Esses instrumentos estabelecem bases técnicas, institucionais e jurídicas para que a expansão do Memorial ocorra de forma responsável, transparente e sustentável.
Comunicação, reconhecimento e ampliação do alcance
A implementação do Plano de Comunicação acompanhou os principais marcos do projeto e contribuiu para ampliar a visibilidade do Memorial e aproximar diferentes públicos de suas coleções. As ações envolveram produção de conteúdos notícias, divulgação em canais institucionais e redes sociais, cobertura audiovisual de eventos e exposições, mobilização da Rede BVS e de instituições parceiras, relacionamento com a imprensa e disseminação das coleções e das iniciativas de preservação da memória da pandemia no próprio portal do Memorial Digital.
Outro avanço foi a internacionalização do Portal, com a disponibilização dos conteúdos em português, inglês e espanhol, ampliando as possibilidades de acesso e de disseminação da iniciativa para além do Brasil.
Esse posicionamento foi fortalecido pela submissão do Memorial a iniciativas internacionais de reconhecimento do patrimônio documental, como o Prêmio UNESCO/Jikji Memória do Mundo, cuja candidatura recebeu o endosso da Comissão Nacional do Brasil para a UNESCO, além da preparação de candidaturas aos programas Memória do Mundo (MoW) e Memória do Mundo para a América Latina e Caribe (MoW LAC). Essas iniciativas reforçam a relevância do Memorial e ampliam sua projeção nacional e internacional.
A disseminação do projeto também ganhou impulso com a exposição itinerante “A Infinita Memória da Pandemia”, que, após o lançamento no Rio de Janeiro, passou por Brasília e São Paulo, com próximas etapas previstas em Fortaleza, Manaus e Porto Alegre. A itinerância amplia a presença do Memorial no país e aproxima a sociedade das histórias e experiências preservadas no Portal.
As ações de comunicação foram acompanhadas pelo monitoramento do uso do Portal. Entre 7 de abril data do lançamento e 27 de julho de 2026, foram registrados 3,2 mil usuários ativos, 5,6 mil sessões e 17 mil visualizações de páginas, com acessos provenientes de diferentes países. Os dados oferecem evidências para orientar novas ações de comunicação, aprimoramento da experiência do usuário e expansão do alcance do Memorial.
Articulação regional
A cooperação regional também avançou com a realização do Seminário Internacional “Memórias Digitais da Pandemia de COVID-19 na América Latina”, organizado pelo Centro de Humanidades Digitais da Unicamp, com participação da BIREME/OPAS/OMS. Realizado em 14 agosto de 2026, o encontro reuniu representantes de iniciativas de preservação da memória da pandemia do Uruguai e Costa Rica, promovendo a troca de experiências, metodologias e possibilidades de colaboração entre os projetos. A expectativa é que o intercâmbio regional abra caminhos para compor e fortalecer uma rede latino-americana de preservação das memórias digitais da pandemia, ampliando o diálogo e a cooperação entre instituições e projetos de diferentes países das Américas.
Da implantação à consolidação de uma infraestrutura pública de memória
O encerramento da Fase I deixa como principal resultado uma infraestrutura digital sustentável e multilíngue, apoiada por processos técnicos, jurídicos e institucionais para preservar e ampliar o acesso às memórias da pandemia.
Além disso, o projeto estruturou uma capacidade institucional para identificar, organizar, preservar e comunicar coleções relacionadas à COVID-19. A ampliação de cinco para doze coleções, a integração dos sistemas de preservação, gestão e busca e a disponibilização do conteúdo em três idiomas demonstram a capacidade de crescimento e de continuidade da iniciativa.
Com a conclusão desta etapa, o Memorial avança para um novo ciclo voltado à ampliação e diversificação das coleções, fortalecimento da comunicação, aprimoramento da experiência dos usuários e expansão da cooperação regional.
Para Juliana Sousa, bibliotecária e gestora de projetos na BIREME/OPAS/OMS e ponto focal do Projeto Memorial Digital da Pandemia de COVID-19, a conclusão da primeira etapa permite reconhecer os avanços alcançados e projetar a continuidade da iniciativa. “Encerrar a Fase I é olhar para todo o caminho percorrido e perceber que construímos algo que vai além de um portal: criamos bases sólidas para preservar, organizar e dar acesso às memórias da pandemia. É um trabalho construído de forma colaborativa e preparado para continuar crescendo e conectando histórias, pessoas e instituições”, destacou.
A Fase II do Memorial Digital já está em processo de formalização, dando continuidade à iniciativa e abrindo espaço para novas coleções, parcerias e ações de disseminação e cooperação regional. E deixamos um “spoiler” para os próximos capítulos: ainda há muita memória para preservar, conectar e compartilhar.
Para conhecer o Memorial Digital, por favor, visite o link: Memorial Digital da Pandemia de COVID-19.
