Washington, D.C., 29 de setembro de 2026 (OPAS) – A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reconheceu nesta terça-feira (29/9) cinco países e territórios das Américas por importantes conquistas na eliminação de doenças durante o último ano, marcando novos avanços rumo à meta regional de eliminar mais de 30 doenças transmissíveis e condições relacionadas até 2030.
Durante uma cerimônia especial realizada no marco do 63º Conselho Diretor da OPAS, autoridades destacaram os avanços do Brasil, Chile, El Salvador, Bahamas e Ilhas Turcas e Caicos.
Entre setembro de 2025 e setembro de 2026, os cinco países e territórios receberam certificações, validações ou verificações da Organização Mundial da Saúde (OMS) por terem eliminado ao menos uma doença transmissível.
“Hoje celebramos uma conquista que reflete o melhor de nossa região: a capacidade de transformar o compromisso político, a evidência e a cooperação em resultados concretos para a saúde das pessoas”, afirmou o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa.
Entre os avanços reconhecidos estão:
- Brasil foi validado em dezembro de 2025 por ter eliminado a transmissão vertical do HIV, tornando-se o país mais populoso do mundo a alcançar esse marco.
- Chile foi verificado em março de 2026 por ter eliminado a hanseníase como problema de saúde pública, tornando-se o primeiro país das Américas a fazê-lo. Em setembro, também se tornou o primeiro país da América do Sul validado por eliminar a raiva humana transmitida por cães como problema de saúde pública.
- El Salvador foi validado em julho de 2026 por ter eliminado o tracoma como problema de saúde pública, tornando-se o primeiro país da América Central a alcançar esse marco.
- Bahamas recebeu, em abril de 2026, a certificação por ter eliminado a transmissão vertical do HIV.
- Ilhas Turcas e Caicos receberam, em junho de 2026, a certificação por terem eliminado a transmissão vertical do HIV e da hepatite B, tornando-se o primeiro território das Américas a alcançar este último feito.
Esses avanços se somam à longa trajetória de liderança das Américas na eliminação de doenças. Cerca de 60% dos países e territórios do mundo reconhecidos por terem eliminado a transmissão vertical do HIV estão nesta região.
“As Américas continuam liderando os esforços de eliminação em nível mundial, demonstrando que, quando os países estabelecem metas ambiciosas e as transformam em prioridade de saúde pública, é possível alcançar resultados extraordinários”, destacou Barbosa.
Esses reconhecimentos também refletem os avanços da Iniciativa da OPAS para a Eliminação de Doenças, aprovada pelos Estados Membros em 2019 e relançada em 2023 para recuperar coberturas e intervenções essenciais afetadas pela pandemia de COVID-19 e acelerar o progresso rumo a novas metas de eliminação. A iniciativa busca eliminar mais de 30 doenças transmissíveis e condições relacionadas nas Américas até 2030 por meio de uma abordagem integrada.
Os esforços de eliminação também podem fortalecer os sistemas de saúde para além das doenças específicas que se busca eliminar. Ao ampliar o acesso a intervenções integradas, os países reforçam a vigilância, a capacidade laboratorial, a atenção primária à saúde e a capacidade dos serviços de saúde para responder aos desafios atuais e futuros.
“A eliminação de doenças não consiste apenas em reduzir a carga de doenças específicas; também é um caminho para construir sistemas de saúde mais fortes e resilientes”, afirmou Barbosa.
Relatório sobre os avanços
Um novo relatório de progresso sobre a Iniciativa de Eliminação, apresentado ao Conselho Diretor deste ano, documenta avanços mais amplos na região entre 2023 e 2025. Entre eles estão a certificação de Belize e Suriname como países livres de malária; a certificação de Belize, Jamaica e São Vicente e Granadinas por eliminar a transmissão vertical do HIV e da sífilis; a validação do Brasil por eliminar a filariose linfática; e a verificação de cinco províncias da Argentina como livres da transmissão vetorial da doença de Chagas.
A região também se manteve livre do poliovírus selvagem e sustentou a eliminação da rubéola, da síndrome da rubéola congênita e do tétano neonatal.
O relatório destaca ainda uma lição fundamental: alcançar a eliminação exige que os países mantenham as capacidades que a tornam possível. Os surtos recentes de sarampo e a perda do status de região livre de transmissão endêmica dessa doença demonstram como os avanços podem ser revertidos quando as coberturas vacinais diminuem ou quando a vigilância e a resposta a surtos são insuficientes. Ao mesmo tempo, persistem cargas importantes de doenças incluídas na iniciativa, como tuberculose, malária, HIV/aids, sífilis e câncer do colo do útero.
Para o futuro, a OPAS chama os países a acelerarem a implementação de roteiros nacionais para a eliminação de doenças, respaldados por financiamento interno previsível; integrarem ainda mais as intervenções de eliminação na atenção primária à saúde; ampliarem o acesso equitativo a diagnósticos, medicamentos e outras tecnologias sanitárias; fortalecerem sistemas interoperáveis de vigilância e informação; e aumentarem a participação comunitária e a ação multissetorial.
Até setembro de 2026, cinco Estados Membros da OPAS haviam implementado planos multidiagnóstico de eliminação de doenças, sete estavam desenvolvendo esses planos e 17 aplicavam estratégias aceleradas de eliminação.
A OPAS continua trabalhando com os países e seus parceiros para acelerar o avanço rumo às metas de eliminação, ao mesmo tempo em que ajuda a proteger e sustentar as conquistas alcançadas.
